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08
fevereiro

Manuel Serpa e a sua passagem pelo desporto

Escrito por  Família Serpa
Publicado em Artigos de opinião
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Passados 28 anos do falecimento do nosso Pai queremos hoje prestar uma singela homenagem a este grande homem, desportista, treinador e o melhor Pai do mundo! Manuel Serpa nasceu na freguesia das Angústias a 2 de julho de 1947, falecendo aos 43 anos de idade, devido a problemas cardíacos em 4 de fevereiro de 1991, sendo o seu clube de coração o Angústias Atlético Clube onde deu o seu contributo desde muito cedo. Em criança era já chamado para envergar o seu equipamento e representar o clube como a “mascote”.
Naquele tempo os atletas jogavam por amor à camisola, em tempos com muitas dificuldades, mas a paixão de jogar, a rivalidade entre os clubes e a vontade de defender uma bandeira era maior. Os jogadores deixavam sangue, suor e lágrimas e todos disputavam um lugar para serem titulares. Assim também acontecia com o nosso Pai, que sempre foi dedicado ao seu clube e como tal, não poderíamos deixar passar esta data sem lhe prestar a devida HOMENAGEM e dar a conhecer o seu palmarés desportivo. Entre artigos e fotos antigas, reunimos a sua história. Manuel Serpa, ingressou os planteis de juniores e de seniores em futebol 11, na posição de médio-centro e médio-direito, em que na época 64/65, ganhou a taça de melhor marcador com 9 golos, na categoria de Juniores, no campeonato e taça Ilha Azul, oferecida pelo Correio da Manhã. Além de futebol 11 também praticou basquetebol, andebol e futebol de salão na equipa “Os Cabritos”. Enquanto atleta do AAC também ajudou a equipa de ciclismo como massagista na antiga Sofacol e foi também “continuo” tomando conta dos equipamentos do clube. Representou a Seleção da Ilha do Faial. Na época de 1968/1970, encontrava-se a cumprir serviço militar, em que após um jogo entre AAC e Lusitânia, por ter agredido um adversário e ter chegado ao conhecimento do Comandante da Tropa, ficou de castigo sem autorização para sair do Quartel durante 10 dias, perdendo a deslocação aos EUA. Em 1975 ingressou pela primeira vez como treinador de seniores de futebol 11 no AAC. Fez as épocas de 75/76, 76/77, 84/85 em que foram campeões da Associação de Futebol da Horta, e em 87/88. Foi treinador de futebol 11 da Sociedade Recreativa Pasteleirense, do União Vulcânico e do Grupo Desportivo Cedrense na Inatel. Foi também árbitro de futebol 11 e de futebol de salão também na Inatel. Foi convidado pelo Futebol Clube da Madalena para treinar a equipa sénior nas épocas desportivas de 78/79 e 79/80 ganhando esta última o torneio de apuramento à taça de Portugal e mais tarde acompanhando a mesma na deslocação à Califórnia. Foi ainda treinador do SCH, acompanhado do Prof. Gaspar Neves e do Prof. João Castro, na época desportiva de 81/82 em que foram campeões da AFHorta, representando a mesma em São Miguel, perdendo com o Santa Clara por 2-1. Esteve ao serviço do Futebol Clube dos Flamengos nas épocas desportivas de 82/83, 83/84 e 89/90.
