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10
agosto

Constatações

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
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MATEM O MENSAGEIRO
Como açoriano e como cristão, senti vergonha e indignação quando assisti à reportagem da TVI sobre o que se poderá estar a passar nalgumas Misericórdias dos Açores (especialmente na de Ponta Delgada) nos cuidados continuados a idosos.
Mesmo se lhes retirarmos algum eventual sensacionalismo jornalístico, os dois programas transmitidos e o debate que se lhes seguiu constituem um libelo acusatório grave e que não pode deixar ninguém de consciência tranquila: desde logo, a Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada (que nega tudo, mas não quis dar explicações) e o Governo Regional (que, como é habitual, faz de conta que está tudo bem), mas também o Ministério Público, o Delegado de Saúde e outros envolvidos.
Para além daquilo que a reportagem apresentou sobre a realidade dos cuidados prestados aos idosos naquela Casa (que, a serem verdade, de Santa só terá o nome…), o que me parece verdadeiramente preocupante é que aquelas denúncias, na sua maioria, não eram recentes. Algumas tinham anos. E, inclusivamente, tinham sido abordadas na Comunicação Social dos Açores: por exemplo, em agosto de 2016, o Açoriano Oriental já havia noticiado, em primeira página, as denúncias de maus tratos a idosos naquela Misericórdia. Mas a verdade é que isso de muito pouco serviu!
Agora, quando a denúncia é feita na Televisão e por um órgão de visibilidade nacional, de repente, aparentam ficar todos preocupados. Com os políticos à cabeça, é um ver se te avias de comunicados, conferências de imprensa, audições, inquéritos, declarações, entrevistas, mas tudo, convenientemente, a nível regional: o poder instalado sabe bem como domesticar e anestesiar o bom povo dos Açores e jogar com a fragilidade da Comunicação Social açoriana, enquanto espera que a denúncia a nível nacional vá caindo no esquecimento. Para tudo, depois, voltar à normalidade…
Mas verdadeiramente patética é a reação de alguns dos intervenientes regionais nesta lamentável situação. Quem os ouve, vê e lê, até parece que foi a Comunicação Social que inventou tudo. E perante esta vergonha açoriana assim exposta, o que esses intervenientes quase defendem é sacrificar o mensageiro da notícia em vez de se preocuparem em resolver o problema, como se fosse a Comunicação Social a culpada…
A História é pródiga em exemplos desta prática que perdura até hoje: diante de más notícias, muitas vezes os decisores preferem matar o mensageiro em vez de se preocupar com aquilo que terão de enfrentar adiante.
Parece ser este mais um triste, vergonhoso e lamentável exemplo…

O AEROPORTO DA HORTA NÃO É PROPRIEDADE DA REGIÃO. E QUAL É O PROBLEMA?
O Governo dos Açores acaba de anunciar a abertura do concurso para a construção do novo Terminal de Cargas do Aeroporto das Lajes, na ilha Terceira, no valor aproximado de 5 milhões de euros.
Ótimo! Parece ser uma obra necessária e importante para aquele aeroporto, para aquela ilha e para os Açores. Por isso, congratulo-me e só tenho a dizer: faça-se!
Mas nesta obra agora anunciada há alguns pormenores interessantes e plenos de significado. Desde logo, o Aeroporto Internacional das Lajes é uma infraestrutura que não pertence à Região (com a exceção da Aerogare Civil, construída em terrenos da Região pelo Governo Regional em 1976 e que sofreu, depois, ampliações e melhoramentos vários).
Por outro lado, para avançar com a obra do novo Terminal de Cargas, o Governo Regional comprou ao Governo da República, por 148 mil euros, os terrenos onde irá construir aquela nova infraestrutura!
E porque são importantes e cheios de significado estes “pormenores”?
Porque o mesmo Governo Regional que decide fazer – e bem! - esta infraestrutura na ilha Terceira, é o mesmo Governo que não quer de todo assumir nenhuma responsabilidade na ampliação da pista do aeroporto da Horta, com o argumento de que ele… não é propriedade da Região!!!
Ora, a construção do novo Terminal de Cargas do Aeroporto das Lajes é a prova de que a questão de se ser da Região ou da República não é, neste como em muitos outros casos, um verdadeiro problema…
O Governo Regional teve a vontade política e decidiu avançar com o investimento… e a questão dos terrenos e do aeroporto serem do Governo da República… não foi problema, nem obstáculo!
Em conclusão: esta decisão prova que a questão da propriedade… só é problema quando e onde se quer…
Nomeadamente no Faial!!!
Até quando durará esta teimosa cegueira política?

E NO FAIAL CONTINUAMOS A DORMIR À ESPERA DE…?
Segundo noticiou, no dia 6 agosto, o “Jornal de Negócios”, as autarquias da zona centro de Portugal querem um aeroporto na região. Em setembro, a Câmara Municipal de Coimbra vai entregar ao Governo dois estudos para ajudar a determinar a melhor opção para que a região passe a ser servida por um aeroporto comercial. Na construção de uma nova infraestrutura aeroportuária “A intenção passa por recorrer aos fundos europeus do Portugal 2030 para pagar parte do custo de um novo aeroporto, ficando as autarquias envolvidas encarregues de suportar o custo restante”, disse Manuel Machado, autarca de Coimbra, em declarações ao matutino.
Enquanto ativamente outros trabalham e apostam atempadamente em arranjar soluções para o futuro das comunidades que servem, no Faial e nos Açores dorme-se, pachorrentamente, sobre a ampliação da nossa pista, à espera de…? 


06.08.2018

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