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22
junho

Apontamento - Educandos sem educadores e educadores sem educandos

Escrito por  Serafim Cunha
Publicado em Artigos de opinião
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Educar torna-se cada vez mais complexo independentemente do país, estado, cidade, ou vila em consequência da diversidade cultural, linguística, social e religiosa que as crianças e jovens presentemente trazem para a escola. Não é fácil dirigir uma aula com 20 ou 30 alunos quando alguns logo no primeiro dia exibem comportamento social negativo, não se focando na aprendizagem, necessitando de imediato métodos alternativos de ensino para os quais muitos docentes não foram preparados ou não têm assistência pedagógica apropriada.
Todos os anos há escolas que começam as aulas com falta de docentes não especializados em áreas de ensino e aprendizagem (educação especial, conflitos escolares, sociais e racionais, cidadania etc.) que hoje são mais indispensáveis do que nunca, para satisfazerem os quadros requeridos para o ensino de alunos e alunas a todos os níveis. Como nem todos os anos escolares surgem novas teorias pedagógicas que possam exigir que os livros sejam revistos e reeditados, o que é dispendioso para o agregado familiar e para o sistema escolar, há países onde isso não acontece porque os educandos respeitam os livros escolares, sendo estes usados no ano seguinte por outros alunos(as). Anualmente a maioria dos governos dizem-nos que há docentes para todas as áreas académicas e técnicas, contudo, no dia da abertura faltam sempre professores e auxiliares, psicólogos e enfermeiros, chefes e ajudantes de cozinha, bem com os funcionários que mantêm a escola limpa e, nas últimas décadas, agentes de segurança em consequência do agravamento da violência escolar (bullying) e homicídios.
Nem sempre na instrução/educação o aproveitamento cognitivo reflete o esforço do docente e o investimento governamental ou mesmo familiar, sendo uma grande preocupação para a sociedade. O desequilíbrio entre as classes sociais é cada vez mais marcante, o que leva com que os estudantes provenientes de faixas sociais menos favorecidas tragam para a escola diversas lacunas básicas, o que em parte é compreensível por refletir a atual problemática socioeconómica. Como é reconhecido, ordenados mínimos criam todo o tipo de limitações a uma família. As crianças e jovens não querem ser diferentes dos colegas quanto ao vestuário, computadores, telefones portáteis, sapatilhas/sneakers, etc. Inapropriadamente há jovens que recorrem ao furto, para não serem diferentes dos que têm tudo ou quase tudo.
Num sistema escolar apoiado pelos encarregados de educação e a administração escolar, com uma equipa de docentes motivada, conhecedora do currículo/matéria, positivamente dedicada e treinada em métodos de ensino cooperativo inclusivo têm a probabilidade de obter resultados muito positivos independentemente da etnia, cultura, ou idioma que os educandos trazem de casa. É relevante o método comportamental colaborativo/cooperativo ensinado e (aceitação, respeito mútuo, etc.) exigido pelos docentes, o que facilita os objetivos educacionais previstos pelos docentes que usam o método cooperativo de ensino-aprendizagem. Depois da interação ser positiva na aula, o sucesso académico e social é atingível, já que todos os educandos se aceitam, entreajudam e se respeitam. O trabalho em grupo/equipa onde a interdependência positiva e a responsabilidade individual é desenvolvida e organizada por grupos heterogéneos (pares ou grupos de quatro alunas(os), o ensino e a aprendizagem torna-se mais fácil.
Falar-se de docentes é tratar de um grupo profissional pouco respeitado pelo governo local, nacional e internacional. O número de greves tanto na América do Norte como na Europa confirma a falta de respeito para com os professores, bem como em muitos outros países no mundo onde se diz haver excesso de docentes. Em contrapartida nos países de expressão portuguesa em África há milhões de crianças e jovens, mas os docentes são poucos para satisfazer as necessidades mínimas.
Como podem ser motivados os docentes se ensinam ano após ano sem serem recompensados pelo seu trabalho que é difícil, complexo, esgotante e mal pago. Professores que todos os anos mudam de escola, cidade, distritos, só com uma vontade inesgotável podem subsistir. Os mais lesados com as mudanças contínuas dos docentes são primeiramente os educandos, embora todo o agregado familiar acaba por ser afetado. Hoje em dia, mais do que nunca, as greves dos docentes são um acto comum na maioria dos países, por estes não serem equitativamente pagos como outros profissionais com aptidões académicas iguais ou até menores. É lamentável que se esqueça facilmente que foi uma ou um professor que lhes deu a instrução e educação básica, sejam estes trabalhadores rurais ou industriais, engenheiros, médicos, ministros ou cientistas hoje reconhecidos mundialmente. Os docentes, titanicamente, lutam pela sua profissão, todos os anos e os sindicatos, embora muito politizados, sabem que sem diálogo e consenso nunca atingirão os objetivos desejados para o progresso e desenvolvimento das crianças e jovens que despontam para uma sociedade exigente, competitiva, digitalizada e estruturada globalmente.

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