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  • O ataque ao Quartel de Beja foi há 50 anos (1961)
13
janeiro

O ataque ao Quartel de Beja foi há 50 anos (1961)

Escrito por  José Armas Trigueiro/Foto: DR
Publicado em José Trigueiro
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EFEMÉRIDE

Foi morto nele o Subsecretário de Estado do Exército Jaime Filipe da Fonseca

Ainda o ano de 1961 não havia terminado, com todos os azares por que Salazar passara nesse ano, já se preparava um novo golpe ao Estado Novo. Desta vez a oposição portuguesa preparou-se para levar a efeito um novo Golpe de Estado a Salazar e o dia escolhido foi precisamente na noite do último desse ano, em 31 de Dezembro. Estava por detrás do Golpe o General Humberto Delgado.

 O Prof. António de Oliveira Salazar (1889-1970), quando ascendeu ao cargo de Presidente do Concelho,  fundando o regime ditatorial do Estado Novo, tinha 43 anos de idade.

A humilhação e o risco deixara-o política e internacionalmente “arrasado”: em Janeiro, fora o assalto ao navio “Santa Maria”, efectuado pelo Capitão Henrique Galvão; em Março, rebentara a guerrilha em Angola que levaria à independência das colónias portuguesas; em Abril, o “Golpe de Estado” frustrado de Botelho Moniz, estivera à beira de alterar o destino do regime, facto que teria certamente evitado as guerras naquelas colónias; na primeira metade de Dezembro, a União Indiana acabava de anexar os territórios de Goa, Damão e Diu. Em 31 de Dezembro, o General Humberto Delgado preparou um ataque ao Quartel de Beja, que seria o princípio de um Golpe de Estado a Salazar. Desta vez este era iniciado pelo Sul, contrariando o que dera origem ao Estado Novo, em 28 de Maio de 1926, que tivera início pelo Norte, em Braga.

Estava-se, portanto, no último dia desse ano de 1961 e o General Humberto Delgado, que se exilara no Brasil, como líder da oposição ao regime do Estado Novo, havia preparado esse ataque. Ele próprio entrara pela Espanha no Baixo Alentejo.       Segundo o historiador Joaquim Veríssimo Serrão, a polícia do regime fora avisada de que se preparava uma revolta militar, embora não soubesse onde e quando. Por sua vez José Freire Antunes escreve que nesses últimos meses do ano (talvez face a essa suspeita) foram presos pela PIDE importantes quadros do Partido Comunista, designadamente: «Pires Jorge, Blanquim Teixeira, Octávio Pato, Dias Lourenço, Carlos Costa e Américo Sousa».           

Todavia, os opositores que estavam com Humberto Delgado eram um pequeno grupo do centro-esquerda da oposição. Destes merecem destaque, «Manuel Serra, o Cap. Varela Gomes, Fernando Piteira Santos e Edmundo Pedro», acompanhados de outros amigos. E, contrariamente ao que haviam feito os militares que fizeram o Golpe de 28 de Maio de 1926 – que iniciaram no Norte a revolta que levou Salazar ao poder e à ditadura – os companheiros de Delgado deram início ao Golpe no Sul do País. O próprio General entrara em Portugal através da Espanha pelo Baixo Alentejo, acompanhado da sua secretária Arajaryr Campos. Na noite de 30 de Dezembro dormira na Pensão S. Jorge, em Vila Nova de Ficalho, e, a seguir, embora disfarçado, passa para uma vivenda alentejana que se encontrava desocupada, para não deixar suspeitas. Teria preparada uma comunicação ao País que deveria fazer, como Presidente da Junta Nacional Independente para a Libertação (JNIL).   

O Golpe teve início às 2:00 horas da madrugada, com base num ataque ao Regimento de Infantaria n.º 3, em Beja, quando ali chegaram duas viaturas. Nelas vieram o capitão Vasconcelos Pestana e o Tenente Hipólito dos Santos, que faziam parte da guarnição, bem como alguns dos seus amigos. Estava de oficial de dia o alferes Arantes e Oliveira que foi logo preso, ao mesmo tempo que o capitão João Paulo Varela Gomes (que anos depois viria a ser figura importante na “Revolução do 25 de Abril” como adjunto de Otelo Saraiva de Carvalho no COPECON) se dirigiu ao aposento do 2.º comandante, major Galapez Martins. Este, como havia sido previamente «informado dos rumores incertos que corriam», pusera as suas tropas de prevenção. Da troca de tiros então havida, «resultou que o capitão Varela Gomes foi gravemente atingido no baixo-ventre», refere o historiador Veríssimo Serrão.  

