Foi esta semana lançada, em Lisboa, a Estratégia do Atlântico, com a presença do Presidente da República, do Primeiro-Ministro, da Ministra do Mar, do Secretário do Mar e da Comissária Europeia das Pescas, bem como de altos representantes dos cinco países implicados nesta Estratégia – para além de Portugal, Espanha, França, Reino Unido e Irlanda – e funcionários destacados de Direcções Gerais da Comissão Europeia, num anfiteatro para 1.800 pessoas completamente cheio com profissionais muito diversificados. Este quadro evidencia bem a importância europeia e nacional do evento, o empenhamento e o compromisso político em torno desta Estratégia, e ainda a atenção e o interesse que uma pluralidade de actividades económicas e sociais lhe dedica.
Em que consiste, pois, a Estratégia para o Atlântico? Numa política comum a todos os países atlânticos para uma gestão de desenvolvimento sustentável deste oceano, tomando em consideração todas as actividades que nele se desenrolam e que dele beneficiam, desde as mais tradicionais – a pesca e os transportes – às suas vertentes mais modernas – como sejam, respectivamente, a aquacultura e a construção naval e reparação de navios apoiadas em alta-tecnologia -, e ainda actividades mais recentes – nomeadamente o turismo ou o desporto – e fortemente inovadoras como se verifica com a designada blue technology, que envolve, por exemplo, as energias renováveis e a biotecnologia marinha.
O objectivo é, pois, favorecer o desenvolvimento das várias actividades que têm lugar no mar, articulando-as de forma a evitar conflitos e a potencializar recursos humanos, financeiros e técnicos, desencadeando uma verdadeira economia do mar; além de tomar o Atlântico como instrumento de coesão territorial, de recentramento da União Europeia e de eixo de desenvolvimento macro regional; e ainda de permitir que o cidadão europeu usufrua maximamente do oceano Atlântico, garantindo a preservação ambiental e a salvaguarda da diversidade animal. Em suma, a Estratégica para o Atlântico consiste numa nova visão do Atlântico e propõe um novo relacionamento com este oceano.
Ora, as Regiões Ultra-periféricas, como os Açores, são constituintes identitárias do oceano Atlântico e potencialmente as regiões que mais poderão beneficiar desta Estratégia para o Atlântico, devendo para tal colocar-se em linha com os objectivos traçados para a mesma e participar activamente na elaboração do seu respectivo Plano de Acção, estabelecer prioridades estratégicas para o arquipélago e desenvolver políticas que as implementem, aproveitar os fundos associados a esta Estratégica de forma reprodutiva e criar condições para atrair investidores privados. Saibamos, pois, converter a vivência tradicional de um Atlântico distanciador numa visão moderna de um Atlântico como espaço de oportunidade para desenvolvimento global.
2.12.2011