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13
setembro

Tecnologia e o Faial

Escrito por  Nuno Avelar
Publicado em Fernando Guerra
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Foi apresentada a Agenda Digital e Tecnológica dos Açores, que contém áreas de intervenção e medidas estratégicas para esta legislatura para este setor da máxima importância para os Açores e para o Faial, a diversos níveis, desde a criação de postos de trabalho inovadores, à geração de valor acrescentado em setores não tradicionais e principalmente a possibilidade de venda de serviços que poderão ir para além dos limites geográficos dos Açores.

Possui quatro eixos fundamentais, desde o de promover a sociedade do conhecimento e da informação (uma necessidade do século XXI), incentivar a formação de base tecnológica (criar competências tecnológicas nos Açores), incrementar a transferência de tecnologia para as empresas (promover a criação de valor acrescentado na economia), e finalmente desenvolver infraestruturas tecnológicas (fixando nos Açores projetos de vanguarda em áreas fundamentais ou emergentes).

Ora, o Faial não pode ficar de fora em nenhum destes eixos e deve debater dentro de portas qual a melhor forma de dizer “presente” a esta oportunidade de alavancar e de promover a ilha como ponto de atração digital e tecnológica.

E deve colocar já no primeiro nível, reunindo com o conselho de ilha do Faial, para debater este assunto da máxima importância, por uma razão muito simples: as sociedades mais ricas e mais desenvolvidas estão correlacionadas com o desenvolvimento da sua ciência e tecnologia. E deve partir deste conselho a iniciativa de reunir com as diversas entidades-chave, nomeadamente com o município da Horta, com a associação comercial, com o departamenteo de oceanografia e pescas (DOP) da univerdade dos Açores, para referir apenas algumas, pois está em causa a oportunidade máxima de atrair empregos para os nossos jovens.

Podemos e devemos centrar-nos novamente no Mar como pilar fundamental de desenvolvimento tecnológico aplicado às empresas, principalmente num momento em que a Europa irá apresentar um conjunto de medidas neste setor; de uma vez por todas, há que pôr em campo uma ação estratégica concertada para a Horta, a vários níveis, a saber:

Com o governo regional que, apesar de fazer parques tecnológicos na Terceira e S. Miguel, deverá esclarecer se no Faial o polo de excelência do DOP servirá ou se necessita outras infraestruturas.

Com a universidade, tanto com o departamento de informática, em Ponta Delgada, como com o departamento da Horta, para a análise das potencialidades locais de gerar e apoiar empresas que desenvolvam os produtos e serviços tecnológicos.

Os responsáveis políticos locais devem deitar por terra o estigma enraízado na cabeça de alguns crânios que somos pequeninos e sem opção nem soluções, pela razão muito simples que até cientistas temos e jovens ligados à tecnologia também, portanto, se temos a matéria-prima, com as ferramentas certas vamos lá!

O Faial não pode continuar a viver apenas da sua história, deve aprender com ela. Já  houve diversos ciclos económicos identificados pelos historiadores, só a título de exemplo, a baleação, os clippers, os cabos submarinos,... pois chegou a hora de pensar no ciclo tecnológico.

Mas é precisa gente com conhecimento e capacidade ao nível do poder; mais uma vez, do governo já sabemos que não temos e que o conselho de ilha é apenas consultivo (mas podia ser motivador), restando o poder autárquico. E, mais uma vez, quando chegamos ao poder autárquico e aos seus gestores, até ficamos muito tristes; foi criar um ninho de empresas sem serviços, julgar que tecnologia é pôr putos na internet, que o concelho wirelles foi um flop, que chamaram à zona industrial parque tecnológico, que julgam que o Mar são regatas francesas ou embarcações marítimo turíticas e, se estivermos atentos ao que o atual vice e candidato diz sempre que abre a boca, que a grande aposta do Faial é voltarmos à terra...

Pobre Faial, é verdadeiramente assustador os conteúdos paupérrimos dos discursos e a prática com a necessidade de desenvolver efetivamente uma ilha que tem todas as condições para iniciar um novo ciclo económico, de dar emprego aos nossos jovens qualificados e, mais uma vez, colocar a Horta com ligação internacional.

Resta apenas ter esperança e confiança que haja gente nova na governação autárquica para esta realidade ser possível, porque estes já demonstraram, na prática, que não são capazes.

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