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20
abril

Prima Notte

Escrito por  Rui Martins
Publicado em Rui Martins
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Antes de mais gostaria de aqui deixar os Parabéns a este jornal que agora celebra 16 anos! Já pode, portanto, graças à avançada legislação nacional, sem nada dizer aos sócios da Associação que detém este titulo, mudar de género! Já pode também disfrutar do consumo moderado de vinho, ainda que nestas idades as bebidas brancas sejam as mais apetecidas e só muito mais tarde se comece a apreciar o néctar de Baco. De qualquer das formas continua demasiado imaturo para poder decidir acerca de quais os políticos que quer para sua representação.
No entanto, o título deste artigo a nada disso se refere, e também não se refere ao direito medieval de os senhores feudais passarem a noite de núpcias com todas as nubentes do feudo. Este título refere-se ao direito, já também medieval nestas paragens, de os Relatórios de Gestão e Contas da Câmara Municipal da Horta (CMH) de 2017, serem primeiro apresentados aos concubinos do PS/Faial. Talvez assim os deputados municipais deste partido fiquem a saber mais qualquer coisa do que vem nestes relatórios, porque normalmente, por iniciativa própria não os lêem…
Chegou ao meu conhecimento que o Sr. Secretário Coordenador do PS/Faial, Luís Botelho, convidou a máquina socialista (militantes e simpatizantes) para lhes apresentar, em exclusivo, as contas da CMH. E qual é o problema, poderia perguntar o leitor? O problema é que a restante vereação (não executiva), que são parte integrante da CMH, ainda não obteve esses dados. Mais, os deputados municipais que têm responsabilidades deliberativas, de apreciação e fiscalização da actividade municipal em nome dos seus concidadãos, apenas obterá esta informação 5 dias antes da Assembleia Municipal se realizar.
Pergunto, se os dados estão disponíveis e ainda não foram a reunião de Câmara, como é que são dados a conhecer de antemão apenas e só a socialistas?
Por qual motivo não se faz chegar estes documentos com maior antecedência aos restantes órgãos municipais?
Como pode alguém apreciar competentemente e aprofundadamente documentos complexos, com tão pouco tempo para os avaliar? É preciso não esquecer que os deputados municipais não são políticos a tempo inteiro! É esta a politica de transparência que tanto apregoam?
Na verdade, neste particular de fornecer informação organizada, atempadamente e de forma idêntica em todos os documentos, denotam uma vontade de transparência tão grande, mas tão grande, que não se vê!
O colunista que ainda a semana passada escreveu um artigo que titulou de “Um concelho para todos”, percebo agora que foi atraiçoado pelo corrector ortográfico, pois o que ele queria ter dito era “Um conselho para todos…” Esse conselho era, quem quiser saber onde se despende o orçamento, é fácil, basta militar, obviamente, o Partido Socialista!
Confesso que me passou pela cabeça aparecer na sede faialense do PS à hora marcada pelo camarada Luís Botelho, dizer-lhe que não sou antipatizante, apenas não votante, e assim, mesmo que a contragosto no local, poder obter informação que me permitiria com mais tempo, prestar um bom serviço aos faialenses no escrutínio da actividade camarária.
Não sei se serei o único a ficar incomodado com isto… julgo que este tipo de atitude deveria indignar todos os faialenses, mais ou menos simpatizantes de qualquer que seja o partido. Mesmo que não exista um expediente legal para condenar este tipo de acções, a realidade é que no mínimo, é de uma moralidade duvidosa, e apenas revela o despudor a que estes dirigentes socialistas chegaram. E termino mesmo citando Antero no discurso intitulado Causas da decadência dos povos peninsulares – “Pelo caminho da ignorância, da opressão e da miséria, chega-se naturalmente, chega-se fatalmente, à depravação dos costumes”. 

17.04.2018

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