Ao local acorreu a Polícia de Segurança Pública de Beja que começou a atacar os insurrectos de fora para dentro. Estes, segundo consta, seriam constituídos apenas por alguns militares e por 35 civis, dirigidos pelo capitão Varela Gomes. No tempo constou que na organização do golpe estaria também Manuel Serra, elemento da oposição moderada portuguesa, que depois da queda do regime de Salazar passou pelas fileiras do Partido Socialista e chegou a constituir e a liderar o PSR- Partido Socialista Revolucionário, que esteve coligado com o PS em 1985.

Ao saber do ataque pouco depois do seu início, o Subsecretário de Estado do Exército, tenente-coronel Jaime Filipe da Fonseca, deslocou-se logo de Lisboa para Beja, onde chegou cerca de três depois, por volta das 5:00 horas da madrugada. Constou que na ocasião a intentona já teria sido dominada e que esse membro do Governo de Salazar, ao dirigir-se à porta de armas, foi atingido mortalmente por uma rajada de metralhadora desferida pelas sentinelas do quartel, possivelmente por engano. Como havia censura feroz nesse tempo, pouco se soube na ocasião desse ataque ao Quartel de Beja.   

Porém, o historiador Joaquim Veríssimo Serrão escreve que «os tiros de fogo entre as forças fiéis ao Governo e os insurrectos ainda eram renhidos”.”Quiseram as adversas circunstâncias que o tenente-coronel fosse apanhado por uma rajada de metralhadora e viesse a falecer».

Esse historiador, menciona que «Além do procedimento criminal a que o Ministério do Exército sujeitou os intervenientes no ataque» […] «não deixou o Estado de galardoar os oficiais, sargentos e praças que se haviam oposto à tentativa de subversão revolucionária», mencionando a seguir os seus nomes. Deles não consta o nome do major Galapez Martins que, como 2.º comandante do Regimento, providenciara na sua prévia segurança ao ter as suas tropas de prevenção. Terá sido culpado do acidente do Subsecretário? O referido historiador menciona também os nomes dos agentes da PSP que foram elogiosamente galardoados.

O General Humberto Delgado, que nas suas memórias assumiu a sua presença em Beja e a chefia do movimento, terá referido nelas que, ao aperceber-se da sua má organização no terreno, deixou de acreditar no seu sucesso. Admitiu ainda nelas não ter conseguido entrar em contacto com os atacantes ao Quartel de Beja, falha essa motivada pelas poucas comunicações existentes nesse tempo no País. Como se sabe, estava-se ainda longe do uso dos telemóveis e das fáceis comunicações da Internet.

 Ele, pela sua parte, tinha preparada uma proclamação para ler ao País, e a sua secretária transportava a sua farda de gala para ele se apresentar aos portugueses pela televisão.   

O golpe, que chegara a estar previsto para o dia 3 de Dezembro, foi certamente atrasado devido a dificuldades organizativas, tanto mais que na ocasião os acontecimentos ocorridos no Estado Português da Índia envolviam todas as atenções políticas do País.

Refira-se, a propósito, que o General Humberto Delgado, em Fevereiro do ano de 1965, viria a cair numa cilada organizada de forma semelhante àquela, perpetrada pela PIDE, a polícia política do regime. Assim, ao deslocar-se à fronteira Espanha-Portugal, a Villanueva del Fresno, julgando que se ia encontrar com elementos da oposição portuguesa, foi criminosamente abatido por agentes daquela polícia em 14 de Fevereiro. Com ele foi morta a sua secretária Arajaryr Campos. Segundo consta, terão sido baleados pelo agente Casimiro Tienza. Esse assassinato, depois do “25 de Abril de 1974”, foi julgado por um Tribunal Judicial Português, sem que os responsáveis estivessem em Portugal. Consta que Salazar, que terá ficado preocupado com esse crime, só terá tomado conhecimento dele depois do mesmo estar consumado, nada tendo acontecido aos que o cometeram.

Assim, o ano de 1961 viria a ser o início da queda do Império Português!

 Bibl: Serrão, Joaquim Veríssimo, “História de Portugal”, Volume XVIII, (1960-1968), pp. 86-89 e 178-180, ed. Verbo; Antunes, José Freire, “Kennedy e Salazar – o leão e a raposa” , (1992), edição Círculo de Leitores.

 

 

            

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