1. Se há coisa que os Açorianos hoje mais se questionam é sobre a situação económico-financeira da Região. E o que se sabe, de concreto, sobre ela? De um lado, são as denúncias dos partidos da oposição (e que são sempre vistas na perspetiva político-partidária, e nessa medida, desvalorizadas pelo cidadão comum). Do outro, e na sua grande maioria, são as constantes e metódicas “informações” e “comentários” oriundos do Governo Regional e que inundam a Comunicação Social açoriana. Entre umas e outros, lá vamos tendo os elementos divulgados a partir de Relatórios do Tribunal de Contas e dos dados do Instituto Nacional de Estatística, que não deixam ninguém tranquilo sobre a solidez do nosso presente e as perspetivas do nosso futuro.
2. A imagem que o Governo Regional por norma transmite (e que é repercutida acriticamente e com muito poucas e honrosas exceções pela comunicação social açoriana) é a de que os Açores são um caso à parte na crise que atinge Portugal e que a sua situação económico-financeira é até mesmo exemplar.
Mas será mesmo assim? Aquilo que se conhece dos Relatórios do Tribunal de Contas confirma essa versão? Os dados das Estatísticas (desde o desemprego aos indicadores da atividade económica) confirmam essa visão otimista?
E a situação de rutura financeira da Saudaçor? E as dificuldades de pagamento de outras empresas públicas regionais? E a antecipação dos duodécimos de Novembro e Dezembro já concretizada em vários organismos públicos? E os atrasos nos pagamentos aos fornecedores, de que a situação do setor da sáude é apenas a ponta do iceberg? E os 130 milhões de euros de dois empréstimos do Governo Regional que se venciam em Agosto e para os quais a Região não conseguiu meios de liquidação e foi obrigada a socorrer-se do financiamento do Governo da República?
Estes são indicadores normais de quem respira saúde financeira?
Com dados como estes, que são apenas os que se conhecem, como podemos acreditar que estamos tão bem como quer o Governo convencer-nos?
E se juntarmos a estes dados conhecidos, tudo o que por aí circula, à boca pequena, de dificuldades gritantes de tesouraria a vários níveis, de atrasos de pagamento a fornecedores, de pedidos de adiamento de faturação, podemos concluir que estamos perante uma pensada e organizada estratégia governamental de manter os Açorianos, até Outubro próximo, na ilusão de uma realidade inexistente!
3. E o passado ensina como este Governo sabe bem criar ilusões!
Primeiro dizia que a crise estava a passar ao lado da Região. Depois, que chegaria aos Açores mais tarde e que se iria embora mais cedo.
A verdade, porém, é que chegou e está aí com efeitos devastadores, como o podem bem atestar todos aqueles que, por exemplo, estão a ser vítimas do desemprego.
E isto acontece nos Açores após um ciclo de governação que teve, como nenhum outro, condições financeiras ímpares. Foram mais de 25 mil milhões de euros. E, passados 16 anos e gasto todo este dinheiro, temos uma Região sem economia, com a maior taxa de desemprego de sempre, a maior taxa de incidência de rendimento mínimo do país, com o dobro de pobres da média nacional, com o turismo a regredir para níveis de 2004, com muitas empresas a falirem todos os dias e com um sistema regional de saúde absolutamente falido, com mais de 1000 milhões de euros de dívidas e de responsabilidades financeiras futuras, o que já representa uns assustadores 25% do PIB da Região.
4. E se tudo está tão bem nos Açores, porque não querem o Governo Regional e os seus apoiantes falar dos Açores?
Se tudo está tão bem nos Açores, porque é que Vasco Cordeiro, Carlos César e todos os seus plumitivos espalhados pela imprensa regional, não falam dos Açores, dos sucessos e dos insucessos de 16 anos de governo e dos projetos para o futuro?
Porque será que, em vez disso, o que querem agora é falar do Governo da República? Por que será que o transformaram no seu tema preferido?
Ou tudo é uma mera questão estratégica? Ou tudo é mais uma construção artificial, mais uma ilusão com que nos querem submergir, cavalgando o descontentamento que grassa contra as medidas tomadas pela República, para fazer esquecer a verdadeira situação dos Açores?
As eleições do próximo mês de Outubro são para a Assembleia Regional dos Açores. E para escolhermos o próximo Governo dos Açores. É isso o que está em causa!
Centremo-nos, portanto, nos Açores.
Analisemos a governação e os seus resultados. Avaliemos e comparemos as propostas de cada força política.
Mas deixem-se de truques e de subterfúgios!
E, acima de tudo, fale-se verdade aos Açorianos!