A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que, até 2035, o número de pessoas diagnosticadas com cancro (ou neoplasia maligna, ou seja, doença oncológica) chegará a 24 milhões por ano - um aumento de quase 70% no número de pessoas diagnosticadas atualmente, estimado em mais de 14 milhões. O que é o cancro? São células que por algum motivo sofreram alterações no seu ADN, se tornaram defeituosas e se multiplicam com esse defeito, com potencial para invadir e se espalhar para outras partes do corpo (metástases), além do local original. Certo é, que a sua causa é multi-fatorial.
Nos países em desenvolvimento, calcula-se que pelo menos 50% dos casos esteja relacionado com um estilo de vida errado (alcoolismo, tabagismo, obesidade, sedentarismo, alimentação pouco saudável), na exposição à radiação e a substâncias tóxicas e viver em ambientes poluídos. Cerca de 20%, surgem devido a infeções virais, tais como hepatite B, hepatite C e vírus do papiloma humano (HPV). Estas podem causar, pelo menos parcialmente, alterações genéticas nas células. Entre 5% e 10% dos cancros, tem origem em defeitos genéticos hereditários.
A chave para lidar com o cancro e tratá-lo de forma apropriada é diagnosticá-lo cedo. Faça os rastreios! Infelizmente, algumas pessoas morrem de cancro que poderia ter sido detetado cedo se ... tivessem feito exames médicos. Algumas causas de cancro podem ser evitadas. Os cancros mais comuns entre as mulheres são o de mama, do colo do útero e do ovário; entre os homens, o da próstata e do cólon-retal; em ambos sexos, dos pulmões, do fígado, do estômago e da pele. Diagnóstico precoce significa menos sofrimento tanto para o paciente como para a família. E permite que os médicos tomem medidas a tempo.
É especialmente complicado lidar com os efeitos colaterais da quimioterapia e/ou radioterapia que debilitam o sistema imunológico. Isso tem um forte impacto na autoestima e no amor-próprio do paciente. Sessões diárias de quimioterapia causam valores baixos de anemia, sendo necessário recorrer a suplementos de ferro e eritropoetina para aumentar a contagem de hemácias, até mesmo, à transfusão de concentrado de hemácias.
Um aspeto muito importante do tratamento de cancro é a enorme necessidade do paciente de receber apoio amoroso da família e dos amigos. Pode ser preciso recorrer à ajuda psicológica competente. É necessário encarar a realidade, vencer o medo de morrer, vencer os momentos de angústia e depressão e nunca desistir da Dádiva de Vida. Isso é fácil? Não. Só quem passa por isso é que Entende. Isto se combinado com a melhor estratégia clínica definida para o paciente, pode fazer toda a diferença. O tratamento tem de visar a totalidade da Pessoa, não o Corpo.
Para Raul Rego, presidente do Centro de Oncologia dos Açores (COA), atualmente o Cancro não é sinónimo de Morte. «As pessoas começam a encarar a doença de cancro com outros olhos», disse à agência Lusa, acrescentando que o elevado número de casos está diretamente ligado ao aumento da esperança média de vida. ”A associação entre o envelhecimento (pessoas com 65 anos ou mais) e o cancro é atribuída a deterioração natural do sistema imunológico produzido pelo envelhecimento, defeitos acumulados no ADN ao longo da Vida e com alterações no sistema endócrino.
Em todo o caso, o recado que foi deixado pelo combatente António Feio é: "Não deixem Nada por dizer, Nada por fazer". "É importante sonhar, estabelecer metas, ter objetivos na Vida, ainda que não os alcancemos. É isso que nos faz avançar, que nos leva mais longe." Em seu livro Aproveitem a Vida afirmou: “se há um problema é preciso resolvê-lo da melhor maneira, há que não ficar quieto, há que tentar de tudo primeiro, nunca desistir. Se as pessoas começarem a parar por um momento para olhar para casos como o meu, ou, simplesmente, para a sua própria Vida com olhos de ver, talvez comecem a relativizar os seus próprios problemas e possam perceber o que de facto vale a pena na Vida. Talvez assim a consigam aproveitar melhor. Aproveitem a Vida e Ajudem-se uns aos outros!”
José Garcia Dias