Tribuna das Ilhas

Infinity 8
  • Início
  • Local
  • Triângulo
  • Regional
  • Desporto
  • Cultura
  • Política
  • Opinião
  • Cartoons
Últimas :
Investimento privado no Faial – realidade ou utopia?
Educação - Escola Secundária Manuel de Arriaga ocupa o 496.º lugar do ranking a nível nacional
Eleições - Carla Dâmaso assume a presidência do OMA
Agricultura - Trybio organiza cursos de instalação de pomares e de poda de fruteiras no Faial
BTT – ESMA ATIVA Primeiro encontro de BTT da ESMA junta professores e alunos
“Eco Freguesia, freguesia limpa” - Candidaturas ao programa abertas até 15 de março
Saúde - Hospital da Horta assina protocolo com Câmara Municipal da Madalena para criação de Unidade de Hemodiálise
Efeméride - Azores Trail Run® regista 4000 inscritos em 5 anos
Faial - Governo Regional assina contrato para reabilitar Solar e Ermida de São Lourenço
  • Início
  • Opinião
  • José Trigueiro
  • Fernando Gonçalves Emigrante de sucesso como empresário no Canadá
18
março

Fernando Gonçalves Emigrante de sucesso como empresário no Canadá

Escrito por  Susana Garcia
Publicado em José Trigueiro
  • Imprimir
  • E-mail

FLORENTINO QUE SE DISTINGUIU

Também conhecido por Fernando Gonçalves Capitão, nasceu na freguesia da Fazenda, concelho de Lajes das Flores, em 18 de Fevereiro 1933, filho de Maria do Rosário Gonçalves.

 No ano de 1943 concluiu a instrução primária com excelente aproveitamento, tendo tido como professores, para além da fazendense Isaura Gomes Vasconcelos, o regente escolar Francisco Ermelindo Machado Ávila, natural das Lajes do Pico.

 Trabalhando duramente na lavoura dos tios e da mãe, aí se manteve até ir cumprir o serviço militar, na Bateria de Costa da Horta, entre 1954 e 1955. Regressando às Flores, voltou para os mesmos trabalhos rurais da família.

 Depois de adequado namoro, casou em 1957 com Maria Salvador Viveiros, natural de Santa Cruz das Flores, onde nasceu em 2 de Outubro de 1933, também residente na freguesia da Fazenda, visto os pais terem fixado aí residência, já que eram naturais da vila de Santa Cruz. Estes, que tinham uma extensa família, viviam muito pobremente do trabalho do pai, que era essencialmente caiador.

 Em 1959 o casal emigrou para o Canadá, rumando para Vancouver, onde ela já tinha alguns irmãos, nomeadamente o José Viveiros. Fixou residência em Richmond City, localidade muito próxima daquela cidade do Pacífico.

Do casal nasceram os filhos Fernanda V. Gonçalves, nascida a 27 de Abril de 1963, Cristina V. Gonçalves, nascida a 25 de Dezembro de 1964, José V. Gonçalves, nascido a 27 de Abril de 1967, e Roy V. Gonçalves, nascido a 2 de Junho de 1973. Destes, a filha mais velha, que domina muito bem a língua portuguesa, é a que revela maior interesse pela ilha das Flores, onde passa algumas das suas férias.

 O seu primeiro trabalho no Canadá foi num “rancho” de vacas leiteiras, cujo patrão, como tinha vivido no Brasil, conhecia a língua portuguesa e cedo se apercebeu das excelentes qualidades do Fernando Gonçalves como homem inteligente, honesto e trabalhador. Assim, quando surgiu próximo à venda um terreno com cerca de 40 alqueires de terra, esse seu patrão insistiu com ele para o comprar a fim de nele estabelecer o seu primeiro negócio. Para o efeito emprestou-lhe o dinheiro necessário para essa compra, a juros acessíveis.

Feita essa aquisição, e embora mantendo o emprego, Fernando, juntamente com a mulher, antes e depois das horas de serviço, trabalhava os seus terrenos. Neles produziam batatas e hortaliças que, com grande sacrifício, vendia pelas portas, essencialmente a emigrantes portugueses. Todos esses serviços, embora com características semelhantes àqueles que ele fazia nas Flores, garantiram-lhe uma grande aprendizagem nos negócios do Canadá.  A honestidade foi sempre a sua grande “arma”.

