Após um período de descanso em que os políticos nacionais e regionais foram a banhos, eis que chega setembro e com ele o regresso da política pura e dura, ou melhor, usando as palavras do comentador televisivo Marques Mendes, o regresso do forrobodó.
São rentrées e mais rentrées, são promessas e mais promessas em vários locais do país, desde Caminha, no Norte, da autoria do Partido Socialista (PS), passando pelo Centro, em Leiria, com o Bloco de Esquerda (BE) até ao Algarve, mais concretamente no Pontal, através do Partido Social Democrata (PSD).
Nesta reabertura das hostilidades políticas, o PS trouxe a promessa de uma redução significativa no IRS, na ordem dos 50%, para os emigrantes que tenham saído de Portugal entre 2010 e 2015 e pretendam regressar durante os anos de 2019 e 2020.
Os Bloquistas, num estilo que lhes é peculiar, criticaram duramente o Governo por falta de investimento, fazendo esquecer ao cidadão que este é um dos partidos que tem apoiado esta maioria governativa há três anos.
E o PSD, para além da realização de um jogo de futebol, não apresentou quaisquer propostas, limitando-se Rui Rio a responder às críticas dos críticos internos da sua liderança.
E se do Algarve, o líder social-democrata parte em direção à vila alentejana de Castelo de Vide onde, no próximo domingo, discursará no fecho da tradicional Universidade de Verão do PSD, por cá, mais precisamente na ilha de Santa Maria, já aconteceu uma das bandeiras do ainda Presi-dente do PSD.
Falamos da Universidade de Verão da JSD/Açores. Duarte Freitas, que abandona a liderança dos sociais-democratas açorianos no dia 29 de setembro, deslocou-se à ilha branca para reafirmar aos “jotas” que continuará a ser um “soldado” ao lado do novo presidente, desde que isso não o afaste da sua “casa e família”.
Pareceu, pois, um fechar de portas à sua presença como candidato nas próximas eleições europeias.
Ainda antes das eleições para a liderança do PSD, todos os caminhos irão dar à ilha Terceira, onde os socialistas açorianos se reunirão em Assembleia Magna para aclamar o seu presidente. A moção que Vasco Cordeiro apresentará intitula-se “Pelos Açores com os Açorianos”, e traz como novidade, para além da exigência de extinção do cargo de Representante da República, a criação de uma ligação mais intima entre a Administração Pública e o cidadão através do chamado “Onde está o meu processo”?
E, como não podia deixar de ser, também pelo Faial assistimos a algumas rentrées políticas. No PSD, depois de um agosto quente em que alguns lançaram uma suposta demissão de Estevão Gomes do cargo de Presidente da Comissão Politica de ilha e o nome do seu provável sucessor, eis que afinal tal não correspondeu à verdade, pois o mandato será levado até ao fim, isto é, até ao mês de dezembro.
Do lado do PS/Faial não houve rentrée, dando a entender que tudo corre bem na ilha e que os problemas surgidos no Hospital da Horta com mais uma morte em ambiente hospitalar, os sucessivos cancelamentos da SATA na ligação Lisboa-Horta-Lisboa, com custos significativos para o nosso turismo, ou os números negativos das dormidas na hotelaria tradicional e em espaço rural, não fazem parte da sua lista de preocupações imediatas.
Por último, mais cedo do que é habitual no calendário político, o Presidente da Câmara Municipal deu o tiro de partida e lançou a obra da Frente Mar, considerada por aquele como o “principal desafio ao nosso desenvolvimento” para aqui “se fixarem cada vez mais microempresas e jovens empreendedores”.
Daqui a um ano cá estaremos para ver novas rentrées.