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26
abril

CORVINO QUE SE DISTINGUIU - LINO LUÍS DE FREITAS FRAGA (1944-….) Funcionário meteorológico, político e cronista

Escrito por  José Arlindo Armas Trigueiro
Publicado em José Trigueiro
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Natural da freguesia e concelho da ilha do Corvo, onde nasceu em 25 de Outubro de 1944, filho de Lino José de Fraga e de Maria do Céu de Freitas, ele lavrador e ela doméstica.

Aos oito anos de idade sofreu um grave traumatismo psíquico que o afectou para o resto da sua vida ao encontrar em casa a mãe morta, caída no chão.

Com a idade de 11 anos concluiu a Instrução Primária na escola da sua terra natal, tendo tido como professor o corvino Alfredo Lopes. 

Enquanto não chegou o período do serviço militar obrigatório, como não pôde continuar os estudos, aproveitou o tempo para ajudar o pai nos trabalhos rurais e enriquecer a sua instrução e cultura, nomeadamente com leituras e com a aprendizagem de música. 

Chamado ao serviço militar obrigatório em Outubro de 1965, ingressou no B. I. N.º 17, de Angra do Heroísmo, passando em Janeiro do ano seguinte à Base Aérea n.º 4 das Lajes. Em Fevereiro desse ano foi mobilizado para participar, em Angola, na guerra que Portugal ali mantinha contra a guerrilha nacionalista desde 1961, a qual como se sabe veio a finalizar com a independência daquele território, na sequência do “25 de Abril de 1974”. Terminada aquela comissão militar em Angola, regressou ao Corvo em 25 de Outubro de 1968.

Ali chegado, começou a organizar a sua exploração agro-pecuária, a fim de constituir o seu lar, uma vez que pretendia casar. Assim, em 27 de Julho de 1969 casou com Maria Alves Ângelo Fraga, de cujo casamento nasceu o filho Vítor, que hoje é Eng.º Electrotécnico, exercendo o cargo de Secretário Regional do Governo dos Açores, depois de ter passado por vários trabalhos. O filho chegou a liderar a JSD/Açores - Juventude Social-Democrata, durante algum tempo. 

Em Fevereiro de 1970 Lino Fraga iniciou a sua carreira profissional como funcionário do Serviço Meteorológico Nacional, tendo sido colocado na ilha do Corvo, onde residia nesse tempo, a ele dedicando todo o seu saber e empenhamento durante 35 anos. Consequentemente, extingui a sua exploração agro-pecuária. 

Não obstante não ter sido um revolucionário, era um contestatário de certas injustiças que observava na ilha do Corvo, tendo-se atrevido a questionar, em 1973, o novo Governador Civil da Horta, Dr. Sanches Branco, na sua primeira visita ao Corvo, sobretudo relativamente às injustas formas como os Serviços Florestais administravam os Baldios da ilha. Nessa ocasião questionou também a forma deficiente como ali estavam a ser dirigidos os Serviços de Obras Públicas e os Serviços de Saúde, onde não havia nesse tempo assistência médica permanente. 

Assim, quando a revolução de Abril de 1974 abriu as portas à democracia e aos partidos políticos, foi um dos fundadores do então PPD - Partido Popular Democrático na ilha do Corvo. Aí desde logo começou por reivindicar o regresso da administração dos Baldios ao povo da ilha do Corvo, facto que se verificou em 4 de Julho de 1975, por decisão do Ministro da Agricultura de então, o Eng.º Veiga de Oliveira, baseada numa exposição por ele elaborada. Esteve também na base da elaboração do primeiro projecto de Estatuto dos Baldios. Defendeu ainda outras políticas de interesse para as populações locais, designadamente no tocante à saúde, educação e transportes respeitantes à ilha do Corvo, bem como outras carências básicas essenciais para os corvinos. 

Como militante e dirigente desse partido participou activamente, quer nas eleições para a Constituinte, em 1975, quer nas outras que se seguiram em 1976, seja nas nacionais, seja nas regionais, conseguindo depois várias vitórias eleitorais na ilha, enquanto nela se manteve, isto é, até 1980. 

Em 7 de Dezembro de 1976 foi eleito, pelas listas do PPD/PSD, Presidente da Câmara Municipal do Corvo, cargo que exerceu com toda a dedicação e saber. Como nesse tempo o Município não tinha receitas orçamentais próprias, procurou aumentar as capacidades financeiras da Câmara Municipal, com vista a conseguir soluções para a concretização de vários empreendimentos que tinha em projecto. Assim, foi logo às diversas Secretarias Regionais tratar de assuntos respeitantes à ilha. Muitos deles foram logo resolvidos, mas, noutros casos, só conseguiu deixar as bases para a sua resolução. Desses empreendimentos destacam-se: a nova Central Térmica de Electricidade, nova rede de distribuição e ampliação do seu período de funcionamento para 24 horas por dia; construção do novo Posto de Saúde; construção do campo de jogos; reparações diversas, designadamente da escola e de várias estradas e caminhos (com alguns alargamentos); e construção ou acabamento da estrada do Ribeirão.  

Eleito novamente em Dezembro de 1979 Presidente da Câmara Municipal do Corvo, seis meses depois viria a renunciar ao mandato devido a divergências com dirigentes do partido.

Decide então obter transferência para o Observatório Meteorológico Afonso Chaves, da cidade de Ponta Delgada, lugar que ocupou em 1981, depois de passar uns meses na cidade da Horta, em idêntico serviço. Em Junho de 1985 foi colocado no Centro Meteorológico do Aeroporto da Nordela, em Ponta Delgada, cargo que manteve até passar à situação de aposentado, em 14 de Março de 2005.  

Frequentando primeiramente a Escola Roberto Ivens e depois o Liceu Antero de Quental, acabaria por efectuar o actual 10.º Ano, obtendo assim os estudos e a instrução que sempre desejara e que por dificuldades diversas nunca tivera possibilidades de obter. Enriqueceu, deste modo, a sua instrução e cultura, seja para o melhor desempenho da sua vida profissional, seja para satisfazer a sua ânsia de saber. É por isso que as suas preferências principais vão para a leitura e para a música, bem como para as actualidades noticiosas.   

Entrou para a “Filarmónica Lira Corvense” desde criança, onde tocou requinta (e toca sempre que pode), inclusivamente, tomando parte na sua deslocação a Fall River, nos EUA, em 1997. Foi correspondente do Rádio Clube de Angra na ilha do Corvo, entre 1972 e 1980; foi responsável pelas sondagens da empresa “NORMA” (Nacional) nas ilhas de S. Miguel e de Santa Maria entre 1985 e 1996. Colabora em diversos jornais açorianos com artigos de opinião dispersos, designadamente no “Correio dos Açores” e em “As Flores”. Também colabora com antigos combatentes, com vista a instalar nos Açores uma delegação da Associação de Veteranos de Guerra, cuja instituição tem sede em Braga.

Mais recentemente, em 2012, publicou importante livro sobre a Guerra do Ultramar, mantida por Portugal entre 1961 e 1974, o qual recebeu o nome de “Pátria Porque nos Abandonaste?”, editado pela Publiçor.     

Inteligente e controverso, é prestável e socialmente útil, na ânsia de dar sempre a melhor ajuda possível ao seu semelhante.

 

Fonte: Elementos curriculares remetidos pelo próprio e arquivados nos meus documentos em 19-11-2008; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Histórias e Gentes da Ilha do Corvo”, 2011, pp. 214-216, ed. da Câmara Municipal do Corvo.   

 

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