Tribuna das Ilhas

Infinity 8
  • Início
  • Local
  • Triângulo
  • Regional
  • Desporto
  • Cultura
  • Política
  • Opinião
  • Cartoons
Últimas :
Investimento privado no Faial – realidade ou utopia?
Educação - Escola Secundária Manuel de Arriaga ocupa o 496.º lugar do ranking a nível nacional
Eleições - Carla Dâmaso assume a presidência do OMA
Agricultura - Trybio organiza cursos de instalação de pomares e de poda de fruteiras no Faial
BTT – ESMA ATIVA Primeiro encontro de BTT da ESMA junta professores e alunos
“Eco Freguesia, freguesia limpa” - Candidaturas ao programa abertas até 15 de março
Saúde - Hospital da Horta assina protocolo com Câmara Municipal da Madalena para criação de Unidade de Hemodiálise
Efeméride - Azores Trail Run® regista 4000 inscritos em 5 anos
Faial - Governo Regional assina contrato para reabilitar Solar e Ermida de São Lourenço
  • Início
  • Opinião
  • Victor Rui Dores
  • “Antes de começar”, de Almada Negreiros, pelo Teatro de Giz
19
abril

“Antes de começar”, de Almada Negreiros, pelo Teatro de Giz

Escrito por  Victor Rui Dores
Publicado em Victor Rui Dores
  • Imprimir
  • E-mail

“Só não entende o coração quem não sabe escutá-lo”. (Boneco)

Resolveu, e bem, o Teatro de Giz associar-se às comemorações dos 120 anos do nascimento de Almada Negreiros (1893-1970), levando à cena a peça “Antes de começar”, escrita em 1919 por esta figura ímpar do modernismo português do século XX. 

As primeiras peças de Almada datam de 1912, e a última de 1965. Na totalidade da sua produção nesta área, o destaque vai para “Deseja-se Mulher” (1928) e “Pierrot e Arlequim” (1931), que marcam uma rutura com a narrativa teatral naturalista, através de uma escrita fragmentária e profundamente poética.

Essa poética está bem patente em “Antes de começar” (cena única). Num teatro de marionetas, um boneco e uma boneca, fora do olhar do Homem (o manipulador, o bonecreiro), ganham vida própria, encontram-se, conhecem-se, brincam, descobrem o coração, crescem. Acima de tudo, libertam-se dos fios da solidão que os cerca. Agora que não estão manietados, falam da amizade, do amor, da vida, das relações humanas porque é precisamente esse o teatro de Almada – o dos sentimentos, das emoções e estados de alma.

Fui ver e gostei. Desde logo, o público é colocado na perspetiva de quem vê o teatro de dentro para fora, já que é convidado, antes do início do espetáculo, a uma “visita” pelos labirintos da teia do Teatro Faialense. E dos bastidores ninguém sai, pois a representação da peça ocorre dentro do palco, o qual é partilhado por atores e público. 

O resultado é um espetáculo de grande beleza estética e plástica, montado, inteligentemente, pelas encenadoras, Flávia Carvalho e Lia Goulart. Interpretações avassaladoras de César Lima (boneco) e Maria Miguel (boneca) que se transfiguram na composição das suas personagens. Irrepreensível o trabalho de corpo e voz, bem como a relação com o espaço. Eis o ator como centro, sujeito e criador onde habita o texto, aquele que torna visível o invisível. Boa conjugação de trabalho de ator com a funcionalidade do dispositivo cenográfico, concebido por Tomás Melo, e com a eficácia do desenho de luz de Bruno Carvalho. É que, nos tempos que correm, a arte é já o domínio da técnica. (Sou do tempo em que se dizia que a arte começa onde a técnica acaba…).

Não sei do que mais gostei. Se da fisicalidade e da movimentação cénica de César Lima, se da tocante e inocente ternura posto nas inflexões de voz de Maria Miguel. Do que tenho a certeza é que o teatro não é mais do que um jogo, uma brincadeira. Atuar é jogar, brincar e estar disponível. Em inglês, diz-se “play”, em francês “jouer”, em alemão “spielen”. Só em português é que se diz representar (verbo que não contempla o conceito jogo/brincadeira).

Nota positiva para os figurinos (de Carolina Aguiar, Susana Valinhas e Joana Silva) a funcionarem na perfeição, sendo de realçar a réplica do icónico fato do Almada Negreiros “futurista” no corpo de César Lima.

Longa vida para o Teatro de Giz, que, buscando novos paradigmas, continua a reinventar a esperança.

 

 

 

 

Lido 2231 vezes
Classifique este item
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
(0 votos)
Tweet
Login para post comentários
voltar ao topo
  • Perdeu a senha?
  • Esqueceu-se do nome de utilizador?
  • Registe-se!
  • Contatos
  • Pesquisa
  • Assinatura
Copyright © Tribuna das Ilhas 2026 All rights reserved. Custom Design by Youjoomla.com
Opinião