O compromisso assumido com o Tribuna das Ilhas foi de, numa primeira fase, redigir artigos de conteúdo político e sócio-económico, sobre os temas que fazem - ou deviam fazer - parte nosso desenvolvimento.
Dentro destes, segui como método apresentar num primeiro artigo uma perspectiva regional sobre o tema, retomando-o num segundo artigo e analisando o posicionamento do Faial nesse contexto, tendo em conta que o mais importante na economia é o emprego, o que é necessário para a sua manutenção e criação, a necessidade gritante de gerar rendimento e, por fim, defendendo que os Açores, e o Faial em particular, fossem contributivos líquidos positivos e crescentes de riqueza, diminuindo a nossa dependência do exterior e aumentando a nossa força.
Hoje inicia-se um novo ciclo, mas com os mesmos pilares, isto é, merecerão atenção eventos e fatos da atualidade, que serão analisados com os pressupostos base, permitindo ao leitor a associação do termo económico e como o Faial (e nalguns casos a ilha do Pico) se poderá posicionar, analisando os aspectos positivos, mas também dando enfoque a situações e a desigualdades que tenham que ser corrigidas.
Hoje destaco as atividades marítimo-portuárias e a indústria, nas quais as ilhas do Faial e do Pico deviam, por diversas razões, ser prioritárias a nível regional. Estas duas ilhas têm que ter uma atenção especial e dedicação governamental nas áreas em que têm potencial, sendo estimuladas com iniciativas público-privadas, com ganhos regionais e sabendo-se que o não estímulo pode afundar mais estas frágeis economias.
Foi com regozijo que assistimos a uma ação política que parecia colocar a Madalena no mapa da indústria naval, permitindo criar na ilha muitos postos de trabalho, com uma atividade de elevado valor acrescentado bruto, abrindo uma janela de oportunidades através da construção da frota pesqueira regional, com os incentivos regionais e quiçá a outro nível superior.
Mentes pequenas vieram logo dizer que não tinham capacidade técnica para tal ou que não poderia haver tanta aproximação da orientação pública para que esta operação tivesse sucesso.
Nada mais errado, então se em São Miguel se está a criar condições, a peso de ouro, para que haja reparação dos Airbus, isto é, tecnologia de ponta a nível mundial, porque somos açorianos de segunda e não se consegue construir barcos no Pico!?
Já tinha escrito que há institutos, secretarias, empresas com âmbito regional que não são merecedoras do termo “Regional”; infelizmente, tinha razão, o que é corroborado pelo folclore mediático à mistura.
Infelizmente, também, existe a ideia, criada pelas tais mentes pequenas, de que uma atividade deve ter sucesso em São Miguel ou na Terceira e SÓ depois se estende para as outras ilhas. Esta política tem tido como consequência os pontos fortes destas ilhas mais pequenas não se estarem a desenvolver como deveriam, por direito, faltando visão, gosto, ação forte nas ilhas mais distantes dos gabinetes do poder.
Assim, provavelmente vamos ter que esperar que se desenvolva doca seca de reparação náutica na terra dos secretários para depois a termos no Faial. Não se mete pelos olhos dentro que urge colocar a Horta no mapa da reparação náutica a nível internacional!!??
Em suma, este modelo de desenvolvimento económico, baseado no ditado popular “São Mateus, primeiro os meus…”, só depois se promovendo a expansão para as outras ilhas, está na prática falhado, para além de nos estar a garrotar, e urge corrigi-lo, a bem dos nossos filhos.
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