1. Está em plena utilização o novo Terminal Marítimo da Horta. Trata-se de uma excelente infraestrutura que em muito vem contribuir para a qualidade do serviço de apoio ao transporte marítimo especialmente entre as ilhas do Triângulo e que, anualmente, movimenta mais de 400.000 passageiros.
Esta vasta “população” de utentes do novo Terminal já há muito merecia infraestruturas dignas e adequadas que ficarão ainda mais valorizadas, no caso do transporte entre a Horta e a Madalena, quando semelhante infraestrutura estiver em funcionamento naquela Vila picoense.
A mesma satisfação não se pode estender à dimensão do novo cais. Ao vermos, agora, as manobras que até os Cruzeiros (das Ilhas e do Canal) têm de fazer para acostarem é que percebemos bem os efeitos e as consequências da redução da dimensão do tamanho desta infraestrutura em relação ao que nos foi inicialmente apresentado. Mas esta é uma história para outra ocasião…
2. Publicou o jornal “Tribuna das Ilhas”, na sua edição de 03 de Agosto passado, uma oportuna e excelente reflexão do nosso conterrâneo Paulo Madruga, cuja leitura atenta vivamente recomendo.
Assumindo-se como “faialense” (do coração e de nascimento que efetivamente é!), mas com o distanciamento de quem vive fora (“profeta de Agosto”) e com a clarividência e competência técnica que lhe é reconhecida, Paulo Madruga deixou-nos, em forma de artigo de jornal, duas reflexões e uma proposta que mostram bem, a meu ver, por um lado, o quanto temos andado no Faial, em muitos domínios, ao sabor do improviso (“não tem sentido fazer intervenções num canto do salão sem pensar no todo”); o quanto urge consensualizar uma plano global que defina orientações e que permita mais facilmente antecipar as tendências futuras de evolução que nos possam vir a afetar; e, finalmente, o quanto se impõe haver uma efetiva união entre todos os faialenses à volta dos desafios e oportunidades que os novos tempos encerram.
Como Paulo Madruga faz questão de referir, com verdade e com razão, “O tempo que aí vem para os Açores é diferente. A fase das políticas uniformes para as 9 ilhas, pensadas a partir de estratégias organizadas fundamentalmente por setores de atividade, deve abrir espaço para soluções que permitam a expressão das diferentes vocações das ilhas e de grupos de ilhas.”
3. Mais uma vez o Aeroporto da Horta esteve impedido de realizar reabastecimentos aos aviões, devido à contaminação do combustível com partículas de biodiesel.
Até à passada 2ªfeira, durante quase uma semana, repetiu-se aquilo que em 2009, em plena época alta do nosso Turismo, já havia acontecido, sendo que, nesse ano, os Aeroportos de Santa Maria e de S. Miguel foram também afetados.
E, nessa medida, não deixa de causar alguma estranheza o facto de, até hoje, nunca se terem conhecido bem as causas da ocorrência de tais contaminações e de nem sequer se saber se foram verdadeiramente apuradas responsabilidades.
E, na medida em que esta ocorrência é, em primeira instância, da responsabilidade da empresa que fornece o combustível, não deixa de ser também importante que se conheça se nesta, como em anteriores situações, as empresas transportadoras como a SATA e TAP foram ou não indemnizadas pelos custos acrescidos nas suas operações.
4. Mas esta situação foi também reveladora da forma como, novamente, este Governo Regional trata o Faial. Com efeito, em 2009, face ao que acontecia no Aeroporto da Horta com o combustível, o Governo Regional manteve-se em completo silêncio e inação. Bastou a contaminação acontecer, umas semanas depois, no Aeroporto de Ponta Delgada, e de imediato, o Governo, através da Secretaria da Economia, fez emitir, a 20 de Agosto, um Comunicado, revelando a sua preocupação e disponibilizando o navio “Eberhart Essberger” para ajudar a resolver o problema.
Agora a posição foi diferente, mas igualmente patética!
Desta vez, no próprio dia em que aconteceu o início da suspensão do fornecimento de combustível no nosso Aeroporto, a Secretaria da Economia, em Comunicado, afirmava que, para minorar os incómodos de tal situação, havia dado instruções à “SATA Aeródromos” (uma empresa pública pertencente ao Grupo SATA) para disponibilizar o Parque de Combustíveis do Aeroporto do Pico para fazer o abastecimento às aeronaves.
Acrescentava, porém, esse Comunicado que o Governo tinha tido conhecimento nessa altura que afinal não era possível concretizar essa orientação porque uma empresa privada não tinha concluído o processo de certificação do Parque de Combustíveis do Aeroporto do Pico!
Isto é: o Governo disse ao Governo aquilo que o Governo já sabia: a solução de utilizar o Parque de Combustíveis do Aeroporto do Pico era uma falsa solução, simplesmente porque era impraticável. E o que é condenável é esta hipocrisia subjacente a um Comunicado feito de fingimento, pois obviamente ninguém acredita que o Governo Regional, cuja empresa SATA viaja todos os dias para o Pico, não soubesse que a solução que estava a propor era uma não-solução!
É bem mais que tempo de acabar com esta forma de tratarem os Faialenses
14.08.2012