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01
fevereiro

Isto é uma ditadura

Escrito por  Paulo Estevão
Publicado em Paulo Estevão
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O nosso sistema político não gera alternância política no poder. As liberdades individuais estão ameaçadas e não existe verdadeira liberdade política. Quem faz oposição política corre o risco de ver a sua vida destruída, assim como as dos seus familiares mais próximos. Não estou a exagerar. Conheço dezenas de exemplos.
Os serviços inspetivos do Governo Regional não têm qualquer independência real. Agem ao serviço do partido governamental e dos seus pequenos poderes. Se o leitor for odiado por um dos pequenos tiranetes que se alojam parasitariamente no interior do poder governamental, o mais certo é que lhe deem cabo da vida na primeira oportunidade. O poder regional funciona na mesma lógica de intimidação usada pelo regime de Nicolás Maduro. A única diferença é que aqui ainda não se matam os políticos da oposição.
O regime tenta manter as aparências no quotidiano, mas a verdade é que age de forma implacável para preservar o monopólio do poder político. Domina a imensa administração regional e o mastodôntico setor público empresarial regional. A tudo isto é preciso juntar o controlo dos apoios sociais – mesmo os que não são pagos através do orçamento regional, como é o caso do RSI – e das ajudas concedidas aos diferentes sectores da atividade económica. Influenciam tudo e controlam quase tudo. Nos Açores, quase todos podem ser intimidados pelo Governo Regional.
O Governo Regional conta ainda com uma formidável máquina de propaganda: o Gabinete de Apoio à Comunicação Social. Esta imensa e bem oleada máquina de propaganda possui um conjunto vastíssimo de recursos, que superam certamente a soma dos recursos de todos os jornais da nossa Região.
Sinto, muito sinceramente, que o regime pode a qualquer momento tentar aumentar o grau de intimidação política e pessoal sobre alguns dos que mais criticam o poder governamental. No meu caso pessoal, não me deixo intimidar.
O poder não democrático que rege os destinos dos Açores voltou, na atual legislatura, ao seu velho método da terra queimada contra mim. Chumbam tudo o que proponho e transformam a discussão de cada uma das minhas propostas numa guerra. Mesmo que o assunto seja o fim da discriminação das crianças da ilha do Corvo no âmbito das refeições escolares ou a necessidade de proteger o património cultural da Região.
A tática do regime não é nova. Não me impressiona e não me intimida. Só se vence um adversário assim com uma determinação inquebrantável. Lutando como se não existisse amanhã e estando disponível para correr todos os riscos e enfrentar todas as batalhas.
Neste preciso momento, a maior causa da minha vida é a luta pela liberdade. Sempre destetei gente arrogante, prepotente e com manias tontas de superioridade. Vejo, por todo o lado, uma fauna e uma casta de emproados, que o regime amamenta com esmero. Acham-se superiores ao conjunto da plebe que governam. Como é evidente, não são mais inteligentes ou mais competentes que o resto da população. Na maior parte dos casos, sucede precisamente o contrário: trata-se de indivíduos incapazes de ascenderem, livre e justamente, na sociedade.
Não é por acaso que este regime gera tantas desigualdades e eterniza as situações de pobreza extrema que muitas das famílias açorianas enfrentam. Tal como sucede no regime venezuelano, o regime alimenta-se da pobreza e da ignorância. O regime não pretende criar uma sociedade justa, solidária e esclarecida. Não lhes interessa nada disso. O seu único propósito é manter as situações de privilégio que usufruem. Tudo se resume a isso e a nada mais que isso.
Apelo a todos os açorianos que ponham fim a este regime deplorável. Que resgatem a sua liberdade de pensamento e reconquistem as suas vidas.
A pobreza e a miséria não são um fado ou um destino que nos esteja predestinado. Todos temos o direito de sonhar com uma vida melhor. Os algozes do nosso futuro podem ser derrotados. A melhor forma de os derrotar é com a resistência obstinada de todos os dias. Digam-lhe que são livres e que pensam pela vossa cabeça. Digam-lhes que não abdicam de um milímetro da vossa independência.
Viva a liberdade! 

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