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19
outubro

HMS Farewell

Escrito por  Rui Martins
Publicado em Rui Martins
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Aproveito esta coluna para fazer um ensaio acerca do Her Majesty’s Ship Farewell, um malogrado navio de guerra…
Brincadeira! É mesmo o adeus a Helder Marques Silva (HMS).
Numa breve entrevista publicada no Correio dos Açores, HMS aproveitou para se vangloriar dos seus feitos, até porque ninguém o fez por ele. Importa por isso desmontar os alegados feitos.
Logo a abrir, HMS diz: “Eu sabia que há muita gente que no DOP, embora tenha mantido e até melhorado a sua situação contratual, queria uma situação de estabilidade institucional.”
É natural que as pessoas que depois de muitos anos a trabalhar em prol da instituição, sendo os principais responsáveis pelo reconhecimento externo desta entidade, quisessem ter um vinculo diferente. E houve oportunidades para tal, apesar de HMS não ser o único responsável. Já, relativamente à parte em que afirma que houve pessoas que tinham “melhorado a sua situação contractual”, esta não é verdadeira, e aqui o único responsável foi mesmo ele. Ninguém já contratado foi aumentado mesmo havendo possibilidade para o fazer, no caso de contratos associados a projectos ou protocolos, recusou-se alegando questões de estatuto entre os da casa e os restantes e tentando nivelar por baixo as remunerações.
Depois diz: “O IMAR não tem condições para contratar ninguém ad aeternum.”
Não é verdade. O IMAR tem quadro de pessoal com dezenas de funcionários técnicos e zero investigadores (que são a razão de ser do centro), com o qual HMS justifica a apropriação dos overheads (verbas suplementares ao orçamentado para execução dos projectos). Estes overheads existem, até porque há despesas não elegíveis nos gastos dos projectos como manutenção de aparelhos, compra de equipamentos, etc. No entanto HMS não autorizava estas despesas, e geria a seu bel-prazer estas verbas (como os belos portões que felizmente continuam abertos).
Continuando: “O IMAR o que faz são contratos, temporários, definidos no tempo e para o cumprimento de projectos muito específicos.”
Isto poderia ser verdade se não fosse como é, mentira. HMS fez contratações para o quadro técnico do IMAR.
A maior parte dos doutorados do IMAR já estão no Okeanos? “Já. Embora eu saiba que aquilo que eles aspiram é uma situação de estabilidade institucional. Entra-ram para o Okeanos também com esse objectivo.” A pergunta que se impõe é: quem é que no seu perfeito juízo entra para um Centro da UAc com aspirações de estabilidade numa instituição que não contrata investigadores há 25 anos? É muito mais provável que a motivação dos investigadores advenha do desejo de prosseguirem o desafio de continuar a fazer ciência.
Faz depois algumas considerações acerca das dificuldades de captar alunos para os mestrados e para o curso de Ciências do Mar, alegando que a procura por estas áreas a nível nacional se cifra em 40/50 alunos, para 5 Universidades. O que dizer acerca disto… Só na U. do Algarve entraram 45. Será que o problema não reside nos conteúdos programáticos? No facto de os “pontas-de-lança” da investigação, não estarem a leccionar esses cursos? Na falta de divulgação apropriada?
“Temos mais publicações, mais investigadores doutorados, mais alunos de doutoramento…” Reality check caro HMS, é exactamente o contrário desde que iniciou o seu mandato – menos publicações, menos investigadores e menos alunos, até porque estes três factores andam normalmente aliados. De referir que saíram pelo menos quatro Doutorados lideres de projecto e entraram alguns doutorados, mas como bolseiros de pós-doc a preço de licenciado precário.
E conclui: “…temos uma instituição mais consolidada e só tenho razões para estar satisfeito com o trabalho que foi desenvolvido durante estes anos. Fiz isso nas Pescas, fiz isso no Ambiente, fiz isso na minha passagem pelo Parlamento (...)t enho cumprido os objectivos que defino, tenho cumprido os projectos até ao fim(…)”
Um autoelogio fica sempre bem… Mas como eu não sou muito favorável a elogios desmerecidos como normalmente acontece por exemplo a titulo póstumo, porque parece que a morte tudo limpa, não posso deixar passar isto em claro.
A instituição DOP, não deu o salto para faculdade, departamento, nada, passou a ser uma sub-unidade orgânica na UAc, isto sob a sua guarda e com a sua conivência. Quanto a outras responsabilidades públicas exercidas, falta talvez lembrara a maior – Presidente da ALRA - durante 24h, alguém se lembrou a tempo… Por fim, se o objectivo era a divisão e a convulsão no seio do IMAR, o definhar e total esvaziamento do DOP no seio da UAc, e estabelecer uma situação de guerra-fria com o Governo, parabéns, objectivo cumprido!
De qualquer forma, agora é virar a página, com a esperança de que haja ruptura com este legado e que a comunidade esteja mais atenta ao futuro da investigação no Faial.

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