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09
agosto

Repensar a Semana do Mar

Escrito por  Repensar a Semana do Mar
Publicado em Costa Pereira
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“Pertenci, durante alguns anos, à Comissão Organizadora da Semana do Mar e sei que é difícil a tarefa que cabe aos seus membros, que tiram, das suas horas livres, tempo para se reunirem e, sem qualquer remuneração, ajudam a construir, ano após ano, a Semana do Mar. Sei também que é sempre mais fácil estar a criticar de fora, muitas vezes não conhecendo a realidade e a causa de cada decisão e transmitir apreciações e juízos (que cada um tem o direito de fazer), mas que, às vezes, por via desse desconhecimento, poderão revestir-se de alguma injustiça. (…)

É conhecendo essa realidade e respeitando todos aqueles que certamente dão o seu melhor para fazerem da Semana do Mar uma festa que nos dignifique, que escrevo algumas linhas sobre aquele evento, sobretudo na perspectiva de o problematizar e questionar, abrindo-o a um debate que me parece tão necessário como urgente.

a) A necessidade de inovação – Parece-me ser o desafio mais sério que se coloca às futuras edições da Semana do Mar. Se não for assumida com frontalidade e como um desafio urgente, corremos o risco de esgotar definitivamente o modelo actual e torná-lo repulsivo. De facto, o programa atual da Semana do Mar, excetuando alguns pequenos acrescentos ou cortes conforme os anos, é decalcado dos anteriores, mantendo a mesma estrutura e praticamente os mesmos meios. (…) Mas inovar passa por questionar e refletir sobre que modelo de festejos se quer.

b) O modelo da festa – A Semana do Mar começou por ser uma receção feita a alguns iatistas e, sob esse pretexto, alargou-se na terra e no mar, talvez sempre mais para a terra do que para o mar, tornando-se na maior festa profana da ilha e do Triângulo. Toda a animação em terra foi colocada no centro da festa, impondo-a às pessoas, e as tentativas de deslocar, pelo menos alguma dela, do Largo do Infante e arredores, não tiverem o êxito esperado. Serão de retomar ou iniciar algumas experiências, melhor enquadradas e pensadas, de descentralização da festa e da animação, espalhando-a por vários núcleos de interesse, dinâmicos e variados, assumindo-se como objectivo, por um lado, alargar a festa e, por outro, descomprimir o actual centro, excessivamente procurado e, assim, evitar as grandes aglomerações numa área relativamente pequena?

c) A Semana do Mar e o resto do ano – O crescimento da Semana do Mar tornou aquilo que era um pacato encontro de homens do mar e um reencontro de faialenses espalhados pelo mundo, numa quase Babilónia, excessiva, desordenada, onde às vezes até não é fácil encontrar um lugar para se conversar com os amigos e conhecidos. Por outro lado, a vinda de um número cada vez maior de visitantes, fez aumentar o público potencial de várias actividades culturais, artísticas e comerciais e, por essa via, a Semana do Mar tornou-se uma época disputadíssima para a apresentação de exposições, realização de feiras e negócios vários, de tal modo que tudo o que é espaço, mesmo sem condições, é utilizado. Não será a altura de devolver a Semana do Mar à sua genuína concepção de um festival náutico, acompanhado obviamente de animação em terra, que realce a componente primordial de encontro de marinheiros e de reencontro dos faialenses apartados pela vida, sem naturalmente esquecer o envolvimento das gerações jovens? Não será a altura para, no contexto de uma animação mais eficaz e planeada para uma maior duração temporal, canalizar o excesso da Semana do Mar para antes e depois daquele evento, desligando-se diretamente dele e dando origem a um calendário de acontecimentos culturais, artísticos e comerciais que se constituam por si mesmos em centro de interesse e de mobilização das pessoas, que valham por si e funcionem atrativamente sem a envolvência da Semana do Mar? Uma Feira de Actividades Económicas não poderá valer por si, bem organizada e bem localizada, como um forte atractivo fora da Semana do Mar? E uma Quinzena de Exposições de Pintura ou Fotografia não poderia ser um evento válido fora da Semana do Mar? A própria Feira do Livro não teria cabimento noutra data não coincidente? E um Ciclo ou Festival de Cinema de temática relacionada, por exemplo, com o Mar, aproveitando o Teatro Faialense? Seria este um caminho para se conseguir “libertar” a Semana do Mar, criar-se condições de maior disponibilidade para reforçar o peso e a atratividade da componente náutica (um mundo ainda a explorar) e ganhar-se um programa de animação para uns meses e não apenas algo que se esgota numa semana?

d) A dignificação da festa – A Semana do Mar é um dos festejos profanos mais antigos nos Açores. No entanto, a sua idade não foi acompanhada de uma eficaz actualização da sua imagem e das suas estruturas, algumas delas ainda do tempo das primeiras edições. A inovação que se reclama para a Semana do Mar passa também por uma urgente dignificação dos festejos, criando-se novas estruturas para o funcionamento das “barraquinhas” e do restaurante, que lhes garantam higiene e funcionalidade; passa também por definir o que é um “barraquinha” e o que se lhe exige (…); passa pela clarificação entre a iniciativa privada pura e o lugar que alguns clubes e associações legitimamente aspiram ter para louvavelmente angariarem fundos; passa pela defesa intransigente de que a Horta é uma cidade limpa e que isso é válido também durante a Semana do Mar (apesar dos louváveis esforços camarários em limpar cedo a lixeira da véspera...). (…) O não cumprimento de regras e uma censurável permissividade neste domínio poderão ajudar a retirar a dignidade aos festejos da cidade e a deixar uma imagem de sujidade e desordem que em nada nos abona.”

Publiquei as linhas que acima transcrevi em 2003, nas páginas deste Semanário. Retomo-as, com ligeiras atualizações, dez anos depois. E, infelizmente, na minha perspetiva, elas continuam na sua essência atuais.

Como escrevi, o maior e mais sério desafio que se coloca à Semana do Mar é o da inovação e da criatividade. 

E parece-me que durante esta década ele não foi assumido com frontalidade e como um desafio urgente.

Corre-se, por isso, o sério risco de tornar até o modelo atual da Semana do Mar repulsivo para muita gente, facto que é, aliás, já detetável junto de algumas pessoas.

Oxalá que quando se quiser efetivamente mudar já não seja tarde e a Semana do Mar perca o lugar e o carinho que justamente ganhou junto dos Faialenses e de quem escolhe esta altura para nos visitar.

 

05.08.2013               

 

 

 

 

 

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