Os ciclos políticos, balizados em 4 anos, têm como característica a tomada de decisões sobre um conjunto de medidas e ações integradas na orientação política que ganhou as eleições. O ciclo seguinte irá forçosamente herdar alguns aspetos, a que dará continuidade, e implementará novas medidas. Outra das características essenciais destes ciclos de 4 anos consiste exatamente na sua temporalidade, exigindo a renovação e a inovação de pessoas e políticas, sendo esta a característica principal que distingue a democracia de outros regimes de governação que o povo rejeitou.
Nos Açores, por diversas razões, os ciclos, embora com atos eleitorais, têm sido coincidentes com os líderes dos partidos da governação. Houve, assim, um primeiro ciclo de 20 anos, de infraestruturação da região, e um outro de 16 anos, que agora termina, que continuou com o processo iniciado, mas como já havia bases de infraestruturas, conseguiu alargar para outros sectores, promovendo investimentos mais diferenciados.
Só depois da base de investimento feito na região, muito carente dos mesmos, que nos tornava numas das regiões menos desenvolvidas do país, e consequentemente da Europa, começaram a aparecer investimentos sectoriais da economia, definindo o modelo económico que se pretendia para a região.
Agora vai-se iniciar um novo ciclo, com um novo(a) protagonista que, decerto, traçará o seu modelo. Ora, a grande questão que se coloca aos Faialenses é qual o nosso ponto de chegada, ao nível do investimento feito nestes ciclos anteriores, e com a atual conjuntura, como será para nós o novo ciclo. Urge fazer as opções e as reivindicações mais corretas, para um Faial que se quer próspero, com emprego qualificado, e que dê um contributo líquido ao desenvolvimento regional.
De uma forma resumida, o Faial sai destes 2 ciclos com uma agricultura em decréscimo de produção, com as pescas sem indústria local, com a inexistência de indústria ligeira nos sectores estratégicos, possui infraestruturas de qualidade ao nível do ensino (em curso) e da saúde (em curso), detém ligações marítimas de carga com o continente e lidera as ligações de passageiros regionais, possui ligação aérea com as restantes ilhas dos Açores e com o continente, tem um parque de camas em hotelaria de 4 estrelas que necessita de dormidas urgentemente, entre outras valências.
Sai, assim, com investimento, mas com lacunas no investimento estruturante e de capital intensivo (para cuja realização será mais difícil alavancar verba nos próximos anos, tendo em conta os constrangimentos económicos e financeiros) que é o reordenamento do porto, para corresponder ao seu potencial, e a ampliação da pista do aeroporto. De relembrar que as ilhas de São Miguel e Terceira têm estas estruturas, fulcrais para o desenvolvimento, devidamente apetrechadas e preparadas para o futuro.
Há, portanto, que unir esforços em todos os domínios, para que estes investimentos se concretizem, mas não será fácil. O partido que de momento governa não realizou este investimento, principalmente o da ampliação da pista, quando teve verbas abundantes, o mesmo é dizer que não contou com o Faial no desenvolvimento dos Açores até aqui e daqui para a frente, sem recursos, não será diferente.
Desta forma, os Faialenses têm de se virar para outros protagonistas, outras forças, as da renovação de pessoas e de políticas, que incluam o Faial na rota do futuro, e que se comprometam nesse sentido.
Para além desta árdua tarefa, pois o Faial ficou para trás e tem agora que correr atrás do prejuízo, há outra necessária para os Açores, e muito principalmente para o Faial. Não podemos gastar milhões sem desenvolvimento, não se pode entregar milhões de euros a empresas de fora da Região, sem a criação de emprego sustentável.
É urgente o novo ciclo, o ciclo da velocidade da moeda, que tem de girar nos nossos pequenos bolsos, tem que girar na pequena economia, nos pequenos empresários, para os seus investimentos e para a criação de emprego sustentável.
Este desafio é muito difícil de implementar e é totalmente diferente dos últimos 36 anos, e não pode ser assente nas centralidades, em que umas ilhas engordam à custa das menores, mas sim com o aproveitamento das potencialidades de cada uma.
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