Afirmam alguns entendidos que neste mundo nada acontece por acaso e que não há coincidências. Concorde-se ou não, acontecem coisas curiosas, merecedoras de registo.
Quem teve oportunidade de ir esta semana à Biblioteca Pública – que felicito pelo seu dinamismo e abertura à comunidade – ao lançamento do Livro “De Vinho e de Vida”, conheceu um poeta riograndense, terras do sul do Brasil povoadas/colonizadas por açorianos há duzentos e sessenta anos, emocionado e feliz. Tinha vindo, por sua iniciativa, conhecer o Faial, a freguesia dos Cedros, freguesia de nascimento da sua tetravó e descobrir, entre a gente, as pedras e o mar as suas raízes ancestrais.
Beatriz Madruga fez as honras da apresentação do livro e
No dia seguinte, já no Salão Nobre da Câmara Municipal e por feliz iniciativa do seu Presidente, apresentava-se a fotobiografia do nosso primeiro presidente da República, Manuel de Arriaga. Um momento solene de homenagem à nossa história, que deu valiosos contributos ao pensamento e à acção da República. O poeta brasileiro e o seu filho ali estavam, para conhecer um pouco mais do percurso mais íntimo (que as fotobiografias proporcionam) de quem deu nome à nossa Escola Secundária. A neta de Manuel de Arriaga, D. Teresa, era a convidada de honra da sessão.
Apresentações feitas e descobre-se, confirmando de resto o que já fora afirmado na apresentação do livro pela Professora Joana, que Manuel de Arriaga tinha um único irmão que partiu para o Brasil, lá vivendo até ao fim dos seus dias, e deixando descendência. Essa descendência fixou-se no Rio Grande do Sul e a bisneta Arriaga, jornalista, é uma grande amiga do nosso poeta que, por acaso ou não, desvendou ali mesmo o percurso da família Arriaga no Brasil, informou que a bisneta de Arriaga e prima de D. Teresa se encontrava naquele preciso momento em Nova Iorque – por essa razão não tinha vindo aos Açores ao lançamento do livro do seu amigo poeta.
D. Teresa, emocionada por se ver a um passo de um contacto familiar longínquo porém agora tão próximo, autografou um livro para a sua prima e sorriu à esperança de retomar uma ligação familiar que a nossa história de partidas tinha afastado mas que os sempre bem-vindos regressos aproximam, de uma maneira ou de outra.
Reproduzo aqui, sucintamente, este episódio, cujo paradigma testemunhei centenas de vezes ao longo da minha vida, mas nunca com um toque tão especial: Guilerme Rodrigues veio do Rio Grande do Sul, não apenas apresentar o seu belo néctar de vida, mas unir a família do primeiro Presidente da República, no encerramento da celebração do centenário. Acredite-se ou não em coincidências…