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14
setembro

Nunca choraremos bastante...

Escrito por  João Stattmiller
Publicado em João Stattmiller
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Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

Nos dias que correm são particularmente úteis os livros pois as redes sociais na Internet, esses enormes penicos virtuais, fervilham de dejectos e activismo de sofá. De especialistas em aeroportos, gestores de companhias aéreas, pilotos e navegadores, arquitectos e engenheiros, políticos, advogados, biólogos, bombeiros, polícias, toda a sorte de sábios e afins. Uns mascarados outros nem tanto. Por ali está na moda criticar a SATA. E também nos cafés, em cartazes pela rua, na comunicação social, na assembleia legislativa... É de bom tom fazê-lo, politicamente correcto, cai bem e o povo aplaude.
Até o nosso presidente da câmara finalmente se rendeu à evidência de que o monopólio da SATA não nos serve e lá foi, com alguns anos de atraso, bater à porta da administração da TAP. Afinal os paninhos quentes que aplicou quando a TAP anunciou a sua saída da rota entre Lisboa e a Horta, as garantias que o tranquilizavam nessa altura, não se confirmaram. Era tão difícil prever que os monopólios, afinal, não nos servem... Mas, ainda assim, mais vale tarde que nunca e se José Leonardo soube, apesar de tudo, arrepiar caminho, mudar de discurso e dar passos na direcção certa, o mesmo não se poderá dizer de alguns outros políticos locais que se têm dedicado a exercícios de malabarismo verdadeiramente extraordinários.
Na saga de lutar contra a SATA há mesmo quem afirme que esta “em de ser corrida do Faial, sem apelo nem agravo”. Talvez sejam saudades das ligações marítimas para chegar a Lisboa pois, nas circunstâncias actuais, sem SATA vamos de barco. Confesso, com todo o respeito e simpatia pessoal pelo autor do apelo, o José António Martins Goulart, ilustre cidadão desta ilha e histórico dirigente do PS Açores, que não consigo deixar de considerar um enorme disparate apelar a que seja “corrida do Faial” a única companhia a voar para cá.
Para quem recentemente esteve em frente da Assembleia manifestando o seu protesto contra a SATA, ou algo assim, vir agora dizer que o problema “não se resolve com paninhos quentes e manifestações” é curioso, no mínimo. Reflecte bem o resultado desta última, infeliz e equivocada, manifestação. Aí sim o Faial foi severamente humilhado, não pelo cancelamento de voos, mas por tudo o que se passou, fora e dentro da própria Assembleia Legislativa Regional, como resultado dessa manifestação. Um “reality check” doloroso para os faialenses. Somos poucos, pequeninos e fracos. Nem todos perceberam infelizmente.
A instrumentalização do movimento social por uma certa oposição, sedenta de poder a qualquer preço, pode ter servido para nutrir vaidades e conseguir votos, entre os mais distraídos, mas perverteu o sentido do próprio movimento e deixou-nos mais isolados, orgulhosamente sós gritando: “Faial primeiro!!!” Criticando o aumento de ligações directas ao Pico, que nos beneficiam por igual, e exibindo cartazes de um bairrismo tolo e absurdo. Uma figura triste e indefensável da qual publicamente me demarquei e repudio pois o Faial não é, nem pode ser, isso. O bairrismo bolorento, observado também em certas laranjas da terra e outras frutas, não nos eleva e não serve o nosso interesse colectivo. O presidente do governo regional desta vez, e bem, simplesmente ignorou os “representantes” de tal manifesto, que era nenhum. Devemos reflectir sobre isso.
O movimento social, a pressão popular, é e continuará a ser uma saída. Talvez a única. O povo na rua é motor de mudança, com inteligência e determinação, mas sem lideranças bacocas e tiros ao lado, vazios ou nos próprios pés. Não somos a única ilha a ser prejudicada por este caos que se observa nas operações da SATA e é preciso cuidado com tentações populistas, eleitoralismo barato, alimentar sentimentos que criam desunião entre as ilhas e fazem parte do problema, não da sua solução.
