Habituámo-nos a assistir nos noticiários televisivos ao longo desta legislatura que, quando o Governo da República pretende fazer chegar aos cidadãos uma determinada mensagem, como sucede, por exemplo, com algumas medidas positivas constantes do Orça-mento de Estado, António Costa juntamente com os seus Ministros saem da capital e calcorreiam muitas cidades do país, de norte a sul, do litoral até ao interior, desdobrando-se em sessões de esclarecimento.
Num espetáculo mediático, meticulosamente preparado e onde a audiência é, muitas vezes, escolhida para não comprometer os intervenientes, este RoadShow nacional é, para esta geração de políticos, fundamental para transmitir a sua mensagem para além do Terreiro do Paço.
Algo parecido consagrou o nosso Estatuto Político-Administrativo. Quando inicialmente previu que o Governo Regional devia visitar uma vez por ano cada uma das ilhas da Região, pretendia-se que o executivo se deslocasse às ilhas para reunir com os cidadãos, com as forças vivas de cada um desses locais para se aperceber dos seus problemas, das dificuldades patentes e das politicas necessárias e mais adequadas para as combater.
Todavia, se no passado assim funcionou, hoje esta prerrogativa estatutária é entendida pelos nossos governantes mais como um espetáculo repleto de inaugurações, de visitas e lançamento de obras. E se antes esta ação se limitava a seis ilhas, atualmente estendesse a todo o território regional.
Por isso, para fazer vingar esta nova abordagem política, até porque daqui a dois anos teremos eleições legislativas regionais, o Presidente do Governo e os Secretários Regionais, juntamente com uma panóplia de adjuntos e assessores, aterraram na passada semana, de armas e bagagens, na ilha do Faial para uma visita de dois dias.
Tratou-se, desde logo, de um momento importante para os empresários locais, sejam eles da restauração, do comércio tradicional ou da hotelaria, pois permitiu-lhes obter algumas receitas numa altura em que o turismo decresce de forma natural.
Fazendo jus às obras lançadas porque inscritas na Carta Regional de Obras Públicas de 2015, Vasco Cordeiro inaugurou o Novo Mata-douro do Faial e a ampliação da creche “O Castelinho”, obras importantes, sem dúvida, para o setor agrícola e para a infância, respetivamente.
Ao mesmo tempo, lançou outras obras estruturantes para a ilha como sejam o Novo Quartel dos Bombeiros Voluntários e a Requalificação do Porto Comercial da Horta.
Todavia, no meio deste espectáculo, o Presidente do Governo esqueceu-se de dizer que o lançamento destas obras já estava programado para o 2.º semestre de 2015 e que o mesmo se arrastará lá para meados de 2019. Um atraso de 4 anos que não deixa de ser relevante na situação arquipelágica em que vivemos, mas, como costuma dizer o povo nestes casos, “mais vale tarde que nunca”.
Este “nunca” parece continuar a prevalecer em relação à 2.ª Fase da Variante à cidade da Horta, o que para o cidadão faialense não deixa de causar perplexidade.
Na verdade, ao longo dos anos o Governo Regional tem-se escudado para a sua não realização no facto de este tipo de obras não ter comparticipação comunitária, mas o que assistimos diariamente, na televisão e nos jornais, é que nas ilhas mais populosas a construção e a reabilitação de estradas regionais continuam a realizar-se a bom ritmo.
E o que dizer em relação aos transportes aéreos? A visita não trouxe nada de novo, pois a ilha continuará a sofrer em 2019 os mesmos constrangimentos a que esteve votada neste ano, apesar dos alertas do Conselho de Ilha.
Estranho nesta visita não deixou de ser o facto de o Conselho de Governo se ter reunido e não ter emitido qualquer comunicado, como estava programado. Será que tal poderá indiciar alguma surpresa menos agradável para a ilha?
Por este ano o RoadShow governamental está terminado. Agora resta-nos esperar por novos desenvolvimentos sabendo que nos próximos dois anos teremos eleições legislativas nacionais e regionais.