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08
novembro

O Diálogo Inter-religioso

Escrito por  Maria Patrão Neves
Publicado em Patrão Neves
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O Grupo Popular Europeu, o maior do Parlamento Europeu e no qual se integram partidos políticos de quase todos os Estados-membros, organiza, desde há 16 anos, uma reunião anual dedicada ao Diálogo Inter-religioso. O pressuposto explícito é o de que a harmonia entre as religiões conduz à paz entre os povos.

Esta é uma ideia com história que nas últimas décadas foi projectada para a opinião pública erudita através da obra de Hans Küng e o seu Projeto de Ética Mundial, no qual defende que “não haverá paz entre as nações, sem uma paz entre as religiões”, e que o ecumenismo promovido particularmente pelo Papa João Paulo II divulgou por todo o mundo. Esta é uma ideia que o desenrolar da história recente vem colocar de novo em evidência pela paz ameaçada e rompida em nome da religião.

Esta foi uma reunião das três religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo, islamismo -, nas muitas diversas expressões por que se celebram – entre as quais cristãos ortodoxos, coptas, judeus… - tal como se relacionam hoje em países como o Egipto ou a Jordânia, Chipre ou Sérvia. A riqueza desta reunião não é passível de ser relatada numa breve crónica pelo que opto por selecionar uma única perspectiva de reflexão através de algumas ideias sistematizadas e não desenvolvidas.

Uma das questões que estava necessariamente subjacente a este diálogo inter-religioso era a do papel da União Europeia neste domínio. O meu ceticismo nesta matéria é real. A União Europeia recusou assumir as suas raízes judaico-cristãs, aquando do passado debate de uma Constituição europeia, aparentemente ignorando que, para além da fé religiosa, que nem todos os cidadãos europeus partilham, há uma cultura, nas tradições como nas vivências quotidianas em que todos nascemos e nos desenvolvemos como pessoas e em cujos valores também os emigrantes deveriam integrar (sem anular a sua identidade religiosa e cultural).

A Europa, justamente orgulhosa da sua separação entre Estado e Religião como base elementar contra o absolutismo e em prol da igualdade entre os homens, deturpou o secularismo em despiritualização e criou um vazio abissal.

Mas, como já dizia Espinosa, na sua Ética, “a natureza tem horror ao vazio”… E este vazio tem sido preenchido entre nós por duas diferentes vias principais.

Uma primeira é através da procura de novas formas de espiritualidade, sobretudo as mais exigentes, para satisfazerem a sede do espírito inerente ao Homem. Verificamos então um crescendo na adesão a outras religiões, à margem das nossas comuns origens judaico-cristãs, isto é, uma adesão ao islamismo (a única religião em crescimento no mundo). E, de repente, quem rejeitava a obrigatoriedade de ir uma vez por semana à missa, passa rezar cinco vezes por dia; quem criticava o conservadorismo dos católicos, aceita a segregação das mulheres dos muçulmanos. O espírito revigora-se mas manifesta-se por expressões díspares das nossas raízes culturais.

Uma segunda modalidade de preenchimento do vazio, de sentido inverso ao anterior, é através da adesão a causas, não apenas promovidas no âmbito do exercício da cidadania, de participação na vida comunitária, mas antes combatidas militantemente como uma obsessão superior à devoção comum. São os novos fundamentalismos ocidentais, o ambientalista, o dos animais, o feminista que, justificando-se pelos direitos que atribuem a cada um dos sujeitos das causas por que pugnam (a vida animal vulnerável tem de ser protegida pelos humanos que têm o poder para tal, mas a vida humana embrionária pode ser destruída, por exemplo em experimentação científica sem que se justifique protegê-la), classificam – qual paradoxo! - como intolerantes todos os que ousam pensar diferentemente.

Incapazes de assumirmos os nossos valores culturais, de natureza judaico-cristã, e quase que envergonhados das nossas crenças religiosas, ou partimos para o diálogo inter-religioso com os valores de outrem, acolhendo toda a diferença acriticamente e nada construindo de novo, ou com os nossos fundamentalismos laicos que atentam contra todas as religiões e apenas destroem a comunhão de espíritos.

Em qualquer caso, nós, Europeus, predispomo-nos para o diálogo inter-religioso sempre e unicamente munidos de uma linguagem dos direitos (humanos), estereotipada, em vez de contribuirmos para o diálogo através da partilha das expressões da espiritualidade humana. Enquanto assim for não haverá diálogo entre as pessoas, nem paz entre povos.

www.patraoneves.eu

 

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