As notícias que nos chegam por todos os meios todos os dias são, na sua maioria, assustadoras. Pela situação financeira do mundo, da Europa, de Portugal, das nossas ilhas. Multiplicam-se as teorias, defendem-se as ideias, das mais pessimistas que preveem a banca rota por décadas às mais otimistas – cada vez em menor número.
A segurança social é uma incógnita neste Estado que já não sabemos se é pessoa de bem, na medida em que celebrou um contrato com os seus servidores e agora parece querer renunciar ao mesmo sem facultar às gerações que lhe deram uma parte muito significativa do seu esforço em descontos e impostos, uma alternativa viável. Já nem falo dos jovens a quem pode ser exigida a celebração de um contrato diferente com o Estado, iniciando um novo ciclo da relação deste com os seus cidadãos.
O futuro assume assim os contornos dos analistas, comentadores, burocratas, economistas, doutorados oriundos de diversas áreas do conhecimento e doutorandos em banalidades. Consoante variáveis desconhecidas da maioria da população, mas com leituras muito claras se a nossa paciência encontrar tempo para lhes prestar atenção.
Na insegurança em que vivemos – e que atinge proporções mais graves de mês para mês, graças a um governo da República que toma decisões avulsas sem definir um rumo partilhado com as forças vivas do país, quiçá sem rumo algum – sobressaem, por contraste, atitudes cada vez mais ampliadas de voluntariado anónimo e de união de esforços.
Sim, é certo que algum do voluntariado é feito de protagonismos pessoais mas muito é alimentado por uma consciência coletiva da necessidade de nos envolvermos todos na nossa missão de cidadania ativa e solidária. Não me canso de salientar (porque acredito que numa fase de tão baixa autoestima do país, precisamos de sentir as forças positivas latentes em nós!) a onda crescente de espírito de missão que alastra na nossa sociedade. É uma espécie de resposta em sentido inverso à mudança das regras do Estado.
A liberalização dos mercados desestruturou os processos de inclusão e exclusão, abrindo um sistema de transição com sintomas de grande instabilidade que configuram uma situação de bifurcação.
Da fase da historiografia portuguesa em que se recorreu, ao longo dos últimos séculos, a narrativas heroicas que veiculavam ideários e representações conducentes a uma conceção nacionalista, de matriz gloriosa, passou-se por uma fase rápida de construção socializante para agora nos depararmos com uma realidade de profundos desequilíbrios, compromissos voláteis, turbulência que pode desencadear uma explosão social.
A resposta açoriana só pode ser uma militância social de voluntariado inclusivo e de união de esforços – para evitar ruturas. As nossas ilhas precisam de nós.
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