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  • A Festa do Mar
17
agosto

A Festa do Mar

Escrito por  Maria do Céu Brito
Publicado em Maria do Céu Brito
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A realidade, qualquer que seja, é sempre uma construção edificada sobre a nossa perceção. Esta é moldada pelas nossas experiências culturais e sociais, mas evidencia sempre um olhar e uma experiência única e pessoal.
Assim, começo com o Programa soberbo do Festival Náutico da Semana do Mar, onde participaram inúmeros atletas, jovens e menos jovens, “sereias” e “velhotes”, nas múltiplas Regatas: de Cruzeiro, Botes Baleeiros, Mini-Veleiro, nas provas de Natação, de Apneia, no campeonato de Pólo Aquático... Tão excelente programa exigiu uma grandiosa organização. O Clube Naval está, pois, de parabéns! O Festival Náutico é uma referência histórica e constitui sempre o ponto alto da Semana do Mar.
Vamos ao Festival em terra. Há a registar um aspeto muito interessante, relativamente às opções ambientais: o copo reutilizável. Já tinha sido posto em prática no Festival Maravilha, edição de 2018, mas ainda bem que ousaram seguir o exemplo na Semana do Mar. Quanto aos concertos no palco da avenida, embora não tenha visto todos, os Resistência trouxeram até nós velhos êxitos dos “Delfins”, “Xutos e Pontapés”, e foram contagiantes na sua alegria e boa disposição. De facto, a alegria é uma manifestação existencial de resistência, de liberdade e de vida. Somos e resistimos, acrescentamos ao tempo a alegria de ser aí, com amigos, a brindar à vida com um copo reutilizável. O concerto da Marisa foi memorável. A artista tem uma força e um magnetismo poderosíssimos, uma presença e uma voz lindíssimas. A banda, constituída por músicos de excelência. Em certos momentos, a provocação, o inusitado. E milhares de pessoas de braços erguidos, expressando uma alegria comum.
Quanto à tristeza? Também a vi nos rostos fechados de alguns jovens e alguns adultos no Desfile das Freguesias. Foi boa a intenção de fazer dialogar os conceitos de Património, Passado e Futuro, mas a maioria das freguesias fixou-se no passado. Talvez porque olhar o futuro exige a invenção do diferente, o imprevisto, a ideia inovadora. Um Desfile desta natureza, com milhares de pessoas concentradas nas ruas a assistir, pressupõe energia, o sorriso, a alegria contagiante, a criatividade; pressupõe um pulsar alegremente durante todo o percurso, o que não aconteceu. Este evento ficou infinitamente aquém. Mais uma vez. Faltou-lhe dinâmica, alegria, irreverência. O grande desafio de futuro, para quem organiza este Desfile, é promover junto dos participantes a pedagogia do Sorriso, da Alegria e da Festa.

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