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  • Os buracos financeiros do golfe açoriano
01
fevereiro

Os buracos financeiros do golfe açoriano

Escrito por  Pedro Neves
Publicado em Pedro Neves
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A aposta em campos de golfe na região assentou nos pressupostos do desenvolvimento turístico e de um qualquer aumento da duração da estadia de turistas nos Açores. Pensaram que, ao dar atributos transversais à viagem além do turismo de natureza, se permitiria um maior alcance de receita acima da média regional. Logo, a Região Autónoma dos Açores assumiu o golfe como um produto estratégico, ofertando não um mas três campos de golfe, numa altura em que os indicadores do turismo ainda eram tímidos.
Além dos dois campos em São Miguel e mais um na Terceira, foi assinado um contrato em 2006 para a construção de um campo de golfe de 18 buracos no Faial, bem como um hotel de cinco estrelas com 200 quartos e uma zona de turismo residencial com 50 moradias. 13 anos depois, os terrenos foram devolvidos ao Governo Regional por falta de interesse pelos investidores.
Descobriu-se rapidamente e da pior forma que a estratégia lançada estava completamente errada. Além de não ter aumentado as receitas para o turismo, a dívida acumulada nos primeiros três anos resultante da exploração foi de 3,8 milhões de euros. O Governo regional, pelo nome da empresa Ilhas de Valor S.A., ainda injectou 2,5 milhões de euros para aguentar o 19º buraco feito pelos empreendimentos, apesar de ter sido avisado pelo Tribunal de Contas, já que nunca exerceu os direitos contratualmente estabelecidos, adiando sucessivamente a cobrança.
Como o Governo achou que ainda não tinha brincado o suficiente ao jogo dos piores gestores do ano, veio anunciar a semana passada que adquiriu, à empresa insolvente, dois campos de golfe no valor de 6,6 milhões de euros, porque continua a achar que, mesmo com prejuízos avultados, ainda é um investimento inteligente.
Não queremos aqui quantificar o intelecto dos gestores governamentais, mas se fosse numa empresa privada estava tudo despedido. Obviamente que os erros existem, mas após a região ter sido fustigada o ano passado com períodos de seca severa e seca extrema com maior frequência, o que originou a falta de água na região, perguntamos, tendo em conta a quantidade de água para manter um campo de golfe, se não existem interesses instalados nesta aquisição. Isto porque é muita asneira junta.
A quantidade de água para sustentar um campo de golfe é definida por vários factores, tanto pelo clima bem como da eficiência do solo, mas o consumo nunca será menos que os 1600 metros cúbicos de água por dia. Segundo a World Wild Fund, os campos de golfe gastam 47% da água gasta nas actividades turísticas de uma região, consumindo tanto como 4000 pessoas.
O Governo Regional tinha planeado um acordo de cooperação com o Instituto Regional de Ordenamento Agrário (IROA) para a satisfação de todas as necessidades na canalização da água, nomeadamente a não interrupção de água na lavoura. Ora, se faltou água para a lavoura o ano passado, onde iremos materializar a água?
Concluímos que houve um equívoco na estratégia inicial para o crescimento do turismo na região, originando uma insustentabilidade económica no posicionamento turístico dos Açores. Concluímos também que a sustentabilidade ambiental não foi equacionada (como nunca é) nem a quantidade dos recursos necessários para manter este “investimento”.
Logo, venho pedir a todos os leitores que, se virem o anunciante da nova aquisição do Governo, o secretário regional adjunto da Presidência para os Assuntos Parlamentares, Berto Messias, que lhe retirem o cartão de crédito do GRA para não fazer mais asneira.

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