Lembrem-se que a SATA é, ainda, de todos nós. Não de uns primeiro que os outros. Todos, de Santa Maria ao Corvo, pagamos o preço da má gestão da SATA, refém de jogos partidários e absurdas políticas nos transportes. O monopólio nas rotas do triângulo, os encaminhamentos gratuitos e a profusão de destinos internacionais, entre outras coisas, obrigam a companhia a prestar um serviço sem ter meios e recursos para o fazer de forma adequada e eficaz. A SATA não é a causa do problema, é vitima dele.
Aqueles, tanto no poder como na oposição, que agora se queixam do mau serviço da SATA, foram cúmplices e assobiaram para o lado quando se desenhou a saída da TAP. Como se não fosse já aí evidente qual seria o resultado, com todos os constrangimentos que agora nos afligem. Falam muito, mas na hora da verdade não se atrevem. São prisioneiros confortáveis com as grades da prisão, escravos do políticamente correcto, vassalos acomodados à sua zona de conforto, às benesses pessoais e migalhas que sobram na mesa do poder. Têm o que merecem. Reparem que o presidente da CMH parece ter finalmente despertado e desta vez está certo, acertou no alvo, a palavra chave é: “TAP”. Se já não vamos a tempo de impedir que saia, é agora lutar para que regresse. Não para “correr com a SATA”. Não! Não uma sem outra. Queremos e precisamos de ambas.
E por favor ler a obra do faialense Ricardo Madruga da Costa* onde encontramos uma fantástica “colecção de selos e peças filatélicas que descrevem as diferentes fases da história da aviação civil, desde os seus mitos e frustrações, passando pelo mais leve que o ar até ao surgimento do avião e ao progresso que o desenvolvimento tecnológico permitiu, nomeadamente quanto aos meios de propulsão, evoluindo dos motores a hélice para o jato e, depois para o transporte supersónico alcançando, por fim, o transporte espacial a marcar a transição para um novo patamar que apenas prenuncia um percurso imprevisível”.
Dessa história e evolução da aviação civil, fazem parte “a SATA, na sua concepção desde 1941 e na sua operação desde 1947, e os Açores, através da sua centralidade geográfica, especialmente no lançamento das rotas aéreas entre a América do Norte e a Europa, conforme referenciam algumas das peças filatélicas que integram o livro. Tendo uma colecção de selos como ponto de partida, Ricardo Madruga da Costa, porém, não se limitou ao seu ordenamento e apresentação. À organização histórica das peças, aduz um conjunto de apontamentos de natureza técnica, institucional e comercial que conferem à publicação a índole de um livro verdadeiramente didáctico." Também na página institucional da SATA há informação útil, pode fácilmente saber-se que a companhia tem sessenta anos de voos e setenta de história. E mais de 1.200 trabalhadores, muitos no Faial, com empenho e profissionalismo, apesar das circunstâncias difíceis.
A SATA surgiu com o objectivo de criar e dar asas à primeira companhia aérea Portuguesa, em 1941, os cinco fundadores da “Sociedade de Transportes Aéreos Açoreanos”, tinham por único objectivo acabar com o isolamento das ilhas. Acreditaram que a ímpar composição das nove ilhas, únicas no seu esplendor, teria argumentos suficientes para despertar o interesse do resto do mundo. O tempo veio provar que, não obstante as dificuldades, estavam cobertos de razão. A 15 de junho de 1947, o sonho dos fundadores materializou-se sob a forma de um pequeno Beechcraft chamado “Açor”. Foi com este primeiro voo comercial, realizado a 15 de junho de 1947, que simbolicamente descola esse ambicioso projecto de trazer a cada dia, o mundo aos Açores e levar os Açores ao mundo. É um lema e uma missão. Com know-how aeronáutico, de mais de sessenta anos de voos sobre o Atlântico. Em tons de azul, do céu e do mar, com um estilizado Açor pintado na cauda de todos os seus aviões, a SATA procura imprimir na sua identidade, e em tudo o que faz, parte da sua alma açoriana."
A SATA faz parte de nós! Sobre o leite derramado não vale a pena chorar e a Maria Ângela manda dizer que mais vale dois pássaros a voar que um na mão...

 

*No livro “Do Mito Nasceram Asas…Uma História da Aviação Civil”, à venda nas lojas da SATA.

 

DR

Ilustração: Beechcraft UC-45B Expeditor (CS-TAA), baptizado de "Açor". Museu da SATA. museudasata.pt

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