A semana política europeia foi indubitavelmente marcada pelo pedido de resgate da Espanha ditado pela urgência extrema de recapitalização da banca. O contexto – o antes, o durante e o depois – foi marcado inexoravelmente pela “montanha russa” dos altos e baixos dos anónimos e implacáveis mercados: a crescente subida das taxas de juros das obrigações espanholas, já muito perto dos fatídicos 7%, tornou inevitável o pedido de ajuda externa; o anúncio da disponibilização de 100 mil milhões de euros à banca pareceu aliviar a pressão tendo permitido mesmo significativos lucros da bolsa no dia seguinte; a subida de juros, porém, reinstalou-se quase de imediato e com valores semelhantes aos registados antes do pedido de ajuda.
Simultaneamente, Christine Lagarde, com o peso que se reconhece à palavra da directora do FMI, diz que temos três meses para salvar o euro, no prolongamento de uma crise que se arrasta há dois anos - um tempo vertiginoso em que o ritmo da “montanha russa” dos designados mercados determinou as súbitas e sucessivas alterações de humor dos políticos como dos cidadãos em geral: entre a euforia do anúncio prematuro de uma solução e a depressão da inevitabilidade do seu fracasso. Hoje, parece termos uma relação bipolar para com a Europa.
Depois da Irlanda, da Grécia, de Portugal, é agora a vez da Espanha, e a Itália poderá não tardar até porque a sua situação é efectivamente mais grave do que a da Espanha e as taxas de juros das obrigações italianas também já atingiram valores próximos do insustentável. E na calha deste desmoronamento segue-se a França... Entretanto, pendente, qual espada de Damocles, aguarda-se pelos resultados das eleições na Grécia que tanto podem ditar a inevitabilidade da saída do euro como o prolongamento da actual situação económico-financeira sem recuperação à vista.
O futuro de Portugal está dependente de toda esta dinâmica que ameaça colapsar. Porém, entre nós, o tema maior da semana foi o de saber se o vizinho ficou melhor do que nós na negociação do seu empréstimo porque então queremos o mesmo também, sem considerar que o resgate financeiro da Espanha foi apenas para a banca e que a situação macroeconómica dos dois países é distinta. A querela lançada pelo PS e com que muitos se entretiveram será pouco mais do que estéril, até porque, já em ocasiões anteriores, a renegociação das condições do empréstimo a uns implicou o ajustamento das condições a todos.
O problema é outro: é o do futuro do euro, do futuro da União Europeia, do futuro de Portugal. E vêm-me à memória as palavras do Presidente Durão Barroso no seu primeiro discurso da União, há dois anos, em 2010: "ou sobrevivemos juntos ou afundamo-nos um a um"!
www.patraoneves.eu