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30
novembro

Opinando objectivamente

Escrito por  Armando Amaral
Publicado em Armando Amaral
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TÓPICOS: 1-Sala  2-Irmanados  3- Recitais  4-Ilhéus

  

1

    Construído na primeira metade da década de 30 do último século, o majestoso edifício da Sociedade “Amor da Pátria” foi considerado, na altura, como uma obra demasiado grande para a Cidade, embora fosse Capital de Distrito assaz conhecida por seu cosmopolismo, aumentado com o contributo das Companhias cabográficas.

Todavia, não levou muito tempo para que viesse a contrariar “Velhos do Restelo”.

É que as óptimas instalações da Sociedade passaram a servir outras agremiações, recreativas e culturais da Ilha para eventos especiais, e desde logo como “Sala de Visitas”.

Foi mesmo lugar privilegiado para recepções oficiais, tendo ficado até para a história faialense e açoriana quando teve a honra de ser a primeira sede do Parlamento Açórico.

Como também em seu amplo salão ter funcionado durante anos a prestigiada Semana das Pescas, promovida pelo Secretário afim, Dr. Adolfo Lima, e que viria a fechar quiçá por sua demasiada projecção internacional.

E em Setembro passado foi palco do 1º. Fórum Atlântico sobre “Recursos naturais costeiros e do mar profundo”, a que este semanário fez a devida referência.

Talvez por um bairrismo sadio que não me deixa, o que é certo é que tudo quanto prestigie a minha ilha me cala fundo, aliás o caso do dito Fórum, não podendo, por isso, deixar de augurar os melhores frutos, para o Faial e para os Açores.

Etambém que o Amor da Pátria continue a ser a Sala de Visitas por excelência.

 

2

   O Conselho de ilha do  Faial, reunido em fins de Outubro, elaborou uma lista das principais reivindicações a apresentar ao novo executivo regional liderado por Vasco Cordeiro.

E, pelo que lemos, houve até consenso dos membros do importante órgão autárquico, o que, infelizmente, nem sempre tem sucedido.

É, por isso, de registar pela positiva ver faialenses responsáveis a deixar em casa divergências partidárias, por irmanados pela causa comum que é o bem da sua Terra.

Um senão: os problemas acumulados por governanças regionais são tantos que se torna bastante difícil escolher por onde começar, e se houver boa vontade em os solucionar.

Por sinal, muitos deles, ou quase todos, já foram escalpelizados na imprensa local, adentro do adágio popular: "água mole em pedra dura….   até que fura”.

E oxalá que seja já no mandato agora iniciada pela nova governança rosa que vejamos resolvidos os problemas que mais vem travando o desejado e devido desenvolvimento do Faial.

 

3

   Ainda por iniciativa da Direcção Regional da Cultura do Governo de Carlos César, quiçá findo em beleza, realizaram-se em fins de Outubro, nos Teatros Faialense e Micaelense, Recitais com o pianista russo Vladimir Viardor,assaz conhecido mundialmente.

Apraz-nos que desta feita a Horta não foi esquecida, fazendo votos que tal facto não tenha sido como prémio de despedida e que outros se venham a repetir com mais frequência.

 

4

    Há uns anos, poucos, foi a política a pôr o Corvo no mapa de Portugal que a descolonização “exemplar” confinou ao Continente e às Ilhas da  Madeira e dos Açores.

Agora, a pequena Ilha voltou a ser notícia grande no mundo português e também na diáspora, mormente na Colónia açoriana da América.

É que forte tempestade provocou gigantesco desabamento na costa noroeste, dando origem ao aparecimento de baixos ilhéus, a lembrar os “Fradinhos” ao largo do Porto Judeu, na Terceira.

E aconteceu também que, na altura, o Corvo era assolado por violenta trovoada, abafando o imenso ruído causado pela derrocada, aliás não ouvido na Vila, a justificar a surpresa dos habitantes ao serem alertados do sucedido pelos vizinhos florentinos.

Tudo isto lemos primeiramente na imprensa diária, porém, mais esclarecidos ficámos com o artigo/reportagem do ilustrado colaborador do “Tribuna”, Frederico Cardigos que desejou até desembarcar na “Ilha Nova”, como chamou aos ilhéus.

Por sinal, fez-nos retroceder ao tempo do Vulcão dos Capelinhos, mais precisamente à ilhota logo surgida, embora com poucos dias de vida, mesmo assim baptizada pelo o jornalista Raul Xavier, do “Correio da Horta” de “Ilha do Espírito Santo” e a que “O Telégrafo” chamou de "Terra Nova", na então eterna rivalidade caseira: se um, de manhã, dizia preto, o outro, à tarde, afirmava ser branco...quiçá em lição aos parlamentares que só conheciam o "amen".

Talvez a pôr ponto final, o Vulcão voltou em força, aumentando o Faial em alguns metros quadrados, mesmo assim suficientes para que o Governador Freitas Pimentel gracejasse com os colegas, dizendo que a sua ilha era a única a crescer nos Açores.

Não será o caso corvino, a não ser que outras derrocadas se repitam.

Mas se os ilhéus já tiverem submergido, quiçá seu próximo fim na opinião dos entendidos, este tópico quando publicado, será algo semelhante ao passado com a "Sabrina", nas águas açorianas de S. Miguel em que os ingleses, sempre ávidos pelo território alheio, apressaram-se a colocar bandeira de sua majestade, e ao voltarem dias depois, quiçá para oficializar “conquista”, em vez de ilha e bandeira apenas viram mar...



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