Em economia e gestão é muito comum utilizar uma ferramenta para fazer uma análise do cenário em que se vive e que será usada como base para a gestão e planeamento estratégico duma empresa, mas que pode, devido à sua simplicidade, ser utilizada para qualquer tipo de análise de cenário, desde a criação de um simples produto à gestão de uma multinacional ou à gestão de instituições públicas.
Esta técnica efectua uma síntese das análises internas e externas, analisando quais os pontos fortes e pontos fracos, quais os pontos que colocam a organizacao perante as outras. Quais as oportunidades e ameaças que vêm de fora da organização e que vão afetá-la no futuro. É, assim, uma ferramenta chave para a gestão, o que implica estabelecer prioridades de atuação, preparar opções estratégicas e identificar os riscos/problemas a resolver.
Esta técnica de análise já era utilizada há mais de dois mil anos e é sintetizada num conselho chinês: "Concentre-se nos pontos fortes, reconheça as fraquezas, agarre as oportunidades e proteja-se contra as ameaças".
Transpondo para a nossa realidade, a questão que se coloca é se os Faialenses sabem, com tantos estudos que são feitos, tantos planos estratégicos que são apresentados em vários domínios da nossa gestão pública, quais são os seus verdadeiros pontos fortes, pontos fracos, ameaças e oportunidades.
Não basta estes documentos serem discutidos na assembleia regional; para além dos debates públicos, deviam ser apresentados nas escolas públicas e profissionais, nas associações agrícolas, nas associações empresariais e nos sindicatos. Para que toda agente reme no melhor sentido e dê o seu melhor contributo à terra.
Infelizmente receio que esta informação não seja verdadeiramente transmitida e, dessa forma, que os nossos pontos fortes, se existirem, não sejam trabalhados de modo a mantê-los nesse nível nem a fortalecê-los, como seria desejável.
É importante saber quais são os nossos pontos fracos e o contributo necessário para que sejam eliminados ou, caso tal não seja possível, pelo menos, minimizados.
E há que deixarmo-nos de soberbas e, se houver oportunidades, que sejam para todos, do conhecimento de todos, e que metamos as mãos à obra para ganhar, para criar o máximo de valor possível para a nossa terra, aproveitando-as ao máximo.
E como há mais de dois mil anos, temos que nos proteger com todas as nossas forças contra as ameaças externas, que são muitas, e cada vez mais podem condicionar o futuro de quem vive nesta ilha.
Focalizando duma forma sintética apenas os pontos fracos do Faial, os quais serão muitos e diferentes consoante a perspetiva de quem os analisar, aponto, como exemplo, a ausência de crescimento sustentado da população, a falta de dimensão do mercado para se gerar fortuna, a falta de um modelo económico, o adiamento de infraestruturas verdadeiramente âncoras de desenvolvimento, a ausência de governantes ao mais alto nível executivo regional, o servilismo político, e fico-me por aqui, para não causar depressão no leitor.
Destes pontos fracos, o que considero mais preocupante e que castra o desenvolvimento socioeconomico é o servilismo político, em primeiro lugar, por ser um baixo golpe democrático, a roçar a antiga senhora. Em segundo lugar, porque ao vermos umas juntas de freguesias gordas e outras magras, associações sindicais politizadas, associações empresariais menos reivindicativas que um defunto, um município ao serviço do partido, que pauta certas decisões da autarquia em função do partido político do governo da república e até aniversários de instituições culturais e recreativas politizados, chegamos à conclusão de que temos pontos fracos que têm de ser resolvidos urgentemente, a bem do Faial.
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