A saída da Grécia do euro não é um tema novo; mas é pela primeira vez uma hipótese real. A credibilidade de que esta hipótese hoje se reveste é-lhe conferida pela sua formulação pública por parte de altos responsáveis políticos e financeiros a nível europeu e mundial, como sejam o Presidente da Comissão Europeia e a Directora do Fundo Monetário Internacional/FMI. Que várias personalidades há muito o receavam, sem dúvida; que já entre si falavam, é certo; que ousassem oficialmente dizê-lo, nunca…até agora!
E a hipótese é péssima. A saída da Grécia do euro é péssima para a Europa. Péssima, primeiro, no plano político porque marca um inegável recuo no projecto de construção europeu que, por natureza, é evolutivo, colocando assim em risco o próprio projecto; também no plano económico, porque implica prejuízos avultados para todos os Estados-membros difíceis de calcular nos seus impactos concretos; e ainda no plano social, porque os cidadãos europeus, em geral, ficarão mais pobres, pagando o afundamento da Grécia.
A saída da Grécia do euro é péssima para Portugal. Péssima no plano político, porque uma vez transposto o impossível, este torna-se possível também para nós, ficando Portugal obviamente mais vulnerável política mas também económica e socialmente: os bancos portugueses terão prejuízos avultados com reduzida ou inexistente margem para os gerirem, o que se refletirá na nossa economia, com cada vez menor e mais difícil acesso ao crédito, e na nossa sociedade, a sofrer o impacto violento de continuados descontrolos económico-financeiros.
A saída da Grécia do euro é péssima para a Grécia que, no plano político, perderá, não formalmente mas de facto, o estatuto de igual entre os demais Estados-membros com capacidade reivindicativa e negocial nos vários domínios da política europeia, e se arrisca mesmo a sair também da União Europeia, ficando-lhe vedado todo o acesso a fundos de apoio ao desenvolvimento. No plano económico-financeiro, não pagando as suas dívidas ficará ostracizada durante largas décadas no mercado mundial, além de entrar em bancarrota, sem capacidade sequer para emitir moeda. Eis o que, no plano social, sem poder pagar ordenados ou manter as instituições públicas abertas, desencadeará convulsões sociais imprevisíveis.
E perante a iminência do desastre, a democracia tem de continuar a funcionar o que, na Grécia, significa novas eleições, com a elevada probabilidade da Esquerda Radical vencer e assim se tornar inevitável a saída da Grécia do euro. Apesar de se saber que a maioria dos gregos não quer sair do euro, a actual previsão do seu voto, a concretizar-se, ditá-lo-á.
E se é verdade que a solidariedade é um imperativo europeu, que não deixaremos de reivindicar, ela não é gratuita de responsabilidades e compromissos e tão pouco pode ser imposta. Terá de ser sempre a democracia a prevalecer. Se a opção grega nas urnas for a do incumprimento e assim a da saída do euro, então, e não obstante os prejuízos ainda incalculáveis para a União Europeia, que a decisão seja assumida e recomecemos daí.
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