Tribuna das Ilhas

Infinity 8
  • Início
  • Local
  • Triângulo
  • Regional
  • Desporto
  • Cultura
  • Política
  • Opinião
  • Cartoons
Últimas :
Investimento privado no Faial – realidade ou utopia?
Educação - Escola Secundária Manuel de Arriaga ocupa o 496.º lugar do ranking a nível nacional
Eleições - Carla Dâmaso assume a presidência do OMA
Agricultura - Trybio organiza cursos de instalação de pomares e de poda de fruteiras no Faial
BTT – ESMA ATIVA Primeiro encontro de BTT da ESMA junta professores e alunos
“Eco Freguesia, freguesia limpa” - Candidaturas ao programa abertas até 15 de março
Saúde - Hospital da Horta assina protocolo com Câmara Municipal da Madalena para criação de Unidade de Hemodiálise
Efeméride - Azores Trail Run® regista 4000 inscritos em 5 anos
Faial - Governo Regional assina contrato para reabilitar Solar e Ermida de São Lourenço
  • Início
  • Opinião
  • Costa Pereira
  • Quem acode ao Hospital da Horta?
01
julho

Quem acode ao Hospital da Horta?

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
  • Imprimir
  • E-mail

1. É pacífico considerar-se que o Hospital da Horta é uma das instituições estruturantes e fundamentais do viver colectivo da ilha do Faial e mesmo deste conjunto das ilhas mais ocidentais dos Açores.

Para além do importantíssimo papel que desempenha nos cuidados de saúde à população, o Hospital da Horta é um dos maiores empregadores do Faial e destas ilhas e um dos maiores pólos de concentração de quadros altamente qualificados e especializados, constituindo-se, assim, numa significativa mais-valia para a nossa sociedade.

Foi com sincera e profunda preocupação que saí, há semanas, de uma reunião com a Administração do Hospital da Horta. E também com um sentimento de empatia para com aquele conjunto de gestores que, na prática, está encurralado entre as necessidades inadiáveis da instituição e a crescente míngua de meios para lhes acudir, num ciclo de desmotivadora impotência.

O quadro não é animador. Com um passivo superior aos 40 milhões de euros e com um orçamento anual que ronda os 30 milhões de euros, a Saudaçor, porém, promove um contrato-programa com o Hospital da Horta no valor de 15 milhões de euros, o que representa, como está bem de ver, a cobertura de apenas 50% do orçamento do Hospital para o corrente ano. Daí as dificuldades de tesouraria sentidas e a razão para a Resolução do Conselho do Governo de há alguns meses, que avaliza um empréstimo do Hospital da Horta no valor de 2 milhões de euros para “apoio à tesouraria”. A preocupante conclusão só pode ser uma: o Governo Regional avaliza o recurso ao endividamento já não para viabilizar e sustentar o investimento, mas tão só para garantir liquidez à tesouraria do Hospital, que lhe permita fazer face a despesas imediatas como vencimentos.

2. A este preocupante quadro acresce uma alteração profunda que se está a desenhar no âmbito regional, com a parceria público-privada em curso na ilha Terceira para a construção do novo Hospital de Angra.

Desde logo, as dinâmicas e o modo de funcionamento deste novo Hospital, nas mãos de um entidade privada, serão seguramente diferentes e a sua política de captação de doentes muito mais agressiva e actuante. Não se espere, por isso, que, depois da sua entrada em funcionamento, tudo fique mais ou menos igual neste âmbito, porque seguramente não ficará.

Por outro lado, o novo Hospital de Angra foi dimensionado para servir a população de sete ilhas dos Açores (as dos Grupos Central e Ocidental), numa opção política legitimada e promovida pelo Governo Regional de Carlos César/Sérgio Ávila, que não se cansam de referir que com aquela infra-estrutura “passa a existir uma qualificação e uma centralidade muito grande da Terceira no Sistema Regional de Saúde”, num quadro de consolidação do seu papel no Grupo Central dos Açores.

