O Caetano já é velhinho
Já tem muita Primavera
Trabalhei como um
burrinho
Qual futuro me espera
No meu tempo era assim
Trabalhar de sol a sol
Agora chegou ao fim
Já ninguém vai nesse role
Bem-aventurado aquele
Vinte e cinco de abril
Ninguém gostava dele
Porque tinha mau perfil
Era dia de São Marcos
Tinha defeitos enormes
Alguns andavam com sacos
Para guardarem os cornos
Era um dia de festa
Para a nossa população
Muita gente vinha à festa
Para ir na procissão
Era dia de alegria
Nas nossas povoações
Havia quem se escondia
Nas horas das coroações
Mas a festa não parava
Seguia sempre as tradições
E se alguém não gostava
Havia outras orações
Tinham de beijar o corno
Não dava para fugir
Até foi um para o forno
Mas de lá teve de sair
Tantos corninhos havia
No continente e por cá
Agora é tal alegria
Dos tais cornos não há
Aonde é que São Marcos
Com os cornos se meteu
Se não os tirou dos sacos
Então o corno lá morreu
O vinte e cinco de abril
Trouxe muita liberdade
Quando o cão sai do canil
Ataca mais a mocidade
É boa a liberdade
Para quem a sabe usar
Mas para esta mocidade
Não sei se vai resultar
Mas nós temos de levar
Tudo isto na brincadeira
E não convém estragar
Os rebentos à videira
O Caetano vai terminar
E a solução que me resta
Nas levadas vou ficar
E vai continuar a festa
Não mora na Canada Larga
Já mudei de direção
Como havia muita praga
Deu cabo do meu coração
Morava em Fonte do Meio
Estrada que liga o Cortão
Se acharem o nome feio
Escrevam Fonte do Capitão
Mas quanto aos corninhos
São como pecados mortais
Agora são mais mansinhos
Mas de resto são iguais
Eu não gostava de ser
Por isso fiquei solteiro
Já me vieram dizer
Solteiro corno inteiro