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06
julho

Mas eu não ando com loucos...

Escrito por  João Stattmiller
Publicado em João Stattmiller
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“Mas eu não ando com loucos”, observou Alice.
“Oh, você não tem como evitar”, disse o Gato, “somos todos loucos por aqui.
Eu sou louco. Você é louca.”
“Como é que sabe que eu sou louca?”, disse Alice.
“Você deve ser”, disse o Gato, “senão não teria vindo para cá.”

Em "Alice no País das Maravilhas" de Charles Lutwidge Dodgson

 

Tive um coelho em casa dentro de uma gaiola e certo dia, triste de o ver aprisionado, resolvi deixar a gaiola aberta. Ao chegar a casa ao fim do dia o coelho continuava dentro da gaiola, todo encolhido a um canto, tremia de medo. Que medo é esse? Medo da liberdade? Medo de ser livre? Perguntei... Algumas respostas trazem um coro duro, memorial, gesticulam cheias de desenhos por dentro da clausura, do cenário que é agora o seu. O coelho observa-as como se observasse gente numa feira, toca-as de alguma estranha forma imaterial. As respostas emudecem e sossegam. Descem vagarosas, quase líquidas para aquele chão. Só a mim pertencem as respostas, oiço-o a adverti-las. Sejam, por isso, menos abandonadas ao perto que são todas as perguntas. Vês este coelho? Ele é dentro a alma suspeita das perguntas. Credo, penso eu, este coelho capaz de sulcar o chão como o próprio céu reduz o seu sentido a um simples eixo. Porque o pensas, pergunta-me. Porque não me podem pertencer as minhas próprias respostas? As que tens perante ti, são as minhas. Cá dentro e lá fora. Pertencem-me. Chamei-as, diz-me. E movendo-se como se fosse feliz, para uma verdade sem fim exclama: “Não, não são tuas estas. Não são tuas porque as não tens. Estas são apenas as respostas que serão as tuas perguntas.” Recolhe-se combalido. Dentro da gaiola também é possível entristecer. Bem podia este ser um prado macio, uma manta envolvente. Mas não. As grades são, ainda assim, um candeeiro no seu descanso. Eléctrico. Entorpecente. Abre os olhos para o obscuro momento que vive. Quem o mandou ficar na gaiola? Insiste em ser cinzento onde haveria de haver a subtileza das árvores, ou uma brisa simplesmente, ou uma panela, ou um murmúrio de vozes, ou uma criança gritando, ou um cão vagueando, ou o gado mugindo, ou uma estrela em movimento, ou tudo aquilo fazendo esse trabalho tão intenso de estar vivendo. Mas não, e não compreendo porque desenho sempre esse compêndio das primitivas e trágicas coisas pensativas, das desumanas correntes da prisão. Digo-lhe: “Muitas vezes confundes a liberdade com essa unidade pela qual medes o lugar onde te prendes. Não há nada mais errado. Pensa. Um limite é um muro na retina, um obstáculo para o que sonhas. Lugar onde vais esperar o corpo estendido para a morte”. O Coelho lança-me um olhar hemorrágico e responde: “O limite mede-se nos seus algarismos. Portanto, se olhares em volta põe uma mão na frente para fingir que te perdes. É sempre melhor do que estares seguro na outra embriaguez que te bebe, que seres redondo e imprudente, que seres distante só em números. Nascemos já prisioneiros da morte. A liberdade é uma conquista efémera.”

 

DR

"Medium", personagem do coelho no filme Alice no país das maravilhas (2010) de Tim Burton.

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