O chamado triângulo das nossas ilhas (S. Jorge, Pico e Faial) está de parabéns. Os barcos que vão substituir os atuais nas ligações marítimas de todo o ano primam por um novo conforto aliado à segurança e estabilidade e a um visual muito agradável (embora este último aspeto seja mesmo o último que nos importa referenciar). É um salto visível na qualidade da prestação de serviços e esperamos que também na quantidade, já que o número de passageiros e de mercadorias nos últimos vinte anos subiu consideravelmente. Pois bem: pode esse número continuar a aumentar, porque os barcos têm uma capacidade significativa: um para 333 e outro para 287 passageiros; um para transportar 8 viaturas, o outro, 12 viaturas.
Esta operação, como todos sabem, é uma aventura em certos dias e só graças à perícia dos nossos mestres e ao apoio da tripulação tem sido possível realizar travessias dignas de registo para a posteridade. Muitas vidas já foram salvas por esses bravos homens de quem poderá não rezar a história mas que estão bem guardados na gratidão de algumas famílias. Bem hajam!
Os barcos apresentam, de acordo com os entendidos (limito-me a acreditar não nos que falam por falar mas nos que já enfrentaram muitas vezes mar alto levando o barco a bom porto!), boas condições de navegabilidade, estabilidade e segurança, bem como uma separação das várias áreas (transporte de doentes, camarotes, área técnica, salas de passageiros, refeitório, cozinha, bar, sanitários da tripulação e dos passageiros) muito adequada às diferentes utilizações. Os barcos são – numa palavra – bons.
Esta aposta do governo representa um notável cuidado na seleção das prioridades relacionadas com o mar e resulta – como afirmou o Secretário da Economia – do triângulo estar na vanguarda dos transportes marítimos de passageiros no arquipélago. Acrescento: e denota igualmente um grande respeito pela geografia e pela história destas ilhas. Governa-se bem, meus amigos, não com promessas bonitas mas com atos de coragem política em tempo de crise, sabendo distinguir o que é de distinguir, dando prioridade ao que nos traz mais valor e adiando o que não traz, no imediato, sustentabilidade nem qualidade de vida às populações. Estou certa de que faialenses, picoenses e jorgenses saberão reconhecer este esforço financeiro e os benefícios que ele trará para as nossas ilhas e para a nossa cotação turística.
Esta aposta nas ligações marítimas entre as nossas ilhas nem sempre foi coroada de sucessos. Admitimo-lo, e é bom sinal admitirmos as nossas falhas (ai de quem nunca tem dúvidas e raramente se engana!) porque a humildade é um traço essencial para o diálogo, para o aperfeiçoamento dos nossos atos, para nos superarmos. Mas a aposta agora adjudicada contém todos os requisitos para ser um êxito que abrange toda a população residente, todos os visitantes, e de modo muito especial, os doentes que passam a deslocar-se em condições mais dignas e reservadas – o que é de indubitável importância (compreendida, alias, e aplaudida por quem teve ou tem familiares doentes a transitar no canal).
A aposta está tão correta e colhe tantos apoios que já alguns tentam denegri-la com argumentos inconsistentes, aqueles argumentos comuns de quem está sempre à procura de uma palha para atear um fogo. Haja paciência pascal durante todo o ano…
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