Mais tarde, como o patrão quis acabar com a sua empresa, tomou-lhe de renda 400 alqueires de terra, mesmo junto dos seus terrenos, formando a sua própria empresa – a “Fernandos Farms Company”. O casal trabalhava diariamente das 4:00 horas da madrugada até às 10:00 horas da noite, produzindo, praticamente, todo o tipo de hortaliças. Para além da ajuda preciosa da mulher, tinha vários homens a trabalhar na empresa, havendo períodos em que lá trabalhavam mais de 50 homens, sobretudo no Verão, por ocasião da recolha dos produtos.  

O Fernando produzia, deste modo, grande variedade e quantidade de horticultura, enquanto que a esposa, Maria Viveiros, que era o seu braço direito dirigia, com cerca de 8 homens, as respectivas vendas. Essas vendas eram essencialmente feitas a fábricas, para onde iam camiões e camiões de produtos, como matérias-primas, nomeadamente pepinos, batatas e outras variedades de hortaliças e legumes. Em estabelecimento da empresa eram feitas vendas permanentes a consumidores e a outros estabelecimentos de retalho de todo o tipo de hortaliças e legumes nela produzidos.

A sua empresa tinha advogados e escritórios de contabilidade contratados para as suas necessidades legais. Consta que chegou a ter anos em que o volume de negócios ultrapassava um milhão de dólares, dimensão pouco frequente no domínio de um emigrante, cuja escolaridade era apenas a 4.ª classe do Ensino Primário, embora desfrutando de uma privilegiada inteligência e de uma grande experiência de vida. O domínio da língua inglesa, que de início estudara com dedicação, era o necessário para dirigir com eficiência os seus negócios.

Depois de tantos anos de trabalho árduo, quer dele, quer da mulher, Fernando Gonçalves foi acometido de doença grave e fatal, um cancro nos pulmões, que o vitimou em escassos meses, vindo a falecer a 25 de Abril de 2006.

Assim, quando faleceu era um dos emigrantes portugueses mais ricos e mais realizado que existia na província de Bristish Columbia, Canadá. Deste modo, depois de cerca de 40 anos de actividade, a “Fernandos Farms Company”, fechou nesse ano de 2006, em virtude de nenhum dos filhos ter tido a coragem de a manter, apesar da muita instrução que possuem, se comparada com a dos pais.

Voltando aos anos da sua juventude, recordámo-nos que Fernando Gonçalves jogou futebol no Grupo Desportivo Fazendense, onde só as botas o incomodavam, em virtude de não estar habituado a andar calçado. Como acontecia com a grande maioria dos florentinos desse tempo, andava descalço e, antes de emigrar, salvo algumas excepções, os sapatos só terão ido aos seus pés em dias de festa ou para cumprir o serviço militar.

Por ter jogado futebol no Fazendense, quando vinha cá de visita chegou a acompanhar as “velhas-guardas” da equipa e dos dirigentes em alguns dos seus jantares de confraternização que realizávamos nas Flores, onde eu entrava, geralmente, como organizador.

 Durante a sua vida não terá viajado muito, essencialmente por falta de tempo, mas veio às Flores com a esposa, por várias vezes, onde na freguesia da Fazenda vinha visitar a irmã, Zulmira Gonçalves e os amigos. Aí tinha casa de habitação, adquirida aos herdeiros de Luís José Armas Gomes, conhecido por Luís d’Avô, casa essa que mantinha conservada para nela viver quando viesse a férias. Essa habitação fica na Rua Padre Francisco Cristiano Korth, precisamente ao lado da casa onde a mulher viveu a sua juventude. Trata-se de um património que as filhas desejam manter para o mesmo fim. 

De feitio introvertido e sério, a sua honestidade e o seu trabalho intenso, comuns à esposa, foram a base essencial de todo o seu sucesso, nos arredores da cidade de Vancouver, onde o visitei em 1984. Embora sentindo orgulho pelo êxito obtido como emigrante, era humilde e prestável para com todos os que dele careciam. 

___________

 BIBL: Currículo remetido pelo cunhado do biografado, Francisco Armas Trigueiro, elaborado em 29-11-2006, que arquivo nos meus documentos; Trigueiro, José Arlindo Armas Trigueiro, “Fazenda das Flores – Um Século de Sucesso 1900-2000”, (2008), pp. 354-356), ed. da Junta de Freguesia da Fazenda.  

 

Lido 2035 vezes
Classifique este item
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
(0 votos)
Tweet
Login para post comentários
voltar ao topo
  • Perdeu a senha?
  • Esqueceu-se do nome de utilizador?
  • Registe-se!
  • Contatos
  • Pesquisa
  • Assinatura
Copyright © Tribuna das Ilhas 2026 All rights reserved. Custom Design by Youjoomla.com
Opinião