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  • O Início da Guerrilha nas Colónias foi há 50 anos
04
março

O Início da Guerrilha nas Colónias foi há 50 anos

Escrito por  Susana Garcia
Publicado em José Trigueiro
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EFEMÉRIDE

1. Os primeiros ataques dos movimentos das guerrilhas angolanas

Foi também em 1961, no dia 4 de Fevereiro, que tiveram início em Luanda, Angola, os primeiros distúrbios da guerrilha desse território (1). Foi assaltada a Casa de Reclusão Militar e as cadeias civis, tendo sido mortos 40 assaltantes e 7 polícias. O grupo de assaltantes, segundo se julga, não pertencia ao MPLA de Agostinho Neto, contrariamente ao que se chegou a pensar, mas teria uma organização anti-portuguesa.

Com esse ataque, que se deu depois do assalto ao navio “Santa Maria”, o Governo Português chegou a pensar que o Capitão Henrique Galvão e o General Humberto Delgado pretenderiam formar um Governo Provisório em Angola para darem início à luta contra o regime de Salazar.  

Em meados de Março de 1961 a guerrilha nacionalista angolana iniciava a sua luta armada no norte de Angola, quando a UPA de Holden Roberto, apoiada por cerca de 3000 negros, levava a efeito elevada quantidade de ataques dispersos contra os brancos ali instalados, designadamente nas “fazendas” rurais (2). O objectivo foi matar e destruir tudo o que fosse deles, tais como plantações, casas, pontes, aeródromos e tudo o que lhes dissesse respeito. Constou que durante 3 ou 4 dias terão sido mortos cerca de 800 portugueses brancos.

 Enquanto isso, nas Nações Unidas, entre os dias 13 e 15 de Março, em debate organizado essencialmente pelos países afro-asiáticos, o problema das Colónias Portuguesas era alvo de discussão. Julga-se que foi uma acção conjugada com as acções projectadas pela UPA no norte de Angola. Os nossos aliados abstiveram-se, por desejarem que Portugal cumprisse a Carta da ONU, como vários já o haviam feito.

Nessa ocasião os homens da UPA, que teria o apoio americano, partiram do Congo-Leopoldville onde mantinham os seus campos de treino. A UPA manteve, essencialmente, a sua guerrilha no Norte de Angola. Mais tarde extinguiu-se ou mudou de nome para FNLA, contando sempre com apoio americano, sob a chefia de Holden Roberto (3). Depois daquele massacre, os brancos do Norte de Angola, ajudados pelas autoridades, fizeram justiça pelas suas próprias mãos, uma vez que Portugal foi apanhado de surpresa. Só mais tarde chegaram tropas e o Exército Português começou a participar nos ataques às guerrilhas nacionalistas.

Anos antes, as Nações Unidas haviam estabelecido, pouco depois da II Guerra Mundial, a obrigatoriedade dos países possuidores de colónias, prepararem a sua independência. Essa era uma bandeira que o Presidente Americano, John F. Kennedy, empossado em Janeiro, fazia questão em apoiar. Quase todos os países o fizeram, com mais ou menos rapidez e com mais ou menos lutas decorrentes ainda de alguma falta de preparação. Assim, no início da década de 1960 poucas eram já as Colónias Africanas. Portugal e a França de De Gaulle eram, praticamente, os únicos países a manter colónias. Salazar não desenvolvera as Colónias Portuguesas com receio de as perder. Por outro lado, em face daquela decisão da ONU o regime “salazarista” havia alterado a Constituição Portuguesa, acabando com as Províncias no território continental e declarando como Províncias as Colónias Ultramarinas.

Mesmo assim, era mais fácil os portugueses emigrarem para outros países americanos e europeus do que irem para esses territórios africanos.        

A partir desse ano de 1961 Portugal intensificou o envio de tropas para Angola e alguns anos depois para Moçambique e para a Guiné, onde os respectivos movimentos de guerrilha nacionalistas também passaram a lutar pela independência dos seus territórios. A política de Salazar fora por ele anunciada “em força para o Ultrmar”!

Autorizou-se a emigração para esse territórios. Havia lá bons empregos e muita falta de investimentos europeus. Aumentaram-se, portanto, aí os investimentos e os nossos impostos cresceram a olhos vistos para custear os gastos da guerra, designadamente os impostos profissional e complementar.

Na ONU todos os países estavam praticamente contra à política colonial portuguesa, salvo a França, enquanto não decidiu descolonizar a Argélia.

