A situação política em que vive o País é de todos conhecida. O mesmo se diga da crise económica e social em que estamos mergulhados e sem fim nem solução à vista.
Há pouco mais de um ano estávamos nas vésperas de eleições legislativas nacionais. No quadro político e partidário de então, a maioria dos portugueses preferiu votar
Estamos hoje a pagar com juros esse erro colectivo.
E, nas vésperas de um novo acto eleitoral, estamos hoje confrontados essencialmente com a mesma opção de escolha: manter no poder quem nos colocou na situação em que estamos, mentindo-nos sempre e ocultando a real situação do País, ou, de uma vez por todas, escolhermos quem, se mais virtudes não tenha, pelo menos nos fale verdade e não faça da governação um espectáculo de circo! É que, nestes anos, enquanto estes governantes andaram brincando à política e adiaram as medidas que teriam sido difíceis, mas que nos teriam colocado atempadamente em rota certa, agora deixam-nos com uma mão à frente e outra atrás, sujeitos a duríssimas restrições que podiam ter sido diluídas e mesmo algumas evitadas.
É isto essencialmente que temos de escolher no próximo 5 de Junho: ou queremos quem faz da política uma mentira e uma mistificação permanente, ou escolhemos quem nos fale a verdade, mesmo que não seja fácil nem aquela que gostaríamos de ouvir!
E, para ilustrar este quadro, deixo-vos com alguns excertos de reflexões publicadas na imprensa nacional por insuspeitos economistas:
De Vítor Bento, no Diário Económico: " (...) Este exercício [ano 2009] descredibilizou irremediavelmente qualquer informação sobre as finanças públicas proveniente do Governo ou de órgãos por si tutelados. E o que se passou com as contas de 2010 reforçou tal convicção. De tal forma que, em boa verdade, ninguém, fora do Governo, sabe a verdadeira situação financeira em que o País se encontra e que certamente será pior do que tem sido dito. Daí que não possa surpreender a coincidência entre a visita de técnicos da Comissão e do BCE para analisar as nossas contas e o subsequente anúncio de mais medidas restritivas, apesar das declarações oficiais sobre a execução orçamental. Temo, aliás e na linha dos últimos acontecimentos, que o que verdadeiramente motiva a "denodada resistência" ao apoio externo seja o receio de revelação da verdadeira situação em que nos encontramos."
De Bruno Proença, Director Executivo do Diário Económico: "Foi por isto que José Sócrates perdeu toda a sua credibilidade interna e externa. Não basta apresentar pacotes de medidas trimestrais e pedir o apoio da oposição e dos parceiros sociais. É preciso garantir que são realizados com rigor. E esta equipa do Ministério das Finanças já não consegue. (...)"
De Camilo Lourenço, no Jornal de Negócios: "Caro leitor, recorda-se do défice de 2009? Sim, aquele que era para ser de 5,9% e que saltou para... 9,3%. Pois o INE ("ajudado" por Bruxelas) diz agora que foi de... 10%. E o de 2010? Sim, aquele que o Governo disse que ficaria abaixo de 7% (com o fundo de pensões da PT). Pois, ficou em... 8,6%. Razão: esqueceu-se de contabilizar 1,8 mil milhões de euros do BPN, 793 milhões do défice de empresas de transportes e 450 milhões do BPP. É muito lixo junto para varrer para baixo do tapete... E dos défices de 2007, recorda-se? Sim, aquele que o primeiro-ministro (secundado por um ministro das Finanças sem credibilidade) chamou de défice mais baixo da Democracia (2,6%). De repente saltou para 3,1%. E do de 2008, lembra-se? Era para ficar em 2,2% e acabou em... 3,5%.
A correcção do Eurostat confirma que estamos perante a maior série de mentiras da III República, camufladas por um excelente "marketeer". O problema é que o "marketeer" se esqueceu de que não se pode enganar toda a gente... durante muito tempo. Porque a mentira tem perna curta. Nada disto seria muito grave se as consequências da falta de vergonha prejudicassem apenas o primeiro-ministro e o partido do Governo. Mas prejudicam o País: vamos viver muito pior nos próximos quatro anos porque o Governo não teve coragem de apertar o cinto logo no início de 2010.(...)"
De Campos e Cunha, no Jornal Público: " (...) estamos a viver um filme de terror em que o drácula culpa a vítima de lhe sugar o sangue. Estamos a viver o malbaratar dos dinheiros públicos durante muitos anos, com especial relevância nos últimos cinco. Estamos a sofrer as consequências da dita política keynesiana de 2009 que teria permitido que a recessão fosse apenas de 2,6%. Muitos defenderam tal irracionalidade, mas também houve quem chamasse a atenção da idiotia de tal abordagem numa pequena economia, sem moeda própria e sem fronteiras económicas (...). Tudo isto tem um rosto e um primeiro responsável. Lembrem-se disto no dia do voto (...)."
E mais não cito.
Nas eleições de 5 de Junho só será enganado quem quiser!
04.04.2011