O mensageiro da boa nova da construção das RESA (Runway End Safety Area) no aeroporto da Horta foi o deputado faialense à Assembleia da República João Azevedo e Castro.
Após uma reunião com a direção do aeroporto da Horta, na qual também estiveram presentes os membros da Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, este eleito trouxe aos faialenses uma excelente notícia que se prende com o facto de a ANA/VINCI ter previsto no seu Plano de Investimentos, a realizar entre 2018 e 2021, a construção das áreas de segurança da pista do aeroporto da Horta (RESA), num investimento que irá superar os dez milhões de euros.
Todavia, não pensem os mais incautos e os menos entendidos nesta matéria que estamos em presença de um efectivo aumento da pista. Não. A ANA/VINCI vai limitar-se a construir no final de cada uma das cabeceiras da pista mais 90 metros, os quais servirão apenas para garantir mais segurança aos aviões na aterragem e descolagem.
Apesar de esta notícia não deixar de ser relevante para a ilha, de modo a perspetivar um projeto futuro mais abrangente que será a ampliação da pista para os 2050 metros, tanto mais que a ANA recorrerá a capitais próprios para financiar a obra, o que é certo é que a necessidade de construir as zonas RESA com esta dimensão resulta, não de quaisquer manifestações dos faialenses, mas sim da exigência de uma norma internacional imposta pela ICAO (Organização Internacional da Aviação Civil).
Isto significa, pois, que se a ANA/VINCI não avançasse a curto prazo com a criação das zonas RESA, a pista do aeroporto da Horta corria um sério risco de não cumprir as normas da ICAO, com todas as consequências daí resultantes, sobretudo em termos de tráfego aéreo.
Mas, este anúncio público por parte do deputado faialense na Assembleia da República João Castro, apesar de se tratar de uma matéria privada, cuja jurisdição e fiscalização incumbe à República, pareceu indiciar uma descoordenação entre elementos do mesmo partido e um completo desconhecimento por parte do Governo Regional e do seu Presidente em relação a esta matéria.
Efetivamente, não deixa de ser estranho que, depois dos constantes protestos dos faialenses relativamente às acessibilidades aéreas à ilha, concretizados com as duas manifestações em frente à Assem-bleia Legislativa, o Presidente do Governo Regional não tenha chamado a si a incumbência de transmitir aos cidadãos da ilha do Faial esta importante novidade.
Isto é tanto mais relevante quanto o facto de, naquela semana, estar a decorrer na Horta o plenário da Assembleia, com um debate de urgência acerca dos transportes, acessibilidades aéreas e o subsídio social de mobilidade e o Presidente do Governo poder munir-se dessa obra para desarmar quaisquer argumentos da oposição.
No entanto, analisando por outro prisma este surgimento de João Castro, com uma intervenção em assunto de tamanha relevância para a ilha do Faial, poderá tal significar que o mesmo se estará a tentar posicionar dentro do Partido Socialista no Faial para o momento em que o partido indique os seus candidatos pelos Açores às próximas eleições legislativas nacionais, que são daqui a pouco mais de um ano.
Há, pois, que aguardar pelos próximos capítulos deste filme político, e mais importante ainda, pela colocação em prática, no terreno, do plano de investimentos da ANA/VINCI para o nosso aeroporto, pois parece hoje que os faialenses conseguiram chegar à fase das Re(Z)AS, mas, como disse São Tomé “só vendo para acreditar”, o que significa que só quando as obras estiverem no terreno, é que acreditaremos na sua concretização.