1. O momento decisivo pelo qual se aguardava para o cabal esclarecimento da polémica relacionada com a exigência de mais voos e lugares para a ilha do Faial, traduziu-se na confirmação, através da Secretária Regional dos Transportes e do Presidente da SATA, daquilo que todos nós já suspeitávamos, ou seja, o Faial não vai ter direito nem a mais lugares, nem a mais voos do que aqueles que se encontravam definidos pela companhia aérea para o verão IATA 2018.
Ouvidas estas duas personalidades na Comissão de Economia da Assembleia Legislativa, e apesar da natural pressão que a manifestação do povo faialense sobre elas provocou, não tiveram qualquer pejo em manter as posições assumidas, confirmando horários, aviões e voos.
Todavia, quando ali se aguardava por uma contrarresposta, firme e vincada, por parte dos deputados regionais faialenses aos números avançados pelo Governo Regional e à política adotada pela SATA em relação ao Faial, eis que se assistiu a um desviar do cerne da questão para algo, importante também, mas que não incumbe, em primeira linha, à transportadora aérea regional, ou seja, o desafio lançado pela promoção do destino Faial.
Efetivamente, o exigir-se à SATA que promova e divulgue o destino Faial sem que primeiro cumpra a premissa para que está vocacionada e que presidiu aos objetivos da manifestação de 21 de março, parece querer esconder debaixo do tapete a discussão que se tem vindo a desenrolar.
Isto é tanto mais real quando se sabe que a promoção e divulgação da ilha deverá exigir-se sim, desde logo, à Associação de Turismo dos Açores (ATA). É a esta entidade e não à SATA que cabe delinear e programar as campanhas de promoção e divulgação das nove ilhas dos Açores.
Portanto, se se reclama uma maior difusão da nossa ilha além-fronteiras, é porque a ATA não está a cumprir bem o papel para que foi criada. Daí que neste capítulo, as nossas atenções se devam virar também para quem preside a esta Associação e que não tem dado ao Faial a importância que merece. Há que chamar a terreiro os seus responsáveis, questionando-lhes as prioridades que têm pautado a sua atuação à frente desta entidade.
Por isso há que separar as águas. À SATA deverá exigir-se a melhoria das acessibilidades aéreas para o Faial, com aumento dos voos e lugares disponíveis; à ATA, por seu turno, deverá impor-se uma maior divulgação e promoção do destino Faial. Não obstante, a companhia aérea regional deverá promover equitativamente todas as ilhas, a não ser que haja filhos e enteados.
No entanto, tais exigências não poderão levar a esquecer o papel importante que, nesta matéria, devem ter, também, o Município da Horta e os próprios empresários locais, através da Câmara do Comércio e Indústria, como sucedeu recentemente na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), pois da união de esforços resultará uma promoção mais efetiva e com mais valias para o destino Faial.
2. Na mesma semana em que ocorreu esta audição, o Governo Regional decidiu jogar outra cartada importante que poderá silenciar durante muito tempo os defensores do aumento da pista do aeroporto da Horta. Tal prende-se com o envio de uma carta ao Ministro do Planeamento e Obras Públicas requerendo que as obras de ampliação da pista sejam incluídas na próxima renegociação da concessão a celebrar com a VINCI.
Ato importante sem dúvida, mas que concederá ao Governo Regional, a partir desse momento, uma enorme margem de manobra. Na verdade, esta simples missiva permitirá não só direcionar para o Governo da República qualquer questão que agora se levante acerca do futuro da pista do aeroporto, como inclusive imputar a esse mesmo Governo e com toda a probabilidade à VINCI todas e quaisquer responsabilidades decorrentes de uma eventual não realização da obra.
Mais uma vez os faialenses veem frustradas as suas expetativas, as quais nem o próprio estudo de ampliação da pista, patrocinado pelo Município, conseguirá salvar.
Nem voos, nem pista… mas com muitas manobras de distração e fumo negro atirado para os olhos.