O passado recentíssimo noutro domínio (o das Plataformas Logísticas) não engana quanto ao verdadeiro e completo alcance daquelas palavras e daquelas intenções de centralidade. E a conclusão só pode ser uma: o esvaziamento funcional do Hospital da Horta e a diluição do papel que ele desempenha no Sistema Regional de Saúde são uma ameaça real, verdadeira e próxima e que é concomitante com o quadro de asfixia financeira em que vive.

3. As opções de investimento do Governo Regional no que ao Hospital da Horta dizem respeito, no passado mais recente, ilustram bem o quadro traçado. Tomemos o exemplo das chamadas obras do “Bloco C” e de como, de adiamento em adiamento e de ilusão em ilusão, elas foram proteladas. Lembremos o Plano do Governo para 2001, onde se garantia que estava “em fase de adjudicação o reforço da estrutura do Bloco C”; ou o Plano para 2003 que garantia estar em curso “a continuação das obras de remodelação e beneficiação do Hospital, nomeadamente as do Bloco C”; ou o Plano para 2004, onde se garantia “a conclusão do reforço do Bloco C do Hospital da Horta”; para, afinal, se “descobrir”, no Plano para 2005, que a verba lá inscrita se destinava à “elaboração do projecto”.

Como se prova, de anúncio em anúncio, de equívoco em equívoco, gastaram-se dez anos e, chegados ao final do primeiro semestre de 2011, a obra efectiva ainda não arrancou. Também aqui perdeu-se tempo e oportunidade.

4. E como se não bastasse ser uma obra atrasada uma década, ela surge envolta numa censurável opção do Governo Regional, bem reveladora, aliás, das suas intenções.

O Hospital da Horta é uma infra-estrutura sobre a qual já pesa não só a idade, mas também a evolução das exigências em termos de instalações e equipamentos, por comparação com o tempo em que foi construído. Por isso, os responsáveis do Hospital da Horta sempre procuraram aproveitar as obras do Bloco C para, ganhando indiscutíveis economias de escala, promoverem uma intervenção em outras áreas de funcionamento do Hospital, melhorando significativamente a qualidade do serviço e adaptando a resposta de várias áreas às necessidades do tempo presente.

O Governo Regional recusou a realização destas importantes obras e, como tudo o que acontece no Faial, adiou-as para uma possível fase posterior às do Bloco C.

Esta lamentável decisão deitou por terra as expectativas legítimas dos responsáveis do Hospital da Horta em introduzir melhorias urgentes e complementares na instituição. Mas, para além disso, ela é bem reveladora de uma certa forma de decidir: a) ao adiar essas obras para uma fase posterior, perdem-se os significativos ganhos de escala, e elas irão custar, depois, muito mais do que feitas agora em conjunto; b) as obras do Bloco C foram postas a concurso por cerca de 15 milhões de euros; a proposta vencedora do concurso é de cerca de 11 milhões de euros, o que significou uma poupança de 4 milhões em relação ao previsto; c) com essa poupança acrescida de 2 milhões de euros, far-se-ia o total das obras e garantia-se a realização de uma só vez do investimento necessário.

Infelizmente, nada disto foi tido em conta pelo Governo Regional.

É em situações desta natureza que a força e a pressão política podem desbloquear boas soluções a favor do Hospital da Horta.

Mas o que podem esperar os Faialenses de um partido que está no Governo Regional e que tem uma estrutura local que não é tida nem achada nas decisões do Executivo e, que, quando alguma coisa diz, não passa de uma caixa de ressonância das decisões do Governo e da vontade de Carlos César?  

Em boa verdade, já nada!

Por isso, impõe-se que a “sociedade civil” tome a palavra. E diga de sua justiça.

Defender o nosso Hospital é necessário e ninguém está dispensado!                                              

 

 

Lido 1348 vezes
Classifique este item
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
(0 votos)
Tweet
Login para post comentários
voltar ao topo
  • Perdeu a senha?
  • Esqueceu-se do nome de utilizador?
  • Registe-se!
  • Contatos
  • Pesquisa
  • Assinatura
Copyright © Tribuna das Ilhas 2026 All rights reserved. Custom Design by Youjoomla.com
Opinião