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23
abril

EDUCAÇÃO, PROFESSORES E ALUNOS

Escrito por  Rómulo Ávila
Publicado em Armando Amaral
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 O ensino nos Açores continua a ter elevados índices de insucesso e de absentismo escolar, e um grande número de jovens abandona os estudos precocemente. “O afastamento dos jovens da escola é por demais evidente e acarreta outros problemas”, já dizia a JSD em 2006.

Caro leitor, seria fastidioso colocar aqui todos os dados estatísticos que comprovam que uma nova atitude é necessária na educação açoriana. Os números divulgados, que deveriam ser objecto de estudo e análise com vista a serem implementadas novas orientações às políticas de educação, parecem cair em saco roto.

As causas do desinteresse dos alunos, dos baixos níveis de assiduidade e de programas curriculares muitas vezes desadequados estão identificadas. Em 2006, o Presidente do Sindicato dos Professores dos Açores afirmava que: “Quem está a contribuir para o aumento do insucesso escolar são todos aqueles que procuram denegrir a imagem social dos docentes, fazendo passar às crianças e jovens a mensagem do descrédito, da falta de confiança e apreço pelos seus educadores e professores, o que constitui um forte incentivo à indisciplina e ao desrespeito pela sua dignidade e autoridade, fomentando ambientes escolares adversos ao desenvolvimento de qualquer aprendizagem…”. Mais dizia: “…como se pode exigir aos professores os apoios e a atenção individualizada que muitos alunos necessitam quando se aumenta o número de alunos por turma e de turmas por professor, com turmas heterogéneas, em espaços escolares, por vezes, degradados, pobres em equipamentos e recursos pedagógicos, onde as crianças, sobretudo as mais problemáticas, têm dificuldade em encontrar centros de interesse que as motivem e evitem o seu afastamento da escola…”

Sendo assim, penso que a redução do número de alunos por turma, permitindo um ensino mais personalizado; a conciliação de interesses entre os professores e o Estado, acabando com o permanente litígio; o reforço da Acção Social Escolar que se deve traduzir em apoio psicológico, pedagógico e de formação social, como forma de combater o insucesso e abandono escolares; e programas das disciplinas com uma maior tónica em actividades práticas, potenciando um ensino suficiente motivador e capaz de proporcionar o sucesso escolar, parecem-me ser medidas capazes, numa primeira fase, de contribuir para o sucesso educativo e para a redução das estatísticas que estão longe de serem as ideais.

É preciso mais e melhor educação. O objectivo das políticas educativas deve ter por finalidade o desenvolvimento da personalidade do aluno preparando-o para a sua plena integração na comunidade a que pertence.

“O sucesso de uma política educativa reflecte-se no desenvolvimento, na modernização e no progresso de um povo”, disse também a JSD em 2006.

Caro leitor, confesso que, embora fique muito preocupado, não me espantam os indicadores de insucesso, indisciplina, violência e absentismo nas escolas, por razões várias. O que me espanta mesmo é que o Partido Socialista - venha desvalorizar, como se nada se passasse, como se tudo estivesse bem! Que digam isso aos professores agredidos e desrespeitados e aos funcionários enxovalhados, por exemplo.

É altura de assumir que aos alunos compete aprender as matérias, formando-se para o futuro quer como cidadãos, quer como futuros impulsionadores do desenvolvimento dos Açores. Aos professores espero que lhes seja devolvido o seu prestígio e a sua autoridade e que os deixem voltar rapidamente para a função que melhor sabem fazer: ensinar!

“Assumo sem maniqueismos que há um caminho certo e há um caminho errado: é certa a liberdade, é errada a libertinagem; é certa a oportunidade de aprender, é errado o laxismo escolar; é certa alguma competitividade, é errado o recurso à violência; é certo respeitar professores e auxiliares, é errado agredir a sua integridade; é até certo aplaudir selecções nacionais, é errado não ter a mais leve ideia sobre os valores inerentes ao civismo e ao patriotismo”, cito. 
 

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