Será falta de cultura desportiva? Será simplesmente falta de educação e civismo? Será falta de preparação para ocupar cargos de dirigente desportivo? Será que quem ocupa estes lugares não tem o perfil adequado para os mesmos?
Certo é que, na minha modesta opinião, estamos perante um grave problema: a rivalidade entre alguns clubes e para com alguns clubes aumentou, afectando dirigentes, treinadores e atletas, o que é inadmissível.
O ganhar a todo o custo sobrepôs-se à verdadeira essência da prática desportiva de tal modo que leva, no momento da derrota, alguns intervenientes, a não terem a frieza, a serenidade e a lucidez de aceitar a mesma de forma natural, antes pelo contrário, revoltam-se dando sinais nítidos de frustração e de mau perder.
Infelizmente os últimos tempos têm sido férteis em acontecimentos que deveriam ser alvo de uma análise profunda por parte da elite que comanda e dirige, neste caso o futebol, com o intuito de tomar providências no sentido de colocar um ponto final ou até mesmo banir do mundo do futebol quem realmente não reúne perfil, carácter e cultura desportiva para fazer parte do chamado desporto “Rei”.
Continuamos com profundos e preocupantes problemas de mentalidade de base, não falo na tão badalada mentalidade competitiva, falo na mentalidade do saber estar, de actuar de forma a contribuir para a formação do atleta enquanto ser humano, pois hoje mais do que nunca impõe-se, através da prática desportiva, preparar o atleta para um mundo cada vez mais globalizado, onde o futuro dos mais jovens é uma incógnita, e o de alguns está completamente hipotecado, se não houver quem lhes trave e lhes faça mudar de rumo.
Urge para além de alertar e sensibilizar, recrutar pessoas idóneas, com carácter, com perfil adequado e intrinsecamente dotadas de um elevado grau de cultura desportiva, para que se possa efectivamente dar passos seguros e inverter estas tendências, que em nada abonam em favor do desporto açoriano e dos Açores em geral.