No final da 2ª Guerra Mundial a Europa estava destruída, mais de 50 milhões de mortos e um sofrimento incomensurável. Cinco anos depois do final da Guerra, apontaram-se caminhos para uma paz duradoura e um futuro próspero, apostando na necessidade de existir “uma solidariedade de facto”. Desde então foi-se construindo a União Europeia (UE). Novos desafios, novas oportunidades e novos problemas foram surgindo, como a crise que vivemos. Hoje, precisamos de reajustar as nossas respostas.
Primeiro cumpre-nos retirar lições. Fomos ao longo das décadas permitindo a desregulação dos mercados e a ganância no mundo financeiro, sem medirmos as consequências que acabariam por chegar. Como resposta às dificuldades que surgiram em 2008, a Europa seguiu uma linha conservadora de austeridade extrema que tem promovido a exclusão social e aumentado a pobreza. Esta política imposta por tecnocratas é simultaneamente responsável pelo agravamento dos desequilíbrios entre os Estados Membros. Trata-se de resultados que terão efeitos que se prolongarão por muitos anos. Não falamos apenas dos efeitos económicos e sociais, mas também do nível da confiança que se foi perdendo no projeto europeu.
Agora exige-se um debate sério e ambicioso, que confronte ideias e projetos distintos sobre os caminhos que a Europa deve percorrer para sobreviver e prosperar no futuro. E temos de estar muito atentos à forma como este debate se vai travar. É que a austeridade que se instalou trouxe o aumento das desigualdades, desemprego, pobreza e um crescimento da insatisfação e da revolta que tem sido terreno fértil para o crescimento dos extremismos. Daqueles que aparecem antes das Guerras e que, do nada, levaram às atitudes mais irracionais do comportamento humano, como as que resultaram em milhões de mortos e destruição. Só o debate esclarecedor e construtivo das ideias, dos valores, dos projetos, conseguirá derrotar essas posições extremistas e evitar que capitalizem votos de protesto com consequências dramáticas. Não podemos subestimar esses perigos e temos de combatê-los com a afirmação dos valores e dos princípios, no debate esclarecedor com as populações. Não são posições extremas ou o obscurantismo, sobre projetos tão decisivos para a nossa vida quotidiana e os caminhos do nosso futuro que nos poderão devolver a esperança.
É preciso propor uma Europa mais coesa, que coloque a ênfase na vida dos seus cidadãos, na sua sustentabilidade, harmonia e prosperidade e não nos interesses da finança e da acumulação irrestrita de riqueza pessoal. Cabe-nos abrir o futuro aos jovens e aos cidadãos da Europa atingidos pela austeridade que a crise impôs, defender os que menos têm e prosseguir políticas que combatam os desequilíbrios entre as Regiões e os Estados-membros, a desregulação económica e financeira e as desigualdades que caracterizaram a origem desta crise e que não têm lugar nas soluções necessárias para a sua ultrapassagem. Temos de nos voltar para as pessoas e subordinar os interesses da alta finança aos interesses democráticos dos Povos.
O aprofundamento da integração europeia implicará a participação permanente pelos Povos e uma transformação das instituições e das práticas políticas europeias, no sentido da sua maior aproximação aos cidadãos.
Por isso, em 2014, as eleições europeias são decisivas para começar a construir esse novo caminho para a Europa e para todos nós. O nosso voto vai indicar uma opção por prioridades políticas e estabelecer um compromisso recíproco, reforçado, com o candidato que escolhemos para presidir à Comissão Europeia. E deve, sobretudo, rejeitar inequivocamente os apelos dos extremistas.