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23
novembro

Menos cagarros salvos, será isso mau?

Escrito por  Frederico Cardigos
Publicado em Frederico Cardigos
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Este ano salvaram-se 1987 aves durante a “Campanha SOS Cagarro 2012”. Esse número faz decrescer em mais de mil animais a cifra atingida no ano passado. A primeira assunção é que isso seria mau. Se foram salvos menos aves é porque houve menor empenho na Campanha ou, em alternativa, menos cagarros.

Analisemos.

Este ano participaram na Campanha quatro mil e seiscentas pessoas e, no ano passado, quatro mil e setecentas. Não é um decréscimo significativo, logo, não nos parece que isso seja propriamente mau. Reforçando a ideia de que o empenho não se reduziu, atente-se para o aumento em 47% nas instituições participantes. Fantástico!

Portanto, se não houve redução do empenho, talvez tenha havido uma diminuição do número de aves. Realmente, verificou-se uma diminuição do número de casais nidificantes em cerca de um terço. Os dados são do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores e da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Na verdade, nem precisávamos dessas indicações. A maioria dos açorianos sentiu que este ano houve menos cagarros em terra. Diversas pessoas, incluindo eu próprio, sentiram a diminuição daqueles grasnares que é impossível descrever por letras ou, muito menos, por palavras.

Paradoxalmente, apesar de ser preocupante e merecer um estudo profundo (e, eventualmente, incremento nas ações de preservação), esta redução de aves nidificantes não se deveria ter refletido na redução de salvamentos. É que, segundo os cientistas, a redução na nidificação foi contrabalançada por um aumento muito significativo no sucesso reprodutivo. Ou seja, as poucas aves que nidificaram fizeram-no com enorme eficiência. Então… Onde andam essas aves?

Pensámos no assunto… coligimos informação… e chegámos à conclusão que, provavelmente, houve dois fatores a retirar os cagarros das zonas de salvamento. Em primeiro lugar, as excelentes condições meteorológicas nos dias em que houve mais aves a sair dos ninhos. Essas condições permitiram que as aves voassem imediatamente para o mar, sem serem atraídas por terra. Para além disso, houve uma enorme redução na iluminação pública. Neste caso, a crise veio reforçar as medidas de economia de energia e isso retirou luz das ruas. Os jovens cagarros agradecem!

Portanto, se, por um lado, tivemos menos aves a nidificar nos Açores e isso necessita de reflexão profunda e ação consequente, por outro lado, a redução do número de salvamentos não é consequência de uma diminuição no empenho na salvaguarda destas aves marinhas.

Há, no entanto, um outro número que exige também atenção. Houve um aumento percentual de animais mortos nas estradas. No ano passado esse número era de 7% das aves caídas e, este ano, subiu para 9%. Certas estradas, principalmente em São Jorge e no Pico, são autênticas ratoeiras para os jovens cagarros. No próximo ano, ter-se-á de equacionar o reforço da sensibilização e mesmo a imposição de limites de velocidade. É apenas por uns dias e em troços que não têm mais de um quilómetro. No entanto, para os cagarros pode ser a diferença entre a vida e a morte. Um assunto a pensar no futuro próximo com alguma atenção.

É fantástico que tanta gente adira anualmente e de forma voluntária e organizada à “Campanha SOS Cagarro”. Estou em crer que esta é a maior ação conservação da natureza de cariz regular de Portugal. Para uma Campanha que já leva duas dezenas de anos de existência, é digno do nosso orgulho coletivo.




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