Aproveitamos esta oportunidade para agradecer publicamente todas as Direções do FCF até então, todo o respeito e carinho que sempre tiveram e que continuam a ter com o nosso Pai, durante estes últimos 28 anos, depositando em todos os aniversários do clube, uma flor na sua campa. Quem o conheceu descreve-o como um homem simples, humilde e muito sincero, alegre e divertido… exigente com os seus pupilos do Futebol, mas com um enorme coração… amigo e sempre disposto a ajudar! Um bom homem, um bom Pai e um jogador/treinador que marcou a sua época nos relvados pelados do futebol da nossa ilha. Um grande homem e um treinador excecional. Partilhamos convosco, alguns testemunhos de quem de perto lidou com ele:
- “Falar de Manuel Serpa é falar de um Amigo. Privei com ele como vizinho, colega de trabalho e diretor do AAC. Enquanto vizinhos recordo com carinho as suas brincadeiras connosco ao fim do dia, jogando à bola. No trabalho, quando saiamos em serviço de carro o nosso tema de conversa era o NOSSO Atléti-co/Benfica e algumas anedotas pelo meio que faziam as nossas saídas divertidas e no regresso com um sorriso de “orelha a orelha”. No campo e no tabuleiro a dar a tática foi do melhor que vi no Atlético. Defendia os seus jogadores como ninguém. Tinha um defeito: era muito teimoso… era um homem de convicções fortes, mas de um coração de ouro, Amigo do seu amigo, que eu tive o privilégio e honra de conhecer. Na passagem do 28º ano do seu falecimento deixo aqui a minha singela homenagem ao AMIGO Manuel Serpa. Hélder Simas”
- José H. Peixoto, conta-nos: “Joguei 18 épocas seguidas de futebol. Tive vários treinadores onde aprendi com todos eles, mas na época de 82/83 no FCF, tive um que me marcou e muito, o mister Manuel Serpa, que já eu admirava muito noutras equipas. Falar dele não é muito difícil… e porquê? Ele era muito disciplinado nos treinos e nos jogos e fiquei com mais certezas que ele era mesmo um treinador muito à frente inclusive de todos os outros. Tática e tecnicamente ele conseguia montar a equipa e mudá-la quando era preciso, por isso para mim ele foi o meu melhor treinador (que me desculpem todos os outros), quem me viu jogar sabe que eu não era fácil, mas ele conseguiu pôr-me em sentido, foram duas as vezes que o fez e para o meu bem, por isso onde estiveres quero te dizer o meu muito obrigado por aquele ano que me educaste a ser mais homem e jogador. Um treinador que pensava pela sua cabeça e não pelos livros. Muitas saudades daquele tempo!”
- Em conversa com o Prof. Gaspar Neves, que já conta com os seus 82 anos, dizia-nos: “Lembro-me muito bem do Manuel, fui treinador dele no Atlético e mais tarde fomos colegas a treinar o Sporting com o Prof. João Castro. O vosso Pai como jogador era muito habilidoso com muita visão de jogo. Tinha muito jeito para treinar e era muito inteligente na distribuição dos jogadores em campo. Era muito bom rapaz e muito sincero, e gostava muito de fazer umas graças, era muito brincalhão. O Manuel foi um bom homem que partiu cedo demais.”
Sr. José Armando Luís relatou-nos que, “Manuel Serpa era um grande homem, chegou ao Futebol Clube dos Flamengos, quando este estava em baixo, tendo sido o responsável por levantar a equipa. Acrescentou ainda, que era um excelente treinador e que elevou o nome do clube até onde hoje permanece. Tinha uma visão do treino do jogo e dos seus jogadores, que com o seu espírito de sacrifício para com todos os elementos, tudo foi possível. A relação interpessoal que mantinha entre direção e jogadores era exemplar, capacidade enorme de união e de um bom balneário, fez com que os dirigentes e jogadores o convencessem a treinar o que seria a sua última época no clube”.
Na última época, o Sr José Armando, presidente do FCF, foi de propósito a nossa casa, e convidou-o para ser treinador da equipa de seniores, ao qual recusou por já se encontrar doente. José Armando, sem desistir, reuniu todos os jogadores e voltou a nossa casa. Depois de alguma relutância do nosso Pai, acabou por aceitar. Satisfeitos saíram, mas o Sr. José Armando voltou uma vez mais, desta vez acompanhado de uma “guecha” como oferta e pagamento por ter aceite o convite mesmo sem ele poder.
“Manuel Serpa foi, sem dúvida, um homem do futebol, aguerrido e determinado. Enquanto meu treinador, sempre lhe admirei a franqueza com que dizia aquilo que sentia, não deixando, por isso, de ser verdadeiro consigo próprio e com aqueles que o rodeavam. Essa característica fazia dele um homem franco, mas simultaneamente, um ser humano atento às dificuldades do próximo. Era, por isso, o primeiro a sair em favor daquele que precisasse do seu apoio. Recordo ainda com saudade, da mística que transmitia e do espírito de união que era capaz de gerar dentro de um grupo de homens. Fica na memória de quem com ele privou e sem dúvida da geração de faialenses dedicados ao desporto faialense. Para a família um forte abraço, José Leonardo Silva”
“Já conhecia o Manuel Serpa, bem como a maioria dos seus familiares, mas foi enquanto Presidente da Direção do Angústias Atlético Clube que privei com ele como treinador da equipa sénior. Exigente e cumpridor, todavia, possuidor dum coração capaz de despir a sua camisa para abrigar quem dela mais precisasse. Fazia tudo o que fosse necessário pelos seus jogadores, mesmo quando dizia “que não contassem mais com ele”. Fez falta à sua família, mas também fez muita falta ao seu clube. Pessoas como o Manuel Serpa fazem sempre muita falta à sociedade. Mário Moniz”
“Falar do Sr. Manuel Serpa é sem dúvida falar do treinador, mentor, amigo, diretor, massagista e um grande líder. Eu tinha 18 anos quando subi à primeira equipa do Angústia Atlético Clube, este, não vencia o campeonato há 10 anos, foi em 84/85 e o treinador era o conhecido Manel Cabrito, tratava-me como se fosse seu filho, livrou-me da tropa dizendo ao Coronel que era meu pai e que eu tinha uma doença complicada, enfim… para não apertar comigo na inspeção porque era nervoso, tudo para eu ficar no Faial a jogar no Atlético. Isto demonstra o interesse, dedicação e o carinho que este homem tinha pelo AAC, que como tantos outros nunca foi feita a devida homenagem e reconhecimento. Era sem dúvida um grande estratega, preparador físico, líder e um grande amigo, motivando cada um como se fosse o melhor jogador da equipa. Em resultado, fomos campeões e foi a maior festa que tive dentro do AAC. Ainda me lembro dele sentado fora do Café Royal dizendo-me: “Éh rapazinho vai buscar um gelado ao pai”. Enfim… podia estar aqui a relatar situações e acontecimentos até encher esta e outras páginas. Deixo aqui o meu testemunho com saudade de um homem que me marcou profundamente como homem e atleta, deixando em mim uma marca para toda a vida, que com trabalho, empenho e dedicação podemos chegar ao topo. Ao Sr. Manuel Serpa o meu obrigado pelo carinho, amizade e por ter feito de mim melhor atleta e melhor homem. Foi uma honra ter feito parte da sua vida, tenho muitas saudades desse tempo, para sempre com saudade, bem-haja o Sr. Manuel Serpa. Mário Jorge da Silva”
“Foi-me pedido pelos filhos do Manuel Serpa para dar o meu testemunho sobre o pai, numa recolha que estão a fazer para a passagem do 28º aniversário do seu falecimento. Achei bonita a homenagem, por isso vou tentar, sabendo que haverá quem mais letrado do que eu, passe melhor para o papel, como foi a vivência com o Manuel. Conhecia o Manuel dos jogos de Basquetebol, ele jogando no Atlético e eu no Fayal Sport. Em 1966 fizemos parte da Seleção Ilha do Faial nos Jogos Desportivos da FNAT (Inatel). Foi em 1968 que nos aproximamos mais, quando prestamos serviço no quartel da Horta. Integramos o trio de arbitragem que se deslocou a PDL por ocasião dos Campeões Açorianos. Por último fomos colegas de trabalho na extinta “Delegação de Trabalho”. Deste modo fomos companheiros, colegas e amigos. Que dizer do Manuel? Era uma figura castiça, bem-humorado e que gostava de pregar “as suas partidas”, era de ideias fixas, prestativo, defensor do seu amigo e daquilo que acreditava, um clubista ferrenho. Lembro-me de quando jogamos pela Seleção não havia equipamentos e estes foram emprestados pelo FSC, bem… o Manuel equipou-se, mas por baixo vestiu a camisola do seu Atlético. Um dos últimos momentos que retive do Manuel, foi quando feliz me veio contar “fiz um seguro de vida e estou descansado… já posso morrer descansado” faleceu passado pouco tempo. Esta homenagem é sinónimo de que ainda estás presente na lembrança da tua família e assim permanecerás. Muito mais havia para contar, histórias engraçadas que dariam para encher um livro, mas sei que o espaço é limitado e que existem outros amigos que irão gostar de também dar os seus testemunhos, por isso meu Amigo despeço-me com “saudade” e com um “até um dia”! Tomás Rocha”.
Para finalizar esta singela HOMENAGEM ao nosso Pai, não podemos terminar sem agradecermos todos os seus amigos e colegas que com ele privaram e que ainda hoje falam dele com muita saudade, carinho e sobretudo respeito, deram o seu contributo mostrando que o nosso Pai para além de ter tido uma passagem muita rápida pela vida, deixou a sua marca no desporto, com maior peso no futebol.
Não podemos terminar sem antes dizer: “Obrigado PAI por tudo o que foi em nossas vidas, pelo Homem exemplar e pelo PAI maravilhoso que foi connosco. Obrigado pelos seus ensinamentos que nos fizeram seres humanos de caráter e que hoje continuam a ser um exemplo de vida para nós e a incutir nos nossos filhos/seus netos todos os bons valores da vida”. 


Os seus filhos:
Manuel, Céu, Lisa e Manuela

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