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17
agosto

Reflexões Crónicas - Pensando a Semana do Mar (II)

Escrito por  Tiago Simões Silva
Publicado em Tiago Silva
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No meu último texto deixei alguns pensamentos acerca da Semana do Mar (SM), defendendo que é preciso alterar o modelo, que se mantém, em linhas gerais, o mesmo há lar-gos anos.
Neste acrescento outro ponto, oposto e complementar. A imagem da SM, ou seja, os seus símbolos (logotipo, cores, marcha), mudam todos os anos. Quando chega aquela fase da semana em que conseguimos já cantar a marcha em conjunto está a semana a acabar, e para o ano vem outra para se aprender. Uma das primeiras coisas que aprendi em Marketing foi a importância de uma imagem coerente (por imagem entenda-se sím-bolos, etc.). Se queremos que a SM tenha uma imagem forte, que se projecte longe, não podemos mudar-lhe o logo todos os anos. Imagine-se irmos ao supermercado e as marcas que costumamos comprar mudarem de imagem todos os meses. Consegue imaginar o tempo que perdia a ter de ler rótulos e rótulos a perceber se o produto era o mesmo do mês anterior? E porque temos slogans e músicas de campanhas no ouvido? Porque os ouvimos repetidamente. Porque sabemos o Hino Nacional e quase ninguém sabe o dos Açores? Porque o primeiro aprendemos e vamos cantando ao longo da vida, já o segundo raramente se ouve. Mesmos eventos, como meras festas, criam imagens fortes e coe-rentes, que ajudam a criar e a manter público de ano para ano. Portanto, em minha opinião (e creio que será partilhada com a maioria das pessoas que trabalham com Publicidade ou Comunicação), a SM devia ter uma imagem forte, bem pensada e que se mantivesse o tempo suficiente para criar impacto. Ironicamente, o que devia manter-se é o que muda todos os anos, enquanto tudo o resto (que devia mudar) se vai mantendo e é dado como garantido e imutável.
Um bom barómetro da SM, e de como é vista por quem a organiza, é a entrevista ao Presidente da CMH (PCMH), que ocorre no dia de encerramento. No ano passado, em pleno calor eleitoralista, quando questionado sobre as críticas à SM, o PCMH respondeu “eu valorizo muito a crítica”, seguido de “Não, eu acho que não se critica (a SM)”. Portanto, ou acha mal ou então não ouve as críticas que se fazem. De seguida, depois de gabar o “maior espectáculo de sempre” (feito na véspera por uma artista brasileira) e a presença de nomes nacionais e internacionais, afirmou que a festa é feita pelos locais e que “nós não queremos uma festa em que tenhamos artistas de fora”. Em que ficamos? Bom, basta ver os programas e fazer as contas ao espaço ocupado pelos da casa e pelos de fora. De resto, afirmou mais à frente, a respeito das críticas (depois de ter dito que elas não existiam...): “Não é fazer textos de um ano para o outro e o texto é o mesmo”. Aí estamos de acordo, deve mudar-se “o texto” (este por acaso foi iniciado no ano passado, mas assenta que nem uma luva em 2018...). Fiz então um exercício de comparação entre essa entrevista e a deste ano. Tiveram pontos diferentes abordados, mas a essência foi a mesma. Resumindo:


Concordo que devemos pensar no futuro e fazer melhor, que devemos “puxar o Faial para cima” (será assim?...) e que a SM deve ser uma festa, sobretudo náutica, e não um mero festival de Verão. E devemos começar por alterar a imagem. Este ano, por exemplo, na página oficial da SM (abaixo) não há uma única imagem alusiva ao Mar nem ligação para a página do Clube Naval, apenas para a da CMH, e o destaque é todo dado aos artistas (de fora...), num modelo muito semelhante à imagem dos ditos “festivais de Verão” que a SM “não é”.
Por fim, permito-me dois elogios. Um (enorme) ao CNH, não pela SM em si, mas pelo ano e pelo trabalho de todos os dias, que está bem patente na sua página (abaixo), bem preenchida, muito mais organizada e bem gerida que muitas páginas institucionais que se vêem por aí e, ao contrário da da SM, actualizada em permanência com as actividades a decorrer. O segundo, ao presidente da CCIH, por ter abordado os problemas das ligações aéreas (e não só), uma atitude que faz falta entre nós, pois nestes momentos só se ouve falar no “sucesso” e no “foi tudo bom” e fica de fora perceber o que está mal para tentar melhorar.
De resto, este texto, como os restantes, é um modesto contributo para uma (tentativa de) melhoria possível.

 

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Veja-se: <www.semanadomar.net> e <www.cnhorta.org>

Em defesa da Língua Portuguesa, o autor deste texto não adopta o "Acordo Ortográfico" de 1990, devido a este ser inconsistente, incoerente e inconstitucional (para além de comprovadamente promover a iliteracia em publicações oficiais e privadas, na imprensa e na população em geral).

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