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20
janeiro

Vasco, o Arauto

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
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1. Desde o último Verão que Vasco Cordeiro anda numa azáfama permanente. Ele é o Secretário Regional da Economia no legítimo desempenho das suas funções e nas áreas da governação que lhe estão cometidas. Ele é o representante do Presidente do Governo em quase tudo o que é cerimónia, sobretudo quando envolva umas palavrinhas, uns beijinhos e uns abraços. Ele é o omnisciente membro do governo que nessa qualidade (e com todas as "facilidades" que isso significa) anda calcorreando todas as ilhas com objectivos que claramente ultrapassam os da estrita governação. Ele é o Secretário da Economia indistintamente travestido de candidato do PS às eleições regionais deste ano, que anuncia medidas e faz promessas em todas as áreas da governação, numa demonstração clara que a campanha eleitoral já começou.

2. Numa primeira e imediata associação, estes últimos seis meses de Vasco Cordeiro fazem lembrar o Arauto, essa imprescindível figura do funcionalismo régio medieval, a quem estavam cometidas, entre outras e decisivas funções, a de fazer proclamações solenes, transmitir mensagens em representação do Rei, sendo, por isso, muitas vezes, a pessoa que anunciava as notícias em voz alta, tornando-as, assim, públicas. Verdadeiramente é nisso que Vasco Cordeiro se está a especializar: ser um anunciador de medidas e de promessas, qual Arauto dos tempos contemporâneos.

3. Certamente refém das agências de imagem e de propaganda que o assessoram, Vasco, o Arauto, vai a tudo: não é suficientemente conhecido na “ilha x”, então vai até lá, de abalada, fazer umas reuniões e uma visita, não interessa com quem nem sobre o quê, nem sobretudo se são na sua área da governação. Nas sondagens, os resultados não são bons na “ilha y”, então toca de lá ir prometer aquilo que as pessoas gostam e querem ouvir.

4. Nestas coisas, o excesso mata. Mas, apesar disso, cobrindo-se do ridículo que a situação encerra, Vasco, o Arauto, persiste: da agricultura à educação, passando pela solidariedade, de tudo já nos presenteou com promessas e anúncios de que agora é que vai ser. E, neste afã, vale tudo. Vejamos um exemplo paradigmático: no ano de 2010, o deputado Paulo Estêvão, eleito pelo PPM, apresentou na Assembleia Legislativa dos Açores, um Projeto de Resolução que propunha a "Criação do Ensino Secundário regular na Ilha do Corvo". Essa proposta foi "chumbada" pelo PS. Na altura, o Governo regional, disse que a criação do ensino secundário regular na ilha do Corvo "não só é inexequível, como representaria uma séria limitação dos possíveis percursos formativos dos alunos"; e o Governo, pela voz da responsável da tutela, disse mais; disse que o "reduzido número de alunos que se tem verificado anualmente, e que se perspectiva para o futuro, inviabilizam a solução proposta" e "implicaria a constituição de turmas de dimensão diminuta, pouco recomendável do ponto de vista pedagógico". E o Governo regional concluía, para fundamentar a sua oposição à proposta do PPM, que no Corvo, "se perspectivam que venham a frequentar o ensino secundário no futuro os seguintes alunos: 2010 - 0; 2011 - 2; 2012 - 4; 2013 - 4; 2014 - 4; 2015 - 6."

Ora, sendo que na altura em que a proposta foi chumbada na Assembleia, já estava determinado em Lei a escolaridade obrigatória de 12 anos, o que mudou, entretanto, para que Vasco Cordeiro venha agora anunciar a abertura do ensino secundário no Corvo, uma coisa que o Governo a que ele pertence se opôs e com os argumentos atrás explicitados? Há um "boom" demográfico no Corvo? As turmas já não vão ter dimensão diminuta? O que aconteceu, entretanto, para aquilo que não era exequível ser aprovado em 2010, já o seja para 2012-2013? Sabemos todos bem o que é: as eleições no final deste ano!

5. Mas, insensível a tudo isto, Vasco, o Arauto, mantém o rumo: na Terceira está um "mãos largas", que os votos bem precisos serão! Querem a plataforma logística da Praia da Vitória a funcionar? Então vai de apressar a sua implementação (ah! que grato está Vasco aos fiéis deputados do PS Faial que aprovaram com o seu voto em 2010 as plataformas logísticas...): é já reunir com os transportadores e acertar logo uma ligação directa quinzenal com Lisboa, mantendo-se todas as outras, num contexto em que as quantidades de carga transportada estão a diminuir!

E para Angra? O que temos mais à mão? Um Cais de Cruzeiros? Óptimo, é isso mesmo!

Cá vai o Projecto para discussão pública. Custará cerca de 60 milhões de euros? Os angrenses não estão muito convencidos?

Vasco, o Arauto, não teme: não será isso que o impedirá de avançar!

6. "As ilhas de baixo contam menos na aritmética eleitoral. No Faial, por exemplo, com mais ou menos voto, a distribuição de deputados será a mesma", ouve Vasco dos seus assessores. Por isso, para o Faial, Vasco, o Arauto, pesa mais as palavras e faz contas antes de entrar em cena.

Carlos César, em 2004, prometeu "olhos nos olhos" aos Faialenses, ali nos Flamengos: " se o Governo da República ou a empresa ANA não ampliarem a pista do Aeroporto da Horta, o Governo Regional assumirá essa obra". Mas, Vasco, o Arauto, devidamente assessorado, decidiu enterrar já essa promessa. 70 Milhões de euros para aumentar 500 metros e ter na mesma dois deputados? É muito caro!

Mas não pode deixar de dizer alguma coisa. E diz, com aquele ar teatral, na Assembleia Legislativa, onde as palavras ficam gravadas: “Se os açorianos me derem a sua confiança em Outubro, os faialenses podem contar com o próximo Governo Regional dos Açores, presidido por mim, para apoiar o Governo da República na concretização desse investimento”!

7. Ora, revisitemos os factos da ampliação da pista do Aeroporto da Horta: a) pelo menos desde 2005 é público que a ANA não estava disposta a assumir essa obra por não a considerar prioritária nem rentável, como foi dito aos representantes do Conselho de Ilha do Faial; b) pelo menos desde 2006 é público que o Governo da República decidiu não assumir tal obra, pois aprovou as “Orientações estratégicas para o sistema aeroportuário nacional” para os próximos vinte anos e nelas não consta a ampliação da pista do Aeroporto da Horta; c) a mesma condenável indisponibilidade foi agora confirmada pelo atual Governo da República.

Neste contexto, as palavras de Vasco Cordeiro significam que, com ele no Governo da Região, nada se fará relativamente à ampliação da pista do nosso aeroporto. E por uma simples e única razão: qual o efeito prático de apoiar o Governo da República a fazer uma obra, se ele, Governo da República, já disse que não a assume? Obviamente, nenhum!

Por isso, as palavras de Vasco, o Arauto, são uma completa e condenável hipocrisia política, pois dispõe-se a apoiar algo que ele já sabe que não se concretizará: de uma vez, Vasco Cordeiro, enterrou a promessa de Carlos César e a própria concretização da obra no futuro imediato.

E pior ainda é haver aqui, no Faial, quem já se disponha a fazer coro de apoio a esta hipocrisia.

Mas esses são os mesmos do costume!


 

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