1. Vivemos na depressão quotidiana da crise que a todos submerge e subjuga. Depois do desvario e da inconsciência da governação de José Sócrates, os Portugueses decidiram mudar de governo. E, ainda hoje, não perdoam ao impenitente exilado em Paris o estado em que ele deixou o país e a forma como comprometeu o nosso futuro e o das novas gerações.
2. Mas por mais razões que todos nós possamos ter contra a governação de José Sócrates, e por mais razões que nos assistam pelo facto de ele ter contínua e compulsivamente ocultado a verdadeira situação do país, a verdade é que os Portugueses têm também de meter a mão na sua consciência.
José Sócrates em 6 anos duplicou a dívida externa e a dependência de Portugal. Mas nesse período, a maioria dos Portugueses premiou o seu governo, dando-lhe vitórias eleitorais como resposta às suas promessas de aumentos na Função Pública, de TGV’s, de mais SCUT´s, e de outras que tais, que só se tornaram possíveis com um novo e crescente endividamento externo.
Por isso, José Sócrates é culpado também na medida em que se assumiu como espelho refletor dos desejos e projetos irrealistas da maioria dos Portugueses, que tinha de si e do país uma imagem completamente distorcida da realidade. E aqui todos temos, como país, a nossa parte de responsabilidade, tanto mais que fomos avisados do desastre iminente para onde alegremente caminhávamos, mas não quisemos saber desses avisos (lembram-se de Medina Carreira? Lembram-se de Manuela Ferreira Leite? Lembram-se da chacota e da displicência com que eram vistos e apelidados de “pessimistas militantes”?).
3. George Santayana escreveu que “aqueles que não são capazes de lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo.” Nada mais apropriado ao que se passa neste momento. Nada mais importante do que não esquecermos o que se passou em Portugal, com Sócrates, com o seu ilusionismo político que enganou meio país, enquanto, alegremente, nos levou ao inevitável embate frontal com a realidade, que acontece sempre a quem gasta mais do que produz e do que tem!
E lembrar esse passado é o melhor caminho para aprendermos a não repetir os erros nos Açores, neste momento presente.
4. Nos últimos dois anos em particular, a poderosa máquina de propaganda a soldo do Governo Regional, procurou incutir em todos que os Açores eram um caso à parte no país, e, mesmo, no Mundo.
Carlos César disse e garantiu que a crise não chegaria aos Açores.
Depois, disse que chegaria mais tarde e se iria embora mais cedo.
Carlos César e Sérgio Ávila garantiram que as finanças dos Açores e a sua situação económica eram um exemplo de sucesso mesmo a nível nacional.
Ainda na passada semana, na Assembleia, Carlos César repetiu e jurou que estamos melhor que todos, e foi essa manifestação de fé que escolheu para se despedir dos Açorianos.
A estratégia é clara: manter as aparências e a ideia de que nos Açores está tudo bem! Uma verdadeira ilusão, ao estilo de José Sócrates.
E aguentar assim até 14 de Outubro, mantendo os Açorianos na ilusão, até às eleições. Depois disso, logo se vê!
5. Mas a realidade é, infelizmente, cada vez mais avassaladora.
Então se está tudo bem e tão bem nos Açores, como chegámos ao maior número de desempregados dos últimos 35 anos, a uma taxa de desemprego maior do que a nível nacional e ao exorbitante número de 4 jovens em 10 estarem desempregados?
Então se tudo está tão bem nos Açores, se as nossas finanças respiram saúde, porque não conseguimos pagar os dois empréstimos à banca estrangeira que se venceram em Agosto passado, no valor de 135 milhões de euros?
Então se tudo está tão bem nos Açores, porque fomos às escondidas do povo destas ilhas pedir a Lisboa esses 135 milhões a troco de um “Memorando” que é uma verdadeira capitulação e venda da nossa Autonomia?
Então se tudo está tão bem nos Açores, porquê o buraco abissal da Saúde? Porque não se paga atempadamente aos fornecedores de medicamentos?
Então se tudo está tão bem nos Açores, porque se estão a adiar os processamentos de pagamentos e de apoios aos mais diversos níveis?
Então se tudo está tão bem nos Açores, porque é que já houve a necessidade de antecipar duodécimos no setor da Saúde?
6. Em desespero, o governo regional já não quer sequer falar dos Açores. Entretém-se, agora, a falar do governo da República e das medidas adotadas a nível nacional. E quanto piores são as medidas, mais rejubilam nos seus intentos de fazer esquecer como estamos nos Açores.
Mas as próximas eleições do dia 14 de Outubro não são para julgar nem Passos Coelho nem as políticas do governo da República, que serão avaliados pelos Portugueses e pelos Açorianos na altura própria.
As próximas eleições regionais são para escolher os novos deputados do Parlamento dos Açores e o novo governo dos Açores. Por isso, quem está em julgamento e avaliação é o governo regional, sim, esse que agora prefere falar de tudo menos dos Açores!
Deixarmo-nos enganar em mais este ilusionismo político, conduzir-nos-á, fatalmente, a repetir os erros do passado que tão dura e injustamente estamos todos a pagar!
Tenhamos a lucidez de lembrar o passado, para não termos de repetir os mesmos erros!