Com o decorrer da guerra, os bons navios da nossa Marinha Mercante passaram a ser utilizados para o transporte de tropas, em vez de andarem em “cruzeiros de férias”. Aviões da TAP chegaram a ser utilizados também. Depois do assassinato do Presidente Kennedy, os Estados Unidos moderaram as suas posições contra Portugal. Acabaram mesmo por abrir o comércio connosco, que Kennedy havia suspendido, a troco de cedência de explorações petrolíferas e outras.

2. Os movimentos das guerrilhas, a independência e a guerra civil

A luta pela independência das Colónias Portuguesas, com base em movimentos de guerrilha nacionalistas organizadas, estendeu-se, mais tarde, aos restantes territórios que estavam sob o domínio português: em Moçambique, com base na FRELIMO, a guerrilha começou a sua luta em 1964 (4); na Guiné-Bissau, com o movimento PAIGC, o início da guerrilha foi aí por volta de1962/63 (5).

 A organização desses movimentos tivera início alguns anos antes da sua entrada em luta. Eram ajudados por diversos países que procuravam obrigar Portugal a cumprir a Carta das Nações Unidas, com vista à negociação da independência desses territórios. A União Soviética (com alguns países satélites) e a China eram os maiores financiadores, armadores e “municiadores” desses movimentos.       

O MPLA, criado em 1956, talvez o mais bem organizado movimento angolano, recebia essencialmente apoio da União Soviética e era chefiado por Agostinho Neto (1915-1995), médico e político, formado nas Universidades de Coimbra e de Lisboa, o qual viria a ser o primeiro presidente da República Popular de Angola (6);

A UPA, que teria tido apoio de diversos países, incluindo os Estados Unidos da América, era chefiado por Holden Roberto que mais tarde fundou a FNLA que viria a mudar a sua zona de acção para o Sul (7). Refira-se, a propósito, que antes de criar o seu movimento, a UNITA, Jonas Savimbi, que tinha essencialmente o apoio da China, onde estudara, passou pelas fileiras da FNLA.

A independência desses territórios só surgiu depois do Golpe de Estado do “25 de Abril” de 1974. Para Angola, Portugal preparou a independência aprovando com os movimentos da guerrilha angolana, o chamado “Acordo do Alvor”. Assim, a independência oficial teve lugar em 11-11-1975 (8). Porém, com larga intervenção dos comunistas, os militares portugueses, então em Angola, deixaram o poder e as armas apenas ao MPLA, motivando, desse modo, uma guerra desse com os restantes movimentos, designadamente com a UNITA. Nessa guerra civil morreram milhares de africanos, tal como já acontecera antes nas lutas com Portugal. Foi uma guerra que só veio a terminar com a morte de Jonas Savimbi (1934-1992?), abatido por tropas do MPLA que, no início da independência, até contou com o apoio de tropas de Cuba e, em menos escala, da União Soviética. Em Moçambique também a FRELIMO manteve uma luta armada com a RENAMO, que durou vários anos. Todos esses movimentos acabaram por se transformar em partidos políticos, embora a democracia e a liberdade nesses países ainda sejam muito autocráticas.    

Bibl: Antunes, José Freire “Kennedy e Salazar - o leão e a raposa”, (1992), ed. do Círculo de Leitores.

(1). Antunes, José Freire “Kennedy e Salazar - o leão e a raposa”, (1992), pp. 148 e 149, ed. do Círculo de Leitores. 

(2). Antunes, José Freire “Kennedy e Salazar - o leão e a raposa”, (1992), pp. 187 e 188, edição do Círculo de Leitores.  

(3). Antunes, José Freire “Kennedy e Salazar - o leão e a raposa”, (1992), p, 189 e 190 ed. Círculo de Leitores.

(4). “Enciclopédia da História Universal”, (1999), p. 433, ed. Selecções do Reader’s Digest. 

(5). “Enciclopédia da História Universal”, (1999), p. 289, ed. Selecções do Reader’s Digest. 

(6). “Enciclopédia da História Universal”, (1999), p. 460, ed. Selecções do Reader’s Digest. 

(7). Antunes, José Freire “Kennedy e Salazar - o leão e a raposa”, (1992), p, 170 e 171 ed. Círculo de Leitores.

(8). “Enciclopédia da História Universal”, (1999), p. 38, ed. Selecções do Reader’s Digest.  

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