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24
dezembro

Bom Natal

Escrito por  Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
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 Estamos em mais um Natal. Apesar da anunciada e vivida crise, os sinais exteriores do Natal rodeiam-nos. É a publicidade televisiva. São as montras de muitos dos nossos estabelecimentos comerciais. São as ruas iluminadas. É o afã de muitos nas compras feitas ou a fazer. São os encontros de funcionários ou membros de agremiações. São as consoadas em família que se preparam. São os cartões postais ou digitais que se trocam com amigos ou familiares (que às vezes só agora são lembrados!). São os gestos de solidariedade mais fáceis nesta altura. São as árvores que se decoram com luzes apropriadas fora e dentro das nossas casas. São os presépios e altarinhos ao Menino Jesus que alguns resistentes ainda montam, cumprindo tradição antiga. Enfim, são os mil e um sinais e gestos que a todos nós, uns mais e a outros menos, nos enchem nos dias próximos de cada Natal.

Infelizmente, para muitos, o Natal não passará do tempo dos cumprimentos que se trocam, das ofertas que se repartem, da família que se reúne, da solidariedade que se pratica, da árvore que se enfeita.

A dimensão espiritual e religiosa do Natal foi conquistada pela império da economia e do comércio e, ultrapassada pela busca incessante do lucro, acabou submersa na actual sociedade, onde o prazer de comprar e gastar se impôs como uma necessidade e transformou o Natal reduzindo-o, para muitos, a uma festa do consumo.

E nesta vertigem colectiva esquecemo-nos do mais importante. Esquecemo-nos desse Jesus de Nazaré que nasce em cada Natal e, exactamente só porque nasce é que há Natal! Esquecemo-nos que esse Jesus de Nazaré, sem se impor a ninguém, está aí, pelas nossas ruas, lado a lado com cada um de nós, desafiando o nosso egoísmo, confrontando-nos com os idosos esquecidos das famílias, com as crianças abandonadas à sua sorte, com os dependentes sem horizontes nem esperança, com os que estão e se sentem sós e com todos os irmãos com que nos cruzamos na aventura da Vida. Em cada um deles, todos os dias do ano, em todos os natais, Jesus de Nazaré questiona-nos, interroga-nos, interpela-nos e sugere-nos caminhos.

Olhemos à nossa volta e para dentro de nós próprios e disponhamo-nos a assumir as interrogações deste Cristo inconformado e até mesmo incomodativo.

Comecemos por nos dispor a mudar-nos a nós próprios, abraçando a Sua causa e por ela e nela servir os nossos irmãos.

É que na vida, as estradas são muitas. Mas só uma vai dar a Belém.

A todos, um Santo Natal e um Novo Ano cheio de felicidade.

 

                                                                                          18.12.2010

 

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