Tribuna das Ilhas

Infinity 8
  • Início
  • Local
  • Triângulo
  • Regional
  • Desporto
  • Cultura
  • Política
  • Opinião
  • Cartoons
Últimas :
Investimento privado no Faial – realidade ou utopia?
Educação - Escola Secundária Manuel de Arriaga ocupa o 496.º lugar do ranking a nível nacional
Eleições - Carla Dâmaso assume a presidência do OMA
Agricultura - Trybio organiza cursos de instalação de pomares e de poda de fruteiras no Faial
BTT – ESMA ATIVA Primeiro encontro de BTT da ESMA junta professores e alunos
“Eco Freguesia, freguesia limpa” - Candidaturas ao programa abertas até 15 de março
Saúde - Hospital da Horta assina protocolo com Câmara Municipal da Madalena para criação de Unidade de Hemodiálise
Efeméride - Azores Trail Run® regista 4000 inscritos em 5 anos
Faial - Governo Regional assina contrato para reabilitar Solar e Ermida de São Lourenço
  • Início
  • Opinião
  • Regina Santos
  • Ser, Ter ou Parecer
03
agosto

Ser, Ter ou Parecer

Escrito por  Regina Santos
Publicado em Regina Santos
  • Imprimir
  • E-mail

“Não basta ser. É necessário parecer”

Um pouco de história para iniciar. A frase "À mulher de César não basta ser honesta, é preciso parecer honesta" é atribuída ao imperador de Roma Júlio César que a teria proferido quando decidiu se divorciar de sua esposa, Pompéia. Segundo Plutarco (historiador) Pompéia realizou uma comemoração, em casa, apenas para mulheres (homens eram proibidos). Um jovem chamado Clódio entrou disfarçado de mulher, na casa, teoricamente, para seduzir Pompéia, mas foi descoberto, por sua voz, e levado a julgamento. Clódio foi inocentado, por falta de provas, mas Júlio César se divorciou da mulher, proferindo a famosa frase. Apesar de não existirem provas, os romanos já tinham uma opinião formada e se César mantivesse o casamento poderia se enfraquecer, perante o povo.
O que acontece é que vivemos em sociedade e somos frutos de um contexto. Ninguém nasceu sozinho, ninguém se educou sozinho, ninguém cresceu sozinho. Vivemos numa dependência mútua e, neste sentido, cada comportamento nosso tem uma consequência social. Ignorar que as nossas palavras, ações e decisões afetam quem nos rodeia revelaa ingenuidade. O ditado fala de coerência entre discurso e ação. O que o ditado valoriza é que aquilo que dizemos ser e defender (Ser) tem que se refletir em conformidade com as nossas ações (Parecer/Exteriorizar).
A aparência é a exteriorização de algo que não reflete, necessariamente, o Ser. Muitas vezes, fala de um papel desempenhado, dentro de um contexto. É preciso, por isso, encontrar uma forma de equilibrar o que somos e o que parecemos, sem nos vendermos pelo meio. Desejo que, cada um de nós, esteja atento de forma a agir de acordo com o que diz ou defende. Penso que a grande questão de todos nós, é essa falta de coerência entre o que dizemos e o que fazemos. Bom, mas termos consciência disso já é meio caminho andado, para melhorarmos esse nosso aspeto. Ou pelo menos deveria ser.
A grande diferença entre o “Ser” e o “Ter” é uma sociedade estar centrada nas pessoas ou estar centrada nas coisas.
O "Ter" é ilusão, é pura aparência, é efemeridade, indiferença, intolerância, enfermidade, solidão. O "Ter" não tem esperança porque se esgota nele próprio, alimenta-se dele próprio exigindo sempre mais "Ter".
"Ser" é humanidade, consciência social, livre arbítrio, liberdade, igualdade, fraternidade, solidariedade, cultura, preocupação ambiental, tolerância, aceitação e preocupação do outro... Este é o meu pensamento, a minha opção tentar "Ser".
A nossa imagem constrói-se, a todo o momento, desde o banco da escola ou da universidade até ao cargo ou função mais elevados que possamos ocupar. Acredito, plenamente, que o "Ser" tem que se sobrepor ao "Ter". Sei que não é o sentimento dominante, nesta sociedade, preocupada com uma globalização, essencialmente, financeira e especulativa, pelo vírus da ganância alojado na mente, de certos "yuppis" e de certas "empresas", por uma tecnologia que parece tudo explicar e dominar e por uma visão maniqueísta das relações humanas que pretende conduzir-nos para perigosos desvios, assim como para um choque de civilizações e religiões obsoleto, retrógrado, sem cabimento e sem esperança, causador de tanto sofrimento.
Afinal, é preciso ser e parecer...e ser de confiança passa, necessariamente, por demonstrar que se quer exercer o poder para executar uma política diferente, que consideramos fundamental. Quando se diz que se é de confiança, não basta afirmá-lo, é preciso sê-lo.
Triste Sociedade onde ter e parecer são mais importantes que ser.

Lido 515 vezes
Classifique este item
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
(0 votos)
Tweet
Etiquetas
  • opinião
  • Ser
  • Ter
  • Parecer
  • sociedade
Login para post comentários
voltar ao topo
  • Perdeu a senha?
  • Esqueceu-se do nome de utilizador?
  • Registe-se!
  • Contatos
  • Pesquisa
  • Assinatura
Copyright © Tribuna das Ilhas 2026 All rights reserved. Custom Design by Youjoomla.com
Opinião