1. Regressado ao Faial, encontrei no meu correio, como provavelmente todos os residentes nesta ilha, um mailing da SATA. A minha primeira reação foi de incredulidade e espanto: o Faial é mesmo muito importante para a Administração daquela empresa gastar dinheiro para nos mandar uma carta, em forma de panfleto publicitário, com perguntas e respostas, como se fossemos meninos da primária, e, ainda por cima, com dificuldades de aprendizagem!
Mas, depois de bem ler toda a carta, percebi que, afinal, ela não é mais do que a ilustração da má consciência de quem, manipulando os números, nos quer convencer de uma equação impossível - com menos voos oferecer mais lugares!
Esta carta é uma ofensa à nossa inteligência. Porque é mandada pela mesma Administração que em 2016 veio aqui ao Faial dizer que, de outubro de 2015 a setembro de 2016, “tivemos cerca de 95 voos com uma taxa de ocupação abaixo dos 50 por cento”, que “há voos a transportar menos de 80 passageiros”, quando, meses depois, se veio provar que essas afirmações eram falsas porque manipulavam os números e omitiam o resultado global da operação. Mais: essas declarações pretendiam crucificar a rota da Horta, esquecendo convenientemente as outras rotas de que nunca se quer falar…
Esta carta ofende o Faial porque esta Administração não tem credibilidade e moral para se nos dirigir.
2. Este Presidente e esta Administração da SATA fazem o que fazem e dizem o que dizem porque estão respaldados na tutela que os nomeou e que os apoia. O Governo Regional dos Açores manda na SATA, de que é proprietário.
Por isso, este Governo quer, concorda e promove esta política da SATA de redução de voos na rota da Horta. Aliás, cristalinamente, a Secretária dos Transportes disse, para quem a quis ouvir, que os números apresentados pelo Presidente da SATA em relação à rota da Horta não são “uma convicção nem uma sensação, mas sim uma certeza.”
Então, se é assim, fica, mais uma vez, o desafio público, agora também ao Governo Regional: apresentem todos os números, de todas as rotas! Digam, rota a rota, qual o número de lugares oferecido, ano a ano. E digam, rota a rota, o número de lugares que foram ocupados.
E então, quando conhecermos esses números, devidamente auditados e comprovados, perceberemos todos se as decisões desta Administração da SATA em reduzir ou aumentar voos nas suas diversas rotas, teve sempre por base o resultado da ocupação de lugares do ano anterior.
Enquanto não o fizerem, nem a Administração da SATA nem o Governo têm credibilidade para apontarem o dedo à rota da Horta, ofendendo-nos!!!
3. Assisti ao debate na RTP-A, sobre o futuro da SATA. E fiquei estarrecido!!!
É normal um Presidente de uma Empresa mostrar tamanha animosidade para com a rota da Horta e para com os Faialenses? É normal uma obsessão tão compulsiva em divulgar os números só desta rota, quase querendo culpar a Horta pelo buraco financeiro em que, também esta Administração, conduziu a empresa? É normal que quando devia ter falado do futuro, aquele administrador tivesse ocupado quase todo o seu tempo a atacar o Faial?
Imaginemos, por absurdo, que o debate era sobre o futuro da Portos dos Açores. E que o seu Presidente, o faialense Fernando Nascimento, tivesse uma prestação semelhante à que teve o Presidente da SATA. E que, em vez de falar do futuro da empresa, tivesse desfiado números a arrasar, imaginemos, o porto de Ponta Delgada ou o da Praia da Vitória.
Não durava nem uma semana no cargo!!!
É assim que estamos nestes Açores…
4 Uma palavra final para o Colóquio sobre acessibilidades aéreas, organizado pelo Grupo do Aeroporto da Horta. Ausente do Faial, não estive presente. Mas, das informações que tive, retenho, com otimismo, que, afinal e ao contrário do que nos quiseram convencer, se houver vontade política, é possível mobilizar verbas comunitárias para a ampliação da pista do aeroporto da Horta. E, registo, com grande agrado, que vou notando sinais de se poder caminhar, quanto a este investimento, para um grande consenso e uma grande unidade no Faial entre todas as forças partidárias e instituições. A nossa unidade e coesão serão cruciais. Saibamos todos olhar agora para a frente e para o grande objetivo que a todos une.
15.04.2018