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12
outubro

AVALIAR, COMPARAR, DECIDIR

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
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Avaliar

Este domingo nos Açores há eleições. Nelas, os cidadãos são chamados ao exercício do seu poder máximo: o de escolher os seus governantes. E, como em qualquer escolha que tenhamos de fazer, para ser verdadeiramente consciente, ela deve ser sempre precedida de uma avaliação, pela qual os cidadãos fazem o balanço da ação daqueles a quem, há quatro anos, confiaram o poder.

Impõe-se, pois, avaliar a atividade do governo regional e o grau de cumprimento dos seus compromissos para com o Faial.

E as questões que importa, de imediato, colocar são simples: vivemos, hoje, melhor no Faial e nos Açores do que vivíamos há quatro anos? Temos hoje melhores perspetivas de futuro? O nosso comércio está melhor e mais consolidado? O nosso setor produtivo cresceu? Há mais oportunidades de emprego? Os nossos filhos que vão estudar para fora e que desejam regressar conseguem trabalho nas suas ilhas?

A resposta a todas estas questões é, infelizmente, “não”. Vivemos, hoje, no Faial e nos Açores, dramaticamente pior do que vivíamos há quatro anos! Porquê? Por causa da crise geral que afeta a Europa; por causa da profunda crise que assola Portugal, mas também porque o governo regional não encontrou as respostas capazes para enfrentar as dificuldades que nos são próprias. Não é por acaso que as maiores taxas de desemprego nos Açores são as mais altas do país; não é por acaso que a maioria dos indicadores da atividade económica é mais baixa nos Açores do que em Portugal; não é por acaso que a percentagem de beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) nos Açores é a mais alta do país.

Por outro lado, importa, também, avaliar o cumprimento dos compromissos deste governo para com o Faial. A ampliação da pista do Aeroporto da Horta foi cumprida? A construção do Campo de Golfe do Faial concretizou-se? A 2ª fase da Variante à cidade da Horta avançou? A repavimentação das estradas do interior da ilha foi feita? As Termas do Varadouro foram reabilitadas? O Estádio Mário Lino foi construído? O Museu da Horta foi ampliado?

Tudo isto foi prometido há quatro anos e não foi cumprido.

É verdade que as circunstâncias mudaram. É verdade que teve de ser feita uma reprogramação das prioridades face às dificuldades económicas. E ninguém mais do que os faialenses manifestou compreensão para com essa necessidade de repensar e de reprogramar os investimentos previstos para esta ilha.

Mas, afinal, neste domínio, o que mais se viu foi dois pesos e duas medidas nas decisões do governo regional. Reabilitaram-se as termas do Carapacho e as da Ferraria, mas o Varadouro não! Construíram-se estradas por todas as ilhas, mas a 2ª fase da Variante não! Até a construção do Estádio Mário Lino foi cancelada – e bem! –, mas só na Terceira, na área do Desporto, este governo construiu no complexo desportivo Vitorino Nemésio uma piscina coberta e aquecida, colocou relvado sintético no campo de futebol, colocou piso sintético na pista de atletismo, colocou novo piso no Pavilhão, renovou o sistema de aquecimento geral da água e construiu um novo parque de estacionamento! Isto é: aquilo que no Faial é supérfluo e, por isso, é cancelado, noutra ilha avança como se não houvesse crise, ou como se a crise não fosse igual para todas as ilhas!

E como se não bastasse esta acintosa discriminação do Faial, ainda quase tudo o que este governo aqui faz é em versão “mini”, alterando o que se prometeu de início. Veja-se o exemplo do que fizeram com o Aquário Virtual e, sobretudo com o novo porto, em que os resultados desta opção governativa já estão à vista: basta levantar-se o sudoeste e os Cruzeiros e os passageiros lá têm de ir de abalada para o Cais Velho porque o novo fica inoperacional! Uma demonstração clara de como este governo tem gasto o nosso dinheiro!

Comparar

Avaliar o que foi ou não feito, mas comparar também. Desde logo, comparar as pessoas que compõem as listas que se candidatam pelo Faial. E ter em boa conta qual é a que dá mais garantias na defesa dos interesses do Faial, qual é a que poderá ter mais influência e capacidade em defender as causas que ao Faial dizem respeito e qual é a que será capaz de dizer “não” quando estiverem em causa os nossos superiores interesses.

Mas comparar também as propostas das duas principais candidaturas. E ter bem presentes diferenças essenciais que farão toda a diferença. Detenhamo-nos apenas em alguns exemplos:

Aeroporto da Horta – o que disse Vasco Cordeiro? “Vamos apoiar o Governo da República na ampliação da pista”. E o que disse Berta Cabral? A ampliação da pista do aeroporto é uma prioridade do investimento regional a integrar no próximo Quadro Comunitário de Apoio. A diferença é simples: com Vasco Cordeiro, esquece a ampliação da pista de vez! Com Berta Cabral teremos o investimento pronto para ser submetido à aprovação do próximo Quadro Comunitário de Apoio, em 2014.

Sobre a manutenção das Especialidades do Hospital da Horta, o que disse Vasco Cordeiro? Que era uma questão técnica. E Berta Cabral? Assumiu um claro compromisso político com a manutenção das especialidades médicas no Hospital da Horta.

E quanto às plataformas logísticas? Já sabemos que Vasco Cordeiro foi o responsável político pela sua aprovação e que obviamente defende o que criou: 2 plataformas nos Açores, uma na Praia e outra em P. Delgada. E Berta Cabral, o que diz das Plataformas? Considera-as um artificialismo desligado da realidade e do mercado, acrescentando que o que funciona bem e está bem não é para alterar.

Decidir

Avaliar, comparar e decidir aquela que será a opção de voto de cada um, assumindo-se, sem medo, a responsabilidade da decisão, tal é o dever que incumbe sobre cada um dos cidadãos do Faial. Da decisão de cada um de nós depende o nosso futuro. Da decisão de cada um de nós depende deixar ficar tudo como está ou ajudar a mudar o que precisa de ser mudado.

É no voto que reside o verdadeiro poder dos cidadãos. E o voto que resulta da decisão de cada um é secreto, tendo como testemunha apenas a sua consciência, sem medo da coação e das pressões vindas daqueles que têm tudo a perder e que, julgando-se donos do poder e das pessoas, se acham no direito de condicionar a livre opção de cada um!

09.10.2012

 

 

 

 

 



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