Tribuna das Ilhas

Infinity 8
  • Início
  • Local
  • Triângulo
  • Regional
  • Desporto
  • Cultura
  • Política
  • Opinião
  • Cartoons
Últimas :
Investimento privado no Faial – realidade ou utopia?
Educação - Escola Secundária Manuel de Arriaga ocupa o 496.º lugar do ranking a nível nacional
Eleições - Carla Dâmaso assume a presidência do OMA
Agricultura - Trybio organiza cursos de instalação de pomares e de poda de fruteiras no Faial
BTT – ESMA ATIVA Primeiro encontro de BTT da ESMA junta professores e alunos
“Eco Freguesia, freguesia limpa” - Candidaturas ao programa abertas até 15 de março
Saúde - Hospital da Horta assina protocolo com Câmara Municipal da Madalena para criação de Unidade de Hemodiálise
Efeméride - Azores Trail Run® regista 4000 inscritos em 5 anos
Faial - Governo Regional assina contrato para reabilitar Solar e Ermida de São Lourenço
  • Início
  • Opinião
  • Fernando Guerra
  • Peixe frio da vergonha!
27
julho

Peixe frio da vergonha!

Escrito por  Fernando Guerra
Publicado em Fernando Guerra
  • Imprimir
  • E-mail

Sabemos que os Açores têm um acesso privilegiado ao mar e aos seus recursos piscatórios, mas em contrapartida estamos distantes dos mercados consumidores.

Sabemos que temos uma indústria conserveira com demasiada intervenção do sector público, quer na detenção de capitais públicos em São Jorge, quer na decisão de fechar no Faial, para instalação noutros locais apenas por interesse político. 

 Sabemos ainda que, ao nível tecnológico, muitas destas unidades estão a tornar-se obsoletas.

 Perante este cenário, ao nível governamental e sabendo-se que as alterações da legislação europeia levariam ao aumento da concorrência, devia-se ter criado e aplicado sistemas de incentivos às pescas que permitissem a melhoria da produtividade das embarcações, da formação dos pescadores e a adaptação da capacidade de laboração do pescado.

Mas principalmente ao nível de gestão, devia-se ter criado condições para um aumento da valorização de mercado, para conhecer os mercados emergentes e mais valorizadores da compra, no sentido de capitalizar. Ou seja, com o mesmo pescado, criar o maior valor possível por quilo, com efeitos extremamente positivos para a Região, mantendo, e até criando, mais emprego e riqueza.

Outra questão fundamental é a denominação de origem. A pesca exportada tem que ter o selo açoriano, pois sendo de qualidade, vem criar valor de que tanto precisamos.

Neste contexto, como se deve interpretar o que está a acontecer na baía da Horta, onde estão licenciados quatro navios-frigorífico, que já recolheram mais de 2500 toneladas de atum das espécies patudo e voador, que será vendido nos mercados internacionais, nomeadamente Espanha e Japão? E as declarações de responsáveis, afirmando tratar-se da melhor opção para os armadores e que se está a cumprir as regras comunitárias?

Será que apenas isto é tudo o que se consegue durante quase 26 anos de apoios e políticas de pescas nos Açores? Ou seja, apenas ficar com a primeira fatia do negócio, a captura e venda do pescado por inteiro sem transformação?

Não, obrigado, não aceito essa areia que nos atiraram aos olhos, nem os faialenses, nem os açorianos a devem aceitar! E as razões são muito simples.

Em primeira análise, os responsáveis demonstraram incapacidade governativa no caso de haver um vazio no aproveitamento da valorização do pescado por parte dos armadores, que estão a cumprir a sua missão. Dever-se-ia efetuar os procedimentos modernos e rápidos de atuar, de modo a acrescentar valor à cadeia e ir buscar parte do valor entregue (dado) de 2,5€/kg e os 25€ a 50€/kg que estão a valer nos mercados internacionais.

 Mais, esta situação torna caricata a decisão de se ter desinvestido na conserveira na ilha do Faial, não só na área de laboração e transformação, mas também na capacidade de frio instalada para anos de maior captura. Esta foi uma má decisão por todas as razões já enunciadas e pelo facto de que o porto da Horta continua a ter capacidade de captura de peixe.

 

A outra questão fundamental e imperdoável ao nível governativo consiste na demissão de competência na valorização. Coloco a questão se não seria possível a sua transformação na rede regional, tanto mais se temos aviões, uns comprados, outros alugados, que até para o Brasil já vão, se alugamos barcos, a peso de ouro, aos gregos para o transporte marítimo de passageiros, então porque os barcos de frio também não são de iniciativa regional? 

Os responsáveis não podem andar o ano todo a pensar apenas em casas de apetrecho para haver fanfarra e aparecerem na televisão e justificar as ajudas de custos quando se deslocam pelas ilhas. Têm outras e mais competências, e isto é que faz a diferença entre o trabalho normal dentro do sector e a excelência que se pretende. E caso não saibam como se processam estas transações, contratem quem sabe, pois assim pior parece impossível.

Em resumo, ao vermos agora afixados cartazes políticos a falar em emprego, enquanto se vende peixe à peça sem ser valorizado, transformado e transportado pelos açorianos e sem ganharmos em todas as linhas e nos mercados internacionais, pergunto-me como deixamos que governantes destes venham tirar os nossos empregos e a nossa riqueza e como não exigimos que parem de nos atirar areia (neste caso, peixe) aos olhos. Basta de tanto desrespeito pelas nossas riquezas.

 

 

 
Lido 1180 vezes
Classifique este item
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
(0 votos)
Tweet
Login para post comentários
voltar ao topo
  • Perdeu a senha?
  • Esqueceu-se do nome de utilizador?
  • Registe-se!
  • Contatos
  • Pesquisa
  • Assinatura
Copyright © Tribuna das Ilhas 2026 All rights reserved. Custom Design by Youjoomla.